Revelando, imortalizando histórias e talentos
9.10.08

Nadir Figueiredo: clássico capitão de indústria

 
Ele foi senhor absoluto dos bastidores da vida industrial e figura-chave no século XX, temperado pelo grande estrategista político que fora.
 

Nascido de família muito modesta na cidade de São João Del Rey, Minas Gerais, em 1891, ele soube transformar todos os seus sonhos em realidades. Sua primeira empresa constituída foi uma oficina de máquina de escrever, em 1912, no Largo do Tesouro, centro de São Paulo. Daí para frente, todos os seus empreendimentos não pararam de crescer, assim como sua influência política. Durante seis décadas ele foi o líder máximo dos industriais brasileiros, especificamente, de São Paulo. Senhor absoluto dos bastidores da vida empresarial brasileira e figura central na aventura industrial que o país viveu no início do século XX. No final do século XX ele liderou o movimento de fortalecimento da indústria, e, juntamente com Roberto Simonsen, formaram a fundação o Centro, que mais tarde resultaria na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. Atuava como um capitão da indústria. Durante sua vida ele elegeu todos os presidentes da Fiesp, mas nunca aceitou um cargo para si. Elegeu Roberto Simonsen, Mário Amato, Theobaldo de Nigris. Como tudo tem começo meio e fim, o título que ostentava desde 1957 como líder número 1 sofreria sua primeira derrota na Fiesp, em 1980, quando não conseguiu reeleger De Nigris.

 
 

 
Ativista político

 
Viveu intensamente o ativismo político. Em 1964, Quando o então presidente João Goulart proferiu o célebre discurso na Central do Brasil, Rio de Janeiro, no dia 13 de março de 1964, Nadir Dias de Figueiredo sentiu-se perturbado. O país concordava com ele, pois o país estava deslizando para o caos. Nadir tentou uma conciliação, convocou a Fiesp, o ex-presidente Juscelino Kubitscheck na tentativa de convencer João Goulart de que o País fosse para o buraco. Juscelino respondeu aos empresários de que seria impossível visto que Jango já tinha o apoio dos comandos militares juntamente a sustentação de sargentos e tenentes. ' Não resta outra coisa a não ser derrubar o governo e evitar o desastre do país' disse Nadir após ouvir a resposta de Juscelino. Nas primeiras 48 horas de abril de 1964, os industriais distribuíram 2 milhões de cruzeiros em equipamentos às forças rebeldes, tudo isso sob o olhar clínico de Nadir Figueiredo.

O industrial já tinha experiência adquirida na Revolução Constitucionalista de 1932, quando esteve envolvido. A experiência ao liderar a mobilização industrial em favor do movimento, serviu-lhe para o papel idêntico desenvolvido em 1964.Durante muitos anos foi líder absoluto. Até a data de seu falecimento era dono do maior complexo nacional produtor de vidros, a Nadir Figueiredo S.A., com oito indústrias espalhadas pelo Brasil. Nadir Dias de Figueiredo morreu em 10 de abril de 1983, aos 91 anos.
 
link da notíciaBy Equipe formasemeios, às 14:49  comentar

"Eliseu Visconti: Arte e Design"
 
Exposição "Eliseu Visconti: Arte e Design" com um dos mais representativos pintores no país, estréia dia de outubro e segue até 7 de dezembro.
 
São 130 obras do pintor com destaque para seu pioneirismo como designer e artista gráfico. Podem ser vistos também 22 estudos preliminares do pano de boca do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, pintado pelo artista quando residia em Paris entre os anos 1906 e 1907. No mesmo período, Eliseu Visconti pintou o teto sobre a platéia e, em 1915, concluiria os trabalhos de decoração do teatro, realizando as pinturas do teto do foyer.
A exposição dá grande destaque também para os selos e os cartazes elaborados por ele. Em seus trabalhos de ilustrador de selos, que tinha como destaque sempre a mulher como modelo. Visconti foi um grande divulgador do Brasil no exterior. Ele retratou os fatos mais significativos da história do país e sempre homenageando as artes, a indústria, o comércio, a aeronáutica e o setor energético.

Eliseu iniciou seus estudos no ano de 1883, no Liceu de Artes e Ofícios, do Rio de Janeiro. Em 1886, como aluno da Imperial Academia de Belas Artes, concluiu sua formação artística que, aliada ao seu gênero inquieto, surgiu um dos artistas de personalidade renovadora. [Notícias relacionadas > http://agenciafm.blogspot.com/2008/10/eliseu-visconti.html#links


Eliseu Visconti: Arte e Design
De 4/10 a 7/12
Pinacoteca do Estado
Praça da Luz, 2 – Luz
Tel.: (11) 3229-9844
Terça a domingo das 10h00 às 18h00
Entrada R$ 4 / meia-entrada
Grátis aos sábados

EDITORIAS:
link da notíciaBy Equipe formasemeios, às 14:48  comentar

Padre José Maurício: o Brasil não ouve

José Maurício Nunes Garcia foi o maior músico brasileiro, antes de Carlos Gomes, e isso não significa que esteja aquém de Gomes ou de Villa-Lobos.
 

Este padre negro não muito ortodoxo fez muita música de qualidade. Se é que pode-se falar dessa forma com um padre, ele fez tanta música quanto desejaria fazer filhos, cinco ao total. Sua história é bem conhecida, mas uma coisa é certa: nunca recebeu as honras merecidas como mestre inconteste. E isso já vem desde o tempo do Império. Sem Padre Maurício, muito provavelmente a música brasileira permanecesse apenas como uma das inúmeras regentes no País. Na década de 1940 surgiu um certo nacionalismo que marcaria a música brasileira, e foi aí que o trabalho dele começou a sair do arquivo morto, tanto no Brasil quanto Portugal; de Mariana,MG, a Rio Pardo /RS. O padre foi muito influenciado por Haydn e Mozart e outros do século XVIII e XIX. Visconde de Taunay já havia citado-o, assim como Francisco Manuel da Silva [autor do Hino Nacional e aluno do padre]. Sigismund Neukomm, que aqui aportou com a Família Real [Dom João VI], rendeu elogios ao padre compositor. Outro que o citou foi Manuel de Araújo Porto Alegre, um ex-aluno que disse; ‘Padre José Maurício era um compositor completo. Também compôs muitas modinhas e estão perdidas nos arquivos do mundo’. Um excelente organista, era acostumado aos aplausos, e quando Dom João VI chegou ao Brasil pôde aplaudir um artesão musical tão bom quanto os da Europa. Isso rendera-lhe uma nomeação de 'Mestre da Capela Real'.

Salários atrasados
O padre herdou o gosto musical de seu pai, Scarlatti, um professor de uma princesa da Família Real. Ele teria tudo para se arranjar junto à corte. Mas, se na Europa, muitos músicos lutavam para sair da condição de empregado, não seria ele ainda no Brasil, na Corte portuguesa já comprometida com o colonialismo inglês que seria diferente. Quando Dom João VI voltou para Portugal, o Brasil se tornou independente de Portugal mas não da Inglaterra. Um colega muito próximo do padre, em 1911, o português Marcos Portugal passaria a morar no Brasil e, juntos, sofreram as agruras por viverem em um país endividado. O não pagamento de seus salários por Dom Pedro I, fez tanto Marcos Portugal quanto o padre José Maurício solicitar através de memorando que lhes pagassem em dia.

Oto Lara Resende negou apoio
Seu talento poderia ser comprovado apenas em 'Missa de Réquiem' encenada mais recentemente em 1980 pela Sinfônica Estadual do Rio de Janeiro. Como regente, foi ele quem apresentou a primeira audição da peça de Mozart 'Réquiem', 1819. Era muito exigente com seus alunos, os faziam tocar e cantar 'Staba Mater' e Pièces of Resistance' e as 'Estações' de Haydan. Mas isso mostrava apenas ser um homem atualizado. Mas, ele foi acima de tudo um músico bastante original. 'Ofício para Defunto' escrito em 1816, é uma obra grandiosa para coro, orquestra e clarinetes e foi pouquíssimo executado. Segundo Taunay, a peça foi escrita para exéquias [funeral] de D. Maria I, a mãe de Dom Pedro e também para a própria mãe. Ainda segundo escritos de Taunay, teria sido escrita entre lágrimas. 'Ulisséia' uma outra obra de sua autoria foi encomendada para uma batalha que nunca existiu: a vitória do exército português contra as tropas de Napoleão. A peça foi levada para Portugal, e descoberta quando da elaboração de uma biografia do padre, por Cleofe Person de Matos, a obra encontrava-se em Vila Viçosa, perto de Évora local de veraneio dos Bragança. José Maurício não foi aquilo que se pode chamar de nacionalista, flertou muito com a música européia, mas quando a biografa procurou a embaixada brasileira em Lisboa, para obter documentação em áudio, o então embaixador Oto Lara Resende não dificultou como negou-lhe às informações. Tratando-se de Brasil, nada muito relevante foi feito em sua homenagem. Consta uma outra biografia, esta feita por seu filho, o médico José Maurício Nunes Garcia Júnior. No ano do sesquicentenário, em 1980, a Funarte encomendou vários trabalhos sobre o padre, que faleceu em 1828: na miséria e de uma espécie de esclerose que o impedia de conhecer até o que havia composto. O padre nasceu no Rio de Janeiro, em 22 de setembro de 1767, e faleceu também no Rio, em 18 de abril de 1830.  [Formas&Meios – formasemeio@ig.com.br ]
 

#Reportagem original de Francisco Martins, publicada na versão impressa de www.boston.com  de domingo 12 de outubro.

EDITORIAS:
link da notíciaBy Equipe formasemeios, às 14:47  comentar

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