Revelando, imortalizando histórias e talentos
8.7.09

Jacques Klein: Sonata do Adeus

A história do pianista mais famoso do Brasil é conhecida: nascido no Ceará, recebeu uma educação musical rotineira, o suficiente para não gostar da música. Só mais tarde indo ao cinema por acaso ouviu como música de fundo o concerto número 2 de Rachmaninov. E aí largou tudo, voltou a estudar piano. Jacques foi estudar em Viena - Austria, e após dois anos de estudos ganhou o primeiro prêmio do Concurso Internacional de Genebra. Porém, Jacques sentia um forte apelo pelas formas populares de expresão musical como o jazz.
 
 
Não era masoquista nem apressado: deixou que a música fecundasse nele, o instrumentista perfeito que soube escolher por eliminação os seus caminhos. Jacques condenava o estusiasmo pela música barroca, considerando-a excelente "para descançar". Descançar de que? Da verdadeira música que ele cada vez mais sentia o sombrio território dos sons -metalinguagem do homem. O rapaz cearense tornou-se conhecido pelo repertório de circunstância, mas para si mesmo reservava o melhor: não foi à toa que, nos últimos anos, mais e mais ele se voltava para a música de câmara.
E foi assim uma verdadeira carreira, mais do que de sucesso, que lhe vinha sempre porque entre outras coisas tinha feeling do artista popular. Sabia quando atingia aquele ponto que incendiava a platéia. Foi assim que formou com Salvatore Accardo um duo que rodou o mundo, não era mais o Klein do Concerto nº 1 de Tchaikovski, nem mesmo o Jacques Klein do repertório pianístico tradicional: era o músico de câmara que sabia o que deixara para trás, que soubera escolher a melhor parte. Estranhamente - é o que todos se perguntam agora - não deixou quase nada gravado. Comercialmente, apenas um disco com as duas peças que o marcaram nas platéias mais heterogêneas: Tchaikovski e Rachmaninov.
Ele próprio e alguns amigos mais íntimos guardavam fitas com alguns de seus concertos . Jacques Klein não acreditava no sucesso. Temporalmente, ele conseguira tudo o que desejara, mas sabia que a música, tal qual ele a amava, não podia ser patrimônio genérico, de todos. Nunca recusou tocar em concertos de massa, desses que acreditam na ampliação dos clássicos. Ele sabia que a abertura 1812, a protofonia do Guarani, o própio Concerto nº 1 de Tchaikovski poderiam encher dois, tres programas básicos, mas não preparariam a massa para os degraus de cima. Ele jamais deixaria de tocar para multidões que se reuniam ao ar livre. Klein, tinha da música, um sentimento íntimo para grandes platéias. Grande amigo de Isaac Karabtchewsky conversavam muito sobre esse assunto e jamais chegariam a um acordo. Com a doença, exacerbou nele, a grande descoberta da música, o seu compromisso de artista e a sua trajetória de homem. De Jacques Klein para cá surgiu uma geração de novos intérpretes que ganharam o mundo: Nélson Freire, Roberto Szidon, Artur Moreira Lima. Como intérprete do piano, foi dos mais dedicados. E, ao sentir a proximidade do fim, foi no sombrio universo da música que ele buscou a coragem e a força para sua realização de homem - acima e além da sua circunstância de artista. Jacques Klein Faleceu no dia 6 de novembro de 1982.
 
 

Luiz Gonzaga: rei do baião

Luiz Gonzaga do Nascimento nasceu em 13 de dezembro de 1912 na fazenda Caiçara, no sopé da Serra de Araripe, sertão pernambucano.


Ficou conhecido como o ‘rei do baião’. Durante sua carreira fez uma homenagem ao seu ‘torrão natal’ "Pé de Serra", uma de suas primeiras composições. Filho de Januário, um trabalhador braçal que nas horas vagas concertava e tocava acordeão. Foi com ele que Luiz Gonzaga aprendeu a tocá-lo. Quando adolescente já se apresentar em bailes, forrós e feiras juntamente com o pai. Luiz “lua” Gonzaga foi um autêntico representante da cultura nordestina, a qual se manteve fiel mesmo tendo de seguir carreira musical no sul do País, onde ficou consagrado com o gênero baião. Teve parceiros importantes como o advogado cearense Humberto Teixeira, com a canção emblemática Asa Branca, de 1947.

Próximo de completar dezoito anos apaixonou-se por Nazarena, uma moça da região e o namoro fora repelido pelo pai da moça, coronel Raimundo Deolindo, que ameaçou-o de morte. Gonzaga recebeu de seu pai Januário uma boa surra. Revoltado, Luiz Gonzaga fugiu de casa e ingressou no exército em Crato, Ceará. A partir dali, durante nove anos ele viajou por vários estados brasileiros, como soldado.

Em Juiz de Fora, Minas Gerais, conheceu Domingos Ambrósio, também soldado que era bem conhecido na sua região pela sua habilidade como acordeonista. Dele, recebeu importantes lições musicais. No ano de 1933, deixou o Exército no Rio de Janeiro, decidido a se dedicar à música. Lá, ele atuava como solista, e começou por tocar na zona do meretrício. O repertório era basicamente composto de músicas estrangeiras que apresentava, sem sucesso, em programas de calouros, tendo sido aplaudido de pé no programa de Ary Barroso quando executou Vira e Mexe - primeira música que gravou em 78 rpm. Veio daí a sua primeira contratação, pela Rádio Nacional. Em 11 de abril de 1945, gravou sua primeira música como cantor, no estúdio da RCA Victor, a Mazurca Dança Mariquinha, uma parceria com Saulo Augusto Oliveira.

Casamentos

No ano de 1945, a cantora Odaléia Guedes, deu a luz o primeiro filho Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, o Gonzaguinha, que foi criado pelos padrinhos. Em 1948, casou-se com a pernambucana Helena Cavalcanti, uma professora, que exercia função de sua secretária particular. O casal viveu junto até perto do fim da vida de "Lua", com teve uma filha, Rosinha. O cantor sofria de osteoporose, morreu vitimado de parada cárdio-respiratória no Hospital Santa Joana, na capital pernambucana, em 2 de agosto de 1989.

Alguns sucessos

Dança da moda, Luiz Gonzaga e Zé Dantas, 1930
A feira de Caruaru, Onildo Almeida, 1957,
A letra I, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1953)
A morte do vaqueiro, Luiz Gonzaga e Nelson Barbalho (1963)

A triste partida, Patativa do Assaré (1964)
A vida do viajante, Hervé Cordovil e Luiz Gonzaga (1953)
Acauã, Zé Dantas (1952)
Adeus, Iracema, Zé Dantas (1962)
Á-bê-cê do sertão, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1953)
Adeus, Pernambuco, Hervé Cordovil e Manezinho Araújo (1952)

Algodão, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1953)
Amanhã eu vou, Beduíno e Luiz Gonzaga (1951)
Amor da minha vida, Benil Santos e Raul Sampaio (1960)

Riacho do Navio, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1955)
Sabiá, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1951)


Sanfona do povo, Luiz Gonzaga e Luiz Guimarães (1964)
Sanfoneiro Zé Tatu, Onildo Almeida (1962)
São-joão na roça, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1952)
Siri jogando bola, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1956)
Vem, morena, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1950)
Vira-e-mexe, Luiz Gonzaga (1941)


Xanduzinha, Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga (1950)
Xote dos cabeludos, José Clementino e Luiz Gonzaga (1967)

 

EDITORIAS:
link da notíciaBy Equipe formasemeios, às 03:55  comentar

 

Ler a coluna “Noite na Música” escrita pelo fotojornalista Maurício Cardim, é beber em uma fonte cultural. Através dela desfilam os maiores intérpretes e compositores do País. Nomes como Joelmah, Nilton César, Léo Jaime e outros.


"Saudade de Você". Uma linda canção com versos em
português e japonês. Gravada por Martha Mendonça
nos anos 1960.Tive o prazer de fotografar a Martha nos bastidores do saudoso Bolinha, numa peça em São Paulo onde a cantora Claudia fazia o seu papel e na SOCINPRO ao lado de outros grandes nomes da música.Treco> "Assim a noite vai/e a saudade como sempre ficou/lágrimas vem/ tristeza em mim e esta saudade que é de você meu bem".
>
"Vem Chegando a Madrugada". Gravação de Jair Rodrigues
(1966) e que alcanço muito sucesso. Edith Veiga regravou.
Admiro muito o bom humor do Jair Rodrigues, é verdadeiro.
Conheço-o nos bastidores, além do grande cantor que é.
Trecho> "Deixa dormir em paz/que uma noite não é nada/não acorde meu amor/sereno da madrugada".
>

 

"Silêncio". Composição de Sérgio Odilon e gravação de Joelmah num compacto simples de 1966. A Joelmah até o momento foi a cantora que mais fotografei, há mais de 20 anos ela está "sob meu olhar, nas minhas lentes". Grande cantora e minha amiga. Trecho> "Silêncio pela noite acordada/já não sinto mais nada a não ser a solidão/tristeza..."{Cardim e Joelmah - foto acervo do fotógrafo}
>
"Felicidade". Gravação e sucesso nos anos 1970 do Nilton
César. Fotografei muito o Nilton César no meu inicio de
carreira, ele tinha e tem um fã clube fiel. Fiz amizades com as componentes do fã clube e até fotografei um casamento de uma delas, a Delma, e ele foi um dos padrinhos.
Treco> "Felicidade é ter você com mais amor e saber que a noite é nossa para amar/se Deus me ouvisse eu pediria um favor/pra nossa noite nunca, nunca terminar..."

{Nilton César, Jair Rodrigues, Martha Mendonça e Joelmah - {Foto por Maurício Cardim}.

 

 

EDITORIAS:
link da notíciaBy Equipe formasemeios, às 03:53  comentar

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