Revelando, imortalizando histórias e talentos
15.9.07

História das artes plásticas em São Paulo

A presença de Franz Post, de Gerbrandt Von Ekout nos meados do século XVII, não passou de simples capricho de um príncipe desejoso em posar para posteridade, sendo também nula a presença do monge beneditino frei Ricardo, vindo de Flandres no ano de 1700.

As artes plásticas paulista não remonta um longo passado e muito menos pôde se beneficiar de influências estrangeiras como é o caso de Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Sua história é recente e pode-se até dizer que foi Almeida Júnior [1850 / 1899 ] o precursor das artes plásticas paulista quando em 1869 se matriculou na Academia de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Antes dele o que se praticava não era pintura propriamente dita. Era algo entendida como expressão plástica completa, em constante evolução e buscando meios de atingir a perfeição na representação de qualquer assunto idealizado ou inspirado na vida real. Porém, um outro ituano - Miguel Arcanjo Benício Dutra -, bem antes do nascimento de Almeida Júnior, já gozava de uma certa fama como arquiteto, pintor e entalhador, cuja pintura ingênua e primitiva e simplicidade de suas tintas ele poderia ser considerado o primeiro paisagista primitivista de São Paulo. Os padres jesuitas sempre deram suas contibuições para as artes, é o caso de Jesuino do Monte Carmelo, que apesar de muito talento não possuia a prática do ofício da pintura.

O nome de muitos deles, além de um grande mistério, se perdem entre a obscuridade e a distância do tempo. Eram, sobretudo, grandes decoradores que inspirados na religião cristã difundiam a idéia do belo no sentimento do povo. Podia-se até chamá-los de bandeirantes da arte, tal abnegação, e que foram destruidos em ocasião das demolições das antigas igrejas. A formação de uma consciencia pictórica paulista veio mesmo depois de Miguelzinho Dutra [1810 / 1875 ], cujas pinturas apesar de ingênuas são dotadas de sentimentos nativo e foi a partir dai que se deu ao primeiro núcleo de artistas que viria marcar uma fase consciente da arte paulsta, proveniente de ensinamentos recebidos na Academia de Belas Artes do Rio de Janeiro, sobre forte impulso de grandes pintores como Victor Meirelles, Zeferino da Costa e o patrono das artes no País, D. Pedro II, que deu continuidade às artes iniciada por D. João VI, que promoveu a vinda da missão francesa o que resultou na fundação da Academia. Entretanto, a arte paulista nasceu sob influênia oitocentista da Academia Imperial de Belas Artes [1816], sendo que após meio século um jovem oriundo de São Paulo entraria para a seleta academia. Por força do destino ele estaria incumbido da nobre missão: a glória de ser o criador da pintura clássica brasileira, e a partir dai uma corte de talentosos artistas que, por várias gerações, honram o nome das artes plásticas desse país como Pedro Alexandrino, Oscar Pereira da Silva e Benedito Calixto, provavelmente, foram os grandes divulgadores da consciencia pictórica.

O liceu

Se tem uma institutição que colaborou para a difusão das artes em São Paulo, essa instituição foi o Liceu de Artes e Ofícios que, em um segundo período das artes plásticas paulista teve início, sim, com a fundação do Liceu, 1895, e se delimita com o movimento de Arte Moderna de 1922. A escola de artes do Liceu de Artes e Ofícios, durante a gestão do engenheiro Ramos de Azevedo, diretor de 1895 a 1928, data de seu falecimento - foi o único centro de aprendizagem artística e uma oficina de artesãos e técnicos em todos os ramos das artes consideradas menores, o que de certo modo viria contribuir para o progresso de São Paulo. Foi nesse liceu que a pinacoteca do estado fora instituida oficialmente, em agosto de 1911, e nos anos de 1912 -1913, nas suas salas foram realizadas importantes mostras de arte como o primeiro Salão de Belas Artes, com uma exposição de arte retrospectiva francesa, que teve como patrocinador o governo daquele país, e como organizador o professor Hourticq, então inspetor de Belas Artes de Paris, anterior, o primeiro Salão de Belas Artes realizado de 1911 a 1912. Cuja idéia foi do pintor Torquato Bassi, que a batizou de Exposição Brasileira de Belas Artes, e o Conselho Geral era composto por dr. Alfredo Pinto, Alfredo Pujol, Nestor Rangel Pestana, Francisco de Paula Ramos de Azevedo entre outros.

Esta primeira mostra contunha 363 pinturas e 37 esculturas, além de outras inscritas nas secções de arquitetura, arte decorativa, e o número de concorretes chegou a cem, muitos do rio de Janeiro e estrangeiros aqui domiciliados. Georgina de Albuquerque, Pedro Alexandrino, João Batista da Costa, Angelina Agostini, Clodomiro Amazonas, Décio Romiti, Edgard Parreiras, José Sachetti, Eleonora Krug Malfatti [ mãe de Anita] Bertha Worms, Benjamin Constant Neto entre outros. O goveno de São paulo adquiriu várias obras como título de estímulo aos pintores, sendo um de Batista da Costa "Quaresma" , que encontram-se na pinacoteca. Porém, ressalte-se que muito antes do liceu, no governo de Marechal Hermes da Fonseca, fora fundada a primeira escola de Aprendizes Artífices, atualmente Escola Técnica Federal, na qual ensinavam artes decorativas. Muitos artistas que adqüiriram fama dentro e fora do país, fizeram aprendizado na antiga escola. Em seguida, foi fundado o Pensionato Artístico do Esatado, que além de patrocinar estudantes de artes plásticas fora do país, também contribuiria para seu progresso. A isntitutição teve como membro e presidente-orientador, [1930] o senador J. de Freitas Valle, cuja residencia a Vila Kyrial foi o mais notável salão de arte de São Paulo nos primórdios.

Escola de Belas Artes de São Paulo
Somente no ano de 1925 fundava-se a Escola de Belas Artes de São Paulo, e em 1933, graças as atividades do professor Alexandre de Albuquerque, foi fundado também o Salão Paulista de Belas Artes, sob orientação do Serviço de Fiscalização Artística da Secretaria do Governo. A partir da exposição de 1911, realizada no Liceu, várias outras tentativas de caráter particular ou semi-oficial foram tentadas. Objetivavam exatamente a criação do salão e, todas fracassaram, sempre por falta de apoio material e financeiro,, empresarial e governamental. Foi a partir da Revolução de 1930, que houve um movimento geral nas artes; novas iniciativas foram tentadas e, eis que surge um homem de boa vontade, o arquiteto Alexandre de Albuquerque que conseguiria dar apoio para as idéias de criação do Salão Paulista de Belas Artes. No ano de 1931 surgiu o decreto criando o órgão coordenador e orientador, o Conselho de Orientação Artística. Porém, em 1933, um novo decreto com base em projeto de Darci Porchat, foi aprovado o regulamento do Salão Paulista de Belas Artes, ambos dependentes da Secretaria de Educação. Entre os membros estava o pintor José Wash Rodrigues. O Conselho foi extinto em 1948 passando seus funcionários ao governo onde ficariam constituindo o Serviço de Fiscalização Artística. Oficialmente, o I Salão realizou-se no antigo prédio do "Diário Oficial" de São Paulo, à rua 11 de agosto, que foi demolido em 1947.

Premiados em Salões

Durante os salões pintores foram premiados com medalhas de ouro - Grandes ou Pequenas, em 1934, quatro deles : Antônio Rocco, Oscar Pereira da Silva, Pedro Alexandrino, e o escultor Amadeu Zanini ganharam a Grande Medalha de Ouro, e a medalha pequena de ouro ficou para José Wash Rodrigues. No salão de 1935 não foram concedidas Grandes Medalhas, e somente pequenas e as únicas duas foram para o pintor Bernardino de Sousa Pereira e ao escultor Elio de Giusto. O III Salão - 1936, Dário Villares Barbosa ganhou a Grande Medalha de Ouro, enquanto as pequenas foram para P.V.Lopes de Leão, Yolanda Mahalyi e João Batista Ferri - escultor. O IV, 1937, Vitório Gobbis ganhou a principal medalha enquanto às 4 pequenas medalhas foram para os pintores Francisco Rebollo e Hugo Adami e os escultores Roque de Mingo e Joaquim Figueira. Em 1938, o V Salão premiou com a Grande Medalha o pintor Paulo Valle Júnior e a pequena ao professor Theodoro da Silva Braga. O VI, 1939, Antônio de Paula Dutra recebeu como homenagem póstuma o primeiro prêmio, e as 4 Pequenas Medalhas foram distribuidas aos pintores Augusto Bracet, Osvaldo Teixeira, Pedro Antônio e Pedro Bruno. No VII, não foram conferidas Medalhas Grandes ou Pequenas de Ouro, e sim 8 Grandes Medalhas de prata distribuida às secções de pintura, recebeu uma Pequena Medalha de Ouro o escultor Ricardo Cipicchia. Já no IX Salão, a Grande Medalha coube ao pintor Alípio Dutra, e as três pequenas a Túlio Mugnaini, Raymundo Cela e ao escultor Vicente Larocca.

O X Salão de 1944, o escultor Ricardo Cipicchia recebeu a Medalha Grande de Ouro enquanto às pequenas foram para Manoel madruga, e oa escultor Raphael Galvez. O XI - 1945, Elyseu D'Angelo Visconti, a pequena para Leopoldo Gotuzzo. Osvaldo Teixeira, José Fiuza Guimarães e o escultor Júlio Guerra, foram os vencedores respectivamente das medalhas do XII Salão, 1946. Já o Salão de 1947, o XIII, teve como vencedores da Grande Medalha de Ouro, Carlos Chambelland e o escultor João Batista Ferri, e a Pequena Medalha foi para Armando Martins Vianna. O XIV - 1948, Preciliano Silva ficou com o primeiro prêmio enquanto o pintor Joaquim da Rocha Ferreira e o escultor Luiz Morrone ganharam a Pequena Medalha. No ano de 1949, o XV não conferiu prêmios. Já o XVI, de 1951- José Marques Campão foi homenageado postumamente com a Grande Medalha de Ouro e, Lello Coluccini, escultor com a pequena. Manuel Madruga ganhou a grande medalha de Ouro e Salvador Caruso e Antônio Maria Nardi tiveram homenagens póstumas com duas Pequenas Medalhas, no Salão de 1952, o XVII. Já o XVIII Salão realizado em 1953, apenas a Pequena Medalha de Ouro foi dada ao pintor Orlando Tarquínio.

Terceiro Período

Em um terceiro período da arte paulista, aparece o moviemnto modernistas e sua arte moderna. Traquejada em suas viagens tanto para Europa quanto para os Esatdos unidos da América, e trazendo na bagagem artística telas aclamadas como "futuristas" - A mulher de Cabelos Verdes, O Homem Amarelo por exemplo, o que não passavam de corajosas tentativas expressionistas, em dezembro de 1917, a jovem Anita Malfatti realizava a primeira exposição de arte moderna em São Paulo. Sua arte e personalidade foram atacadas por Monteiro Lobato de "paranóia ou mistificação". Porém, em 9 de fevereiro de 1922, surgia a Semana de Arte Moderna como um toque de clarim que rompia com os laços acadêmicos e lançava os artistas em mar revolto à procura de novos horizontes artísticos. A revolução de 1930 de certo modo também favoreceria aos ideais libertários daqueles artistas. No mesmo ano, Olívia Penteado, Paulo Rossi Osir e Flávio de Carvalho, fundam a SPAM - Sociedade Paulista de Arte Moderna. Sucessivamente, foram organizando o Salão de Maio, o Museu de Arte Moderna e o Salão Paulista de Arte Moderna, em 1951, e em seqüencia, a Bienal de São Paulo, no qual Victor Brecheret conquistou o 1º prêmio no setor brasileiro e, fianlmente, em 1953 a bienal foi inaugurada definitivamente consagrando muitos nomes como Cândido Portinari, Lasar Segall, Victor Brecheret e Clóvis Graciano, como os bambas do figurativismo e da escultura.

Prêmios / os franceses

Distribuir medalhas ou prêmios como reconhecimento pelo trabalho de artistas sempre foi um modo mais comodo e barato e, para muitos, um trampolim em suas carreiras. Mas distribuir bolsas de estudos como prêmio era bem mais convencional à época. Entre os que foram agraciados por exemplo José Ferraz de Almeida Júnior, 1876, Benedito Calixto com pensão de Visconde de Vergueiro, em 1883, Pedro Alexandrino, pensionista do Governo do Esatdo de São Paulo, 1896, Diógenes de Campos Ayres, 1909, como pensionista do Estado de São Paulo. Com o decreto número 2.234, de 22 de abril de 1912, que criou o Pensionato Artístico do Esatdo de São Paulo viajaram em 1912 José Monteiro França e Francisco Leopoldo e Silva - escultor, Paulo Valle Júnior, José Wash Rodrigues, Alípio Dutra, Mário e Dario Villares, em 1913. O escultor Marcelo Velez e os pintores Helena Pereira da Silva, Paulo Vergueiro Lopes de Leão em 1914. Em 1918, Aldovrando Casabona e Túlio Mugnaini e Victor Brecheret, em 1920. Já no ano de 1922 foi a vez de Anita Malfatti e Pereira Barreto, escultor. Em 1938 viajaram Alfredo Oliani, escultor - e Antônio Doe Pádua Dutra. Já em 1939, Arquimedes Dutra, Júlio Guerra - escultor. A última viagem foi de Arlindo Castellani de Carli, em 1953.

Os franceses, ou seja, a presença de Franz Post, de Gerbrandt Von Ekout nos meados do século XVII, não passou de simples capricho de um príncipe desejoso em posar para posteridade. Também foi de igual influência nula, do monge beneditino vindo de Flandres no ano de 1700, frei Ricardo do Pilar, que faleceria cinco após sua chegada. Influência definitiva mesmo teve a contratação dos artistas franceses, em 1816, Nicolau Antônio Taunay, João Batista Debret, Augusto Maria Taunay, Joaquim Lebreton, Grandjean de Montigny Segismundo Neukomm e Carlos Simão Prandier para fundação da Academia de Belas Artes do Rio de Janeiro, em 12 de agosto daquele ano, por decreto de d. João VI. Entretanto, neste tempo já se contava com os nomes de Antônio Francisco Lisboa, Aleijadinho, e o não menos célebre Valentim da Fonseca e Silva "Mestre Valentim", Raimundo da Costa e Silva e Leandro Joaquim, ambos pintores fluminenses. Mas foi a fundação da Academia o primeiro marco do ensino artístico do Brasil. [Francisco Martins] [Reportagem publicada na versão impressa de www.jornalnovastecnicas.com.br  , em setembro de 2007 - e também na versão de www.bostonglobe.com  , e não pode ser reproduzida total ou parcial sem autorização do autor].
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link da notíciaBy Equipe formasemeios, às 21:48  comentar

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