Revelando, imortalizando histórias e talentos
11.8.08

Arte Negra no Brasil do século XVIII

 
Por Francisco Martins

Durante a segregação racial os escravos buscaram na pintura a sua liberdade. A criatividade aliada ao talento amenizaria o sofrimento e imortalizaria muitos pintores negros.

 

A arte negra é uma das poucas que não sofreu interferência ao longo dos séculos XVIII e XIX. Manteve uma linguagem expressiva e única, uma arte impregnada de respeito a natureza e cheia de paixão pela vida. Apesar da maioria dos artistas negros terem como religião, o candomblé, eles souberam estabelecer sincretismo com a religião católica que era dominante. Foram muitas as obras realizadas por artistas negros em templos católicos e criaram obras repletas de detalhes sutis que valorizaram o conjunto pelo ineditismo. Até mesmo pela segregação e escravagismo sentidos na pele, os negros brasileiros herdaram todas as características da arte africana, que tem como princípio não retratar a realidade, mas sim construir imagens libertárias mais próxima do ideário. O negro africano que desembarcou no Brasil logo após o descobrimento, embora reprimido, não demorou para libertar sua arte no mais amplo sentido. Do século XVIII aos dias de hoje os artistas negros do Brasil exerceram sua arte contempladas nos mais variados temas como paisagens, natureza-morta, retratos e a religiosa. Vários foram os artistas da raça que deixaram seus traços nos tetos de templos católicos de quase todo o País.

Jesuíno Francisco de Paula Gusmão, paulista, exerceu sua arte entre Itu e a capital. Nasceu em 1.764 e morreria em 25 de março de 1.819, em Santos litoral paulista. Ficou mais conhecido como Frei Jesuíno do Monte Carmelo. Sua obra óleo sobre madeira do século XVIII ‘Ecce Homo’ o projetaria às artes plásticas. Praticamente não mais existem obras do frei pois muitas foram destruídas juntamente com as reformas das igrejas. A Igreja de Nossa Senhora do Carmo, em Itu, mantém afrescos feitos pelo frei.
 
 
O baiano José Teófilo de Jesus [1.758 /1.847], realizou ‘Anunciação’ um dos mais belos estudos já feitos para teto de uma igreja, a Igreja do Pilar. Estudou em Portugal, realizou painéis para várias igrejas nas cidades do Nordeste.

Só recentemente foi identificado que os afrescos ‘Bandeira de Procissão da Paixão de Cristo’, na mística cidade de São Tomé das Letras, Minas Gerais, e datada do século XVIII é de autoria do mineiro Joaquim Nepomuceno da Natividade. Não constam registros de nascimento ou morte do artista.

Veríssimo de Souza Freitas é mais um artista negro sem registro de nascimento e morte, mas deixou uma obra imortalizada ‘São João Nepomuceno’, óleo sobre tela do final do século XVIII. Muitas igrejas de Salvador –BA, são de sua autoria os afrescos.

A natureza-morta foi um tema bem desenvolvido pelos artistas negros entre eles Estevão Silva,1845 /1891. Carioca, foi pintor e professor, estudou na Academia Imperial de Belas Artes, RJ. É o artista mais consagrado como autor das mais belas naturezas-mortas do século XIX. Uma de suas obras mais admiradas é ‘Camarões’, óleo sobre tela de 1916.

Emanuel Hector Zamor, 1.840 / 1917 , baiano, pintor e cenógrafo que foi adotado por franceses, viveu em Paris e conviveu com a fina nata pictórica daquele país como por exemplo Paul Cézanne, Renoir e Monet. Suas obras são muito valorizadas devido a qualidade técnica e a escassez delas no mercado. Poucas foram salvas de um incêndio que destruiu seu acervo quase por completo. Sua obra ‘Crianças Negras’ foi o mais fiel retrato da raça relegada aos guetos.

Outro carioca, descendente direto de escravos Antônio Rafael Pinto Bandeira, 1863 / 1896, estudou e lecionou no Rio de Janeiro e em Salvador,BA. Suas paisagens e marinhas lhe deram o título de melhor do século XIX. O retrato ‘Feiticeira’, óleo sobre tela de 1890 é um dos mais belos realizados até os dias de hoje.

Dois irmãos negros tiveram os mesmos destinos na arte e na morte. João Timótheo da Costa, 1879/1932, carioca, iniciou-se na área pictórica desenhando na Casa da Moeda, e logo depois foi estudar na França. Pintou painéis para clubes de futebol, hotéis e prédios públicos do Rio de Janeiro. Uma de suas obras mais conceituada é ‘Barcos’, óleo sobre tela. Morreu louco, internado em um hospício carioca. Arthur Timótheo da Costa [1882/1922] foi inspiração para a carreira de seu irmão, João, que também começou sua como desenhista da Casa da Moeda, estudou na França, pintou murais e teve o mesmo destino, morreu louco no mesmo hospício que seu irmão. Deixou como legado uma maravilhosa obra ‘Estudo de Cabeça’, óleo sobre tela que mostra toda confusão mental dos irmãos Costa.

O paulista Octávio Ferreira de Araújo, nascido em 1926, estudou na França, na China e Rússia. Pintor, desenhista, ilustrador e artista gráfico. Também foi assistente de Cândido Portinari. Octávio Araújo era especialista em usar lápis grafite ou óleo. Pinta reflexões sobre o passado, sempre com cores fortes e muito simbolismo. Um bom exemplo é sua obra ‘Fantasia Onírica’ óleo sobre tela colada sobre madeira.

Ninguém foi mais autoral quanto o mestre Heitor dos Prazeres - 1898/1965. O pintor carioca teve de enveredar por outra arte, da composição musical, para poder desenvolver sua arte pictórica. Foi restaurador do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Suas músicas fizeram tanto sucesso quanto seus quadros, muitos deles adquiridos pela rainha Elizabeth, da Inglaterra. Sem dúvida é o maior nome brasileiro da arte Naif.
Wilson Tibério [1.923] gaúcho, pintor e escultor usava suportes diferenciados. Na condição de bolsista viajou ao Japão, Europa e África. Morou em Paris e expôs ao lado de Pablo Picasso em uma coletiva na Galerie Henry Tronchet. Sua obra mais conhecida é ‘Gabinet’, grafite e aquarela sobre papel, de 1945.

Muitos artistas plásticos negros de gerações mais recentes se destacam e mantém viva a herança pictórica. Entre os bons exemplos estão Sidnei Lizardo [1939]. Escultor, pintor sua obra tem muita atitude e negritude como o jogo de capoeira a sua inspiração maior. Yêdamaria [1936] pintora, ceramista e gravurista baiana, cujas obras encontram-se em importantes museus do mundo. Seus traços fortes aliados ao domínio da técnica dão ao seu trabalho um impacto surpreendente. A arte negra ganhou um aliado no país, o Museu Afro Brasil, em São Paulo, onde se pode apreciar obras dos principais artistas negros do País. Ou seja, a arte de um povo que revela através de um colorido expressivo a emoção da alma brasileira.

Museu Afro Brasil
http://www.museuafrobrasil.com.br/
[11] 5579-0593
 
EDITORIAS:
link da notíciaBy Equipe formasemeios, às 14:59  ver comentários (1) comentar

 
Viajar para mim é preciso, é uma das inspirações principais para o andamento dos meus registros fotográficos e ... faz bem para o meu ego.
 
 
O prazo de validade de uma viagem para outra é curto, curtíssimo. O prazer de fotografar é o contrário, longo e sempre renovado. Sem dúvida, a viagem é um elemento valioso no decorrer de minha caminhada fotográfica.


Após 4 dias da mais recente viagem que fiz a Santana de Pirapama-MG, novamente fui convocado a fazer outra viagem, dessa vez para Ouro Branco, Itatiaia e Congonhas, cidades mineiras, quais também já tinha fotografado. Pensei: bem que poderia ser outras cidades que não conheço... mas tudo bem, sem problemas. Concordei com os detalhes e acertos, a viagem seria para o dia 24/7/08. Conforme combinado, às 7h00 da matina estava eu de prontidão aguardando o casal (jornalistas) que seriam meus novos companheiros de viagem/trabalho e que me conduziriam a Ouro Branco e adjacências. Chegamos em Ouro Branco às 9h00 e fomos direto para prefeitura procurar a jovem senhora graça, como o nome diz, é uma graça de pessoa e ela seria a guia que nos conduziria a diversos lugares. Após fazer algumas fotos de vários pontos da cidade fomos ao encontro de uma personalidade local, Dona Jandira, na pequena Itatiaia. Chegamos lá por volta das 14h00, e para minha surpresa não imaginava que seríamos tão bem recebidos com tanta simpatia por aquela senhora cantora, uma alagoana esbanjando alegria e jovialidade aos 69 anos e habitando há mais de 20 anos nas terras mineiras.

Dona Jandira

Conhecer Dona Jandira, fotografá-la, bater um bom papo foi muito gratificante. Já a conhecia através de matérias suas nos jornais e televisão. Dona Jandira foi generosa com a entrevista concebida aos meus amigos profissionais. Cantou e mostrou seu CD que está em final de produção. Ela atendeu aos meus pedidos musicais e de tanto entusiasmo arrisquei-me a cantarolar com ela. O CD será lançado em Belo Horizonte, e prontamente nos convidou para o lançamento. Saímos em grupo (sem Dona Jandira) pela cidadezinha e fiz dezenas de fotos que preencheu minha alma. Realizei um bom trabalho com excelentes cliques de Dona Jandira e daquele lugar iluminado pela mãe natureza. Partimos com destino a Casa de Tiradentes, local de grande importância na cultura e história de Minas Gerais e do nosso país.

Encontro com Nierson

A noite caia, e precisávamos retornar para Ouro Branco. Fomos para o hotel onde pernoitaríamos. Jantamos e fomos assistir um grande espetáculo de música, dança e arte circense em praça pública, show esse que fazia parte do evento Festival de Inverno. Estávamos bem assessorados pelo pessoal da prefeitura; escritores da região e pela sorridente Graça e o grande humorista Edísio Rufino Torres que ‘incorpora’ o personagem Nierson da Caratinga (isso mesmo!). Após o término do show fomos a uma pizzaria de propriedade de Edisio que não deixou nada a desejar em matéria de atendimento e das deliciosas pizzas, as quais saboreamos acompanhadas de cervejas. Na hora lembrei-me da também querida São Paulo, bairro Bixiga. Saímos de lá mais de meia-noite direto para os aposentos.

Bom clique; boa comida

O dia amanheceu radiante, e como de costume o meu entusiasmo para fotografar, sempre a flor da pele. Saímos em busca de um hotel fazenda de procedimento histórico. Chegando lá deparei-me com um belo lago onde refletia um bonito casarão nas suas águas límpidas e "azuis". Lá fiz dezenas de fotos e também fui fotografado pela Graça que revelou-se uma boa fotógrafa (também com um "modelo " desse aqui... risos). Não me contive e fiz fotos de todos os cantos e lados, ângulos. Também, um lugar daqueles com todo o esplendor da natureza... não era para menos. Saímos de lá com destino ao cento de Ouro Branco para "pegarmos" um almoço bem mineiro e nada maneiro. Após o almoço fizemos novos contatos profissionais na prefeitura e quando menos esperávamos surge Dona Jandira que veio cuidar dos acertos com relação ao lançamento do seu disco.

O ambiente de trabalho estava bem agitado e cheio de mistério... era o aniversário de uma funcionária (ficamos sabendo em segredo), e o pessoal estava programando uma festa surpresa para a aniversariante e fomos convidados a participar. Nem precisa dizer que foi ótimo. Dona Jandira cantou acompanhada de um músico e seu violão e um som de parabéns prá você, claro! um bolo regado a refrigerantes completava a festa com direito a doces e salgados, também. Não ficamos até o final pois teríamos que retornar a nosso destino de origem e que não deu tempo de irmos a Congonhas, ficaria para outra ocasião. Deixamos Ouro Branco bem no final da tarde acompanhados por um belíssimo pôr-do-sol, Deus e nosso Senhor. Retornamos ao nosso ponto de partida, Sete Lagoas, às 19h30; fizemos uma boa viagem com bons resultados e boas lembranças. Agora... aguardar a próxima viagem, e que seja bem próximo.
 
{Relatos de viagens e aventuras do fotografo viajante Maurício Cardim pelas terras mineiras}
 Leiam mais sobre o roteiro de viagens de Maurício Cardim aqui EDITORIAS: cardim - viajante
EDITORIAS:
link da notíciaBy Equipe formasemeios, às 14:59  comentar

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