Revelando, imortalizando histórias e talentos
14.1.08

EDITH SÖDERGRAN - VIDA E OBRA


Sua vida não foi um mar de rosas. Acusada de megalomaníaca, teve de vender seus móveis para comprar comida como por exemplo trigo de 2ª categoria. Viveu em extrema miséria depois de lançar Septemberlyran.

Nascida na cidade de São Petersburgo a 4 de abril de 1892, filha de pais finlandeses Matts Södergran, um engenheiro que viajara quase toda Europa setentrional antes de se instalar na antiga capital do império russo, São Petersburgo, e Helena, uma mulher educada e refinada, que tinha muito interesse pela literatura. Quando Edith contava poucos meses de idade seus pais mudaram-se para Raviola, um povoado finlandês no ístimo de Corélia. Aos 11 anos começa a estudar na escola alemã para meninas da capital russa - Deutsche Schulez St. Petri, onde uma geração antes havia estudado entre eles a escritora Lou Andrés-Salomé. São Petersburgo, naquela época, era a 4ª maior cidade da Europa, ficando atrás somente de Paris, Londres e Berlim, e ostentava a monarquia Csarista e a escola refletia este ambiente, e o foco dos ensinos era as línguas modernas e, Edith aprendeu muito bem francês, alemão, inglês e russo. Neste período ela já dava muita importância e ênfase a formação estética: em seus anuários da escola está registrado várias visitas ao Ermitage e outros museus de artes e também concertos e recitais escolares. Entre os 14 e 16 anos Edith Södergran escrevera mais de 200 poemas, a maioria em alemão e alguns em francês, um em russo e uns vinte em sueco, a língua materna. Porém, eram os poemas escritos na língua alemã que liberava em Edith o desejo de expansão e libertação do ambiente familiar. Seus poemas revelam uma forte influência de Heine, nostalgia e imagens de amor romântico, muito motivados pela paixão que nutria por seu professor de francês e outros pela paixão secreta por uma colega da mesma idade. Em 1909, ela receberia um diagnóstico de tuberculose, e deparara-se frente-a-frente com a morte.Nesse período, revelam-se em seus poemas, depressão, desalento e desejo de morte. A partir daí, praticamente, abandona os escritos em alemão e passa a fazê-los em sueco. Nos seus poemas em alemão, a poetisa primava pela expansão da liberdade, enquanto seus poemas escritos em sueco significava um retorno à infância, a proteção materna. No ano de 1916, seu primeiro volume de poesias - Dikter[poemas], foram publicados. Eram poemas diretos, concisos que dispensava a métrica e com fortes inspirações nos poetas modernos como Rimbaud e Whitman. No primeiro poema do volume, Jag Säg ett Träd[Eu vi uma Árvore] a autora lança três enígmas e uma conclusão fatal:

POEMA

Eu vi uma árvore maior que todas as outras,
Cheia de pinhas inacessíveis;
Vi uma grande igreja de portas abertas
e todos os que dela saíam eram pálidos e fortes, e prontos para morrer;
Vi uma mulher maquiada que sorria e jogava dados a sua sorte, e vi que ela perdeu.
Havia um círculo desenhado ao redor que ninguém ultrapassava.

Comendo pão de 2ª

Com este poema ela demarca desde o princípio o seu universo poético como frustação, decepção amorosa e medo da morte, universo esse que é delimitado pelo círculo do destino, do qual ninguém escapa. Já a mulher maquiada do poema é a própria autora, de volta a sua estada na Suíça, cheia de esperanças e felicidades. A grande árvore com suas pinhas inacessíveis - representava os símbolos fálicos, evoca o desejo, o surgimento de uma nova geração e a vontade de ser mãe. A imprensa local demonstrou muito pouco interesse por sua obra, enquanto a de Helsink até elogiou seu trabalho. A obra insinuava uma ruptura decisiva com as convenções tradicionais. Em 1917, os bolcheviques tomaram o poder na rússia e, da noite para o dia, ela e sua mãe perdem a pensão, seus rendimentos financeiros. A família passou a viver em pobreza e contando somente com a venda dos móveis da propriedade. As condições precarias e o caos social aliados a perda dos meios de sobrevivência, tiveram impacto na obra literária de Edith Sodergran. Septemberlyran [A Lira de Setembro - 1918], poemas que exaltam a beleza; a força primitiva do ser humano e o seu poder transformador. A repercussão foi negativa, chegando a autora a ser acusada de megalomaníaca. Mesmo em ambiente desfavorável, ela publicou mais dois volumes de poesias: Rosenantaret [O Altar de Rosas 1919], e Framtidens Skugga [A Sombra do futuro, 1920]. O último volume, Landet som Iacke är [A Terra que não É] foi publicado postumamente em 1925. O final de sua vida foi de extrema pobreza. Alimentava-se apenas de pães feitos em casa com farinha de trigo de qualidade inferior. Foi lançado uma tradução da poetisa no IV Festival Universitário de Literatura, em 2001, até então inétida no Brasil. Edith faleceu em 24 de janeiro de 1923, com 31 anos.  [Francisco Martins]
EDITORIAS:
link da notíciaBy Equipe formasemeios, às 13:30  comentar

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