Revelando, imortalizando histórias e talentos
7.2.08

10/03/ 2008 Obras-primas que poucos leram

Morro dos Ventos Uivantes: Emily Brontë Wuthering Heights é o maior romance escrito na língua inglesa: Foi muito mal recebido ao aparecer. Só foi elevado a um clássico da literatura depois de décadas, a história de duas famílias, os Earnshaw e os Linton.

Uma das mais sombrias histórias jamais escrita, Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë é um relato de amor que transcende os amantes, que os exalta e aniquila. Essa paixão e as circunstâncias que a cercaram foram expressas por uma jovem e tímida provinciana, Emily Brontë, que viveu numa região quase inóspita da Inglaterra na primeira metade de século XIX. O livro foi escrito as vésperas da sua precoce morte, sem saber (talvez) que legava à literatura universal um dos mais belos romances de todos os tempos. Emily Brontë, nasceu a 10 de julho de 1818 e foi a quarta filha de Patrick Brontë, pároco da igreja metodista de Haworth, e Maria Branwell, falecida em 1821, aos 39 anos.
Música e filme
Wuthering Heights (Ventos Uivantes), é centrado em Yorkshire, norte da Inglaterra, em fins do século XVIII região agreste, desolada e selvagem e varrida pelos ventos, é a mesma que nas primeiras décadas do século serviu de lar quase constante à autora do romance. “Os fortes ventos atlânticos que, de modo turbulento, impelem as nuvens, nevoeiro deste céu escuro e chuvoso”. Esse ambiente agreste não impediu que Emily encontrasse nessa solidão muitos prazeres, dos quais o maior era o sentimento da liberdade. Não somente Emily, mas as suas duas irmãs: Anne e Charlotte tiveram contato com o nome da família impressos em livros desde cedo, pois seu pai quando jovem havia publicado vários livros de poesia.[Wuthering Heights também deu título a música de Kate Bush]. O livro lançado em 1847, foi levado às telas de cinemas por duas vezes. A primeira versão cinematográfica - 1938 de O Morro dos Ventos Uivantes tinha um elenco de primeira linha: David Niven, Laurence Olivier (como Heatcliff) Donald Crisp, Flora Robson e Vivien Leigh. Sucesso absoluto. Já a segunda versão ficou muito a quem principalmente o elenco: Timoty Dalton (Heatcliff) e Anna Calder-Marshall (Catherine).
O livro conta a história de duas famílias: os Earnshaw e os Linton. Os Earnshaw tinham um filho, Hindley e uma filha Catherine. Os Linton igualmente tinham um filho, Edgar, e uma filha Isabella. A família Earnshaw ao fazer uma viagem resolveram adotar um pequeno intruso órfão cigano - Heathcliff. Toda afeição que o pai logo demonstrou pelo intruso enciumaram Hindley e Catherine. Hindley passa a odiar Heathcliff à condição de empregado. Amor, ódio, ciúmes e revoltas permeiam este romance de Emily Brontë, que deveria ser leitura obrigatória nas escolas. Sem pedir desculpas digo: Wuthering Heights é o maior romance escrito na língua inglesa: Foi muito mal recebido ao aparecer. Só foi elevado a um clássico da literatura depois de décadas. O Reverendo Angus Mackey definiu Emily como “a irmã mais moça de Shakspeare”. Os estudos sobre Emily e sua obra aumentou consideravelmente, sendo de notar o ensaio do crítico Lord David Cecil classificando Wuthering Heights como um romance metafísico cujos personagens simbolizam as forças cósmicas da tempestade e da calmaria. Desde então, tanto a técnica quanto a substância do romance vêm sendo enaltecidas. Acima, cena da primeira versão cinematográfica. # Em homenagem ao meu pai falecido em 26 de fevereiro de 1994
[Francisco Martins]

 

Padre Antônio Vieira - Palavra Eterna

Ele era forte como o século em que viveu. Passou a fazer parte do grupo religioso que se destacava na época, inclusive pela abertura para cultura e ciência. Lutou contra a escravidão indígena e defendia que um grupo humano não poderia ser julgado por estereótipos e preconceitos, e mostrou na prática.

Estudou na Companhia de Jesus, fundada por Inácio de Loyola, no século XVI. Diplomata, profeta, historiador e missionário, pregador e literato. Sua obra atemporal faz especialistas brasileiros se debruçarem sobre os sermões do "imperador da lígua portuguesa, assim definido por Fernando Pessoa. A vida de Padre Vieira coincide com o século XVII, período em que se consolidariam e se ampliam valores de modernidade, processo esse iniciado em séculos passados, e que fora desencadeado pelo aumento do comércio mundial, viagens marítimas e o progresso científico, como o invento do barômetro, o termômetro, o microscópio, e foi também no século XVII que William Harvey descobriu a circulação do sangue, dando enorme impulso à medicina. Além de ter sido também, o século do barroco, do logarítmo, de René Descartes, Isaac Newton entre outros. Tal século afirma o primado da realidade; sustenta que a experiência deve suplantar o princípio da autoridade e que o ser humano pode aperfeiçoar-se mediante o aprendizado e a educação, e que a humanidade transforme-se em uma jornada de progresso contínuo. Assim, foi a personalidade de Padre Vieira, forte como o século em que viveu. Tinha origem mestiça e por isso suas influências para que se tornasse um homem sem preconceitos. Ingressou na ordem contra gosto de sua família, passou a fazer parte do grupo religioso que se destacava na época, inclusive pela abertura para cultura e ciência. Lutou contra a escravidão indígena, e defendia que um grupo humano não poderia ser julgado por estereótipos e preconceitos, e mostrou na prática. Seus sermões e pregações correriam mundo, assim como Pe. Vieira. Sua obra não pode ser classificada, e está para o português o que Cervantes é para o espanhol e Dante para o italianos. Quem foi este homem que deu plasticidade ao idioma de mais de 200 milhões de falantes?. Os quinze volumes dos sermões editados entre os anos 1679 e 1748, serão relançados seguindo um cronograma até 2010.

Nascido aos 6 de fevereiro de 1608, em Lisboa - Portugal, sua família viaja para o Brasil em 1614 chegando a Salvador - BA, um ano depois. No ano de 1623, Vieira ingressa no Colégio dos Jesuitas, em Salvador, mas com a ocupação dos holandeses em Salvador, 1624, os jesuitas refugiram-se em uma aldeia indígena, onde Padre Vieira inicia o trabalho de catequisação. Com finalidade de continuar seus estudos ele transfere-se para o colégio dos Jesuitas, em Olinda -PE e lá ele leciona retórica. O "Sermão do Quarto Domingo da Quaresma"seria o primeiro e fora realizado na Igreja Nossa Senhora da Conceição da Praia, Salvador, e seria também sua tônica na vida. Rezou sua primeira missa em 1634. Em outra de sua missas, 1640, ele prega "Pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal Contra as da Holanda". Em sua primeira viagem a Lisboa - Portugal, 1641, conhece o rei dom João 4º de quem receberia atenção especial. Já em 1642, apresenta sermão na Capela Real, Lisboa, e em 1644 foi nomeado pregador-régio. Suas relações diplomáticas tiveram início em 1646 quando viajou para França e Holanda, para negociar a devolução das terras invadidas no Nordeste brasileiro. Foi por sugestão de Pe. Vieira que a Companhia Geral do Comércio do Brasil foi criada em 1649, naquele mesmo ano seria denunciado à inquisição e pressionado a abandonar os Jesuitas, mas o rei dom João 4º o defenderia.

Em 1652, retorna ao Brasil e lidera missões de catequisação de índios do Pará e do Maranhão. Dando vasão aos sermões ele prega "Santo Antônio os Peixes", datado de 13 de junho de 1654, véspera de seu retorno a Portugal. Na viagem o návio foi atacado por piratas e demorou um ano para chegar ao destino. Mal chegou retorna ao Brasil, e desta vez com plenos poderes para organizar as missões e os aldeamentos dos índios. Como prova de profetismo pela inquisição, ele escreve "Esperanças de Portugal, 5º Império do Mundo", 1659. Dois anos mais tarde, Vieira e os Jesuitas seriam expulsos do Maranhão pelos colonos. Em 1662, a inquisição instaura inquérito contra ele e é defenestrado para Coimbra - Portugal, 1663. Sua prisão foi ordenada pelo Santo Ofício, em 1664. O padre fora proibido de pregar em 1667, e permanecera preso. Em 12 de junho, de 1667, o Santo Ofício dá anistia parcial a Pe. Vieira para pregar sobre alguns temas. Não contente com sua "meia liberdade" ele viaja para Roma em busca de revisão da sentença, 1669. Em sua viagem foi convidado a pregar para rainha Cristina, da Suécia, em 1673. Por intermédio do papa Clemente 10º ele regressa a Lisboa , em 1675, isento da Inquisição portuguêsa. Neste mesmo período recusou o convite para ser confessor da rainha Cristina, da Suécia. No ano de 1679 dá inicio as publicções dos sermões, e em 1681 muda-se definitivamente para Bahia. Naquele ano foi nomeado visitador-geral da província jesuíticas do Brasil, cargo esse que ele exerceu de 1688 à 1691. Quando do nascimento da infânta dona Teresa, ele prega o sermão "Felicíssimo Nascimento", e que seria o último, 1696. Após de terminar a revisão do 12º volume dos sermões, Padre Antônio Vieira morre em 18 de julho de 1697, em Salvador. [francisco martins - fmartins70@isbt.com.br ]


Eventos e publicações

Vários eventos e publicações estão programados entre Brasil e Portugal em comemoração ao quartocentenário do Padre Antônio Vieira.

No dia 6 de fevereiro uma cerimônia de abertura, colóquios e lançamento do primeiro volume da obra dos "Sermões" pela Imprensa Nacional / Casa da Moeda de Portugal, na Acadêmia das Ci6encias de Lisboa.

Leituras de trechos da obra "Palavra e Utopia" com apresentação do filme de Manoel de Oliveira, e um concerto, tudo no Centro Cultural de Belém - Portugal.
Abertura da exposição iconográfica e bibliográfica na Universidade Católica Portuguêsa - em Lisboa.

Dia 7/02, Conferência "A outra pátria de Vieira", na Embaixada brasileira, em Lisboa.
De 7/ a 9/02, realizam-se o congresso internacional Quarto Centenário do Nascimento de Antônio Vieira, na Universidade la Sapienza, de Roma.

No dia 9/02, Encontro Fé e Justiça 16, intitulado "Padre Antônio Vieira" - Os mesmos desafios Quatro Século Depois, em Lisboa.

Em agosto, a Unicamp [Campinas - interior paulista] estrá promovendo ciclo de seminários que debatem temas de Machado de Assis a Antônio Vieira.
Dia 18/11, Concertos de Música barroca e cerimônia litúrgica, no Mosteiro de São Vicente de Fora - Lisboa - Portugal.
De 18 à 21 /11, Congresso Internacional Ver, Ouvir, Falar - O Grande Teatro do Mundo na Faculdade de Ciências Humanas, da Universidade Católica Portuguêsa, e na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

"História de Antônio Vieira"do escritor João Lúcio de Azevedo [Editora Alameda], livro inédito.
"Índices das Cousas Mais Notáveis" organizado por Alcir Pégora [Ed. Hedra]. O livro contém anotações indexadas que o próprio Vieira acrescentava às edições de seus sermões. A mesma editora prepara "Defesa Parente o Santo Ofício", texto que o padre escreveu em sua defesa quando do Processo movido pelo Santo Ofício.

A Editora Loyola prepara para o segundo semestre "Os Sermões", edição completa em oito volumes.

"Os Autos do Processo de Vieira na Inquisição" [Ed. Adma Muhana /Edusp], é uma reedição dos autos do Processo. Também prometido para o segundo semestre.
EDITORIAS:
link da notíciaBy Equipe formasemeios, às 17:49  comentar

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