Revelando, imortalizando histórias e talentos
24.8.09

"Preciso confessar-lhe uma coisa ! Eu sou homem ! Não faz mal ... Ninguém é perfeito ! De

Em todas as partes do mundo Berlim, Paris, Roma, Londres uma visita aos locais com shows de travestis é quase imperativo como ao Chez Madame Arthur, também acontece no famoso Howdy Club, em Greenwich Village, bairro boêmio de Nova Iorque. Mas nem sempre foi assim. A arte de travesti se perpetuou com Coccinelle, que após um tratamento especial e intervenções cirúrgicas se transforma em autêntica mulher. Um dos pontos altos do filme de Lucchino Visconti "Os Deuses Malditos", é o travesti alemão Helmut Berger, onde ele imita Marlene Dietrich na canção " O Anjo Azul". A verdade é que nada é mais clássico do que o travesti no teatro e no cinema. No teatro, então, não existira como forma de cultura e de recreação popular. De lá para cá nada existe de novo sob o sol.

Para entendermos melhor a clássica arte do travesti precisa-se voltar no tempo, melhor na Grécia Antiga, onde tudo começou. Segundo historiadores nada de novo existe sob o sol quanto ao assunto. Pois no teatro Grego aproximadamente há dois mil anos antes de Cristo já era assim. As mulheres gregas não participavam das representações. O elenco era formado principalmente de escravos que eram treinados para a declamação. Nessa época, alguns homens travestiam-se para interpretar personagens clássicos como Ifigênia, Medéia ou Electra. A arte do travesti acontecia nas tragédias de Esquilo, Aristóteles e de Eurípedes. Para interpretar as heroínas os marmanjos especializados em trejeitos e emissão de vozes femininas eram os requisitados. O mesmo acontecia na Roma Antiga, onde raramente alguma mulher ousava pisar em um palco de teatro. Quando isso acontecia, eram requisitadas as prostitutas mais escandalosas, pois nem mesmo as prostitutas discretas ousavam exercer a profissão, imaginem as mulheres denominadas honestas.

O tempo seguia, e ainda no começo da Idade Média, continuavam os homens a interpretar papéis femininos em todas as peças de teatro. Somente em meados da Idade Média, surgiriam as primeiras mulheres nos palcos, mas, em grupos de amadores jamais em caráter profissional. Em plena Renascença, o teatro Inglês continuava blindado quanto participação de mulheres no teatro. Na Inglaterra, até os homens que exerciam à profissão de ator eram vistos sob suspeição. Eram perseguidos, para evitarem a perseguição seria preciso o ator obter uma tutela de criado de um rei, duque, cardeal. Vestindo-se obrigatoriamente da farda {Librè} cedida pelas ilustres casas poderiam transitar pelo país sem perseguição. Eles eram chamados de "King's Players, Artista do Rei, tudo isso no período de Elizabeth I., dos Lord Chamberlain e de Lord Cobham e do Marquês de Exeter, e mais tarde do Cardeal Morton, em cuja companhia, uma vez ou outra, representava o jovem Thomas More que mais tarde seria canonizado. As peças de Shakespeare eram todos encenadas com elenco masculino. A Julieta era sempre feita por rapazinhos ainda imberbe, sem pelos. Já Desdêmona por quem Otelo morria de ciúmes, era interpretada por um belo rapagão de barba bem escanhoada para ser estrangulado na cama.


Travesti, não caricata

Nem sempre o travesti agradava a todos. Até situações hilariantes como um cônego de Notre-Damme , Petit de Montempuys, 60 anos, que queria assistir uma peça mas não queria ser visto na condição de sacerdote, então, vestiu-se de mulher. Não convenceu, fora reconhecido por um policial que o levou à intendência de M.Hérault. O cônego foi castigado por decisão real com internamentos forçados na clausura de província. Outro caso crônico de travesti é do cavaleiro d'Eon, de quem se ocuparam Voltaire e outros autores. Nascido em 5 de outubro de 1728, em Tonnere, limites com Borgonha, recebeu nome de batismo Charles-Geneviève Deon de Beaumont. Seu prenome, masculino e feminino apontavam para uma vida dupla que levaria, em princípio como homem e depois como mulher. Serviu ao exército francês chegando ao posto de Cavaleiro d'Eon. Passou em seguida se vestir de mulher. Fazia-se passar por uma sua irmã adotou o nome de Lia de Beaumont e depois Mademoiselle d'Eon. Como na época todas as mulheres usavam cabeleira postiça, o Cavaleiro d'Eon, também se passou por uma bela senhorita. Porém, para alguns ele não passava de um espião de Luis XV, que também teria sido um dos seus cortejadores durante um baile na casa do Duque de Nivernais.

Após ser banida da corte francesa, terminou seus dias na Inglaterra, vivendo na casa de uma boa amiga, Mary Cole, a Meads Place, n* 5. Ele [ela] viria a morrer devido ferimentos durante um assalto. A autópsia feita pelo cirurgião Thomas Copeland, na rua Wilman Street, em 23 de maio de 1810 "fiz autópsia no Cavaleiro d'Eon e encontrei seus órgãos masculinos da geração perfeitos formados em todo os aspectos", declarou Copeland. Um almirante que acompanhou a família real portuguesa ao Brasil também declarou " Conheci o Cavaleiro d'Eon vestida de mulher e depois de ter visto seu corpo após morte, atesto que esse corpo possui tudo o que caracteriza um corpo de homem sem nenhuma mistura de sexo. É inegável que o cavaleiro d'Eon foi o verdadeiro gênio do travesti” disse.

No Brasil, o Astolfo, Rogéria, seria em tese a reencarnação do Cavaleiro d’Eon. Sem alteração em seus órgãos sexuais, é uma unanimidade nos palcos brasileiros, mais especificamente do Rio de Janeiro, com trânsito livre em programas de TV’s.

Mulher travesti

Também é comum mulheres se vestir de homem. O maior exemplo foi Joana D'Arc; Mary Read. Essa última, uma inglesa, comandou um navio pirata nas Antilhas, por quem Ann Bonny se apaixonou deixando-a de amar após a brava Mary lhe dizer "também sou mulher". No Nordeste brasileiro, Maria Quitéria foi um outro exemplo. Na Guerra da Independência, e a cearense, Jovita, na Guerra do Paraguai. Após ter sua identidade descoberta, Dom Pedro mandou excluí-la das fileiras no Rio de Janeiro. Uma vez expulsa, ela se apaixonou por um engenheiro inglês, das Obra Improviment, quando ele retornou para Londres, Jovita cometeu suicídio. Aurore Dudevant, era uma francesa que habitualmente se vestia de homem. Fez nome no passado como escritor Georges Sand, teve vários amantes, era dominadora e escolhia suas presas "os homens' frágeis e doentios como Fréderic Chopin, Alfred de Musset.

Travesti nas telas

É na tela onde o gênero se perpetua. A Rainha Cristina, Augusta-Alexandra, da Suécia, vivida por Greta Garbo no cinema, após sua abdicação do trono em 1654, tomou de paixão pelas roupas masculinas, vestia-se com um longo casaco masculino bem justo ao corpo; sapatos e perucas masculinas. Muitas atrizes revelam vontade de aparecer em trajes masculinos. Por exemplo o papel de Cherubim, em O Casamento de Fígaro, mais os papéis Czarevitch , de Boris Gondnov e O cavaleiro da Rosa, são cantados por mulheres, cuja graça repousa em um travesti. Lon Chaney, ator do cinema silencioso, sua característica era se vestir de mulher, uma velha perfeita. Alec Guiness também fez sua aparição travestido de mulher.

Price, um ator inglês viveu uma mulher em Oito Vítimas, onde fazia as oito personagens sendo uma delas mulher. Nada foi tão hilário e comovente quanto Tony Curtis e Jack Lemmon, que fizeram dois travestis memoráveis em ‘Quanto Mais Quente Melhor’. Joe E.Brown {boca grande apelido do ator] ,no filme de Billy Wilder queria se casar a qualquer custo com Jack Lemmon. O filme terminava assim " Preciso confessar uma coisa: sou homem! Não faz mal... ninguém é perfeito !

Outro ponto alto do cinema foi o filme Tootsie. Em Tootsie, Dustin Hofmann interpreta um ator sem sorte que precisa mudar de sexo para ganhar um papel em uma novela com tema familiar. Ele interpretava uma enfermeira, mulher de meia idade. O carisma do travesti fez com que um tradicional fazendeiro, interpretado pelo ótimo Charles Durning, caiesse de amores por Tootsie.

Tanto na telona quanto no teatro, Julie Andrews viveu Victor ou Victoria. A peça foi uma das maiores bilheterias de todos os tempos na Broadway. Victor ou Victoria, levava ao desespero passional o ator Michael Nouri.

No programa de Flávio Cavalcanti, um travesti japonês, um nissei, conseguiu prêmio no concurso ‘ A Mais Bela Japonesinha’, depois de vencer o concurso ela foi atuar em boates de Belo Horizonte, onde passou a ser tremendamente assediado por autoridades, políticos e fazendeiros.

Ainda no Brasil, Ektor Irajá, foi celebrado como travesti de Sofia Loren. Até se parecia fisicamente com a deusa italiana. Ektor mudou-se para Inglaterra,e lá também trocou de profissão, tornando-se famoso como um grande da alta costura.

Shakespeare, Beckett

Martins Pena colocou em seus textos homens disfarçados de mulheres para melhor aproveitar as qualidades historiônicas do ator português Vitor Porfírio de Borja. Mas alguns escritos para homens foram interpretados por mulheres também. Por exemplo Sarah Bernhardt interpretou o travesti em Hamlet, fez o Duque de Reichstadt {filho de Napoleão I}; interpretou também L'Aiglon {filhoete de águia} de Edmond Rostand, fez o papel de Lourenço de Médicis, em Lorenzaccio, de Alfred de Musset. A peça de Jules Renand ‘O Paiol de Carotte’ [Cabelo cor de Cenoura], cujo papel de um menino fora primeiro vivido pela atriz Berthe Bovy, na Inglaterra. Já no Brasil, a mesma peça com título de Pinga-Fogo, foi vivido pela atriz paulistana Cacilda Becker. Vale ressaltar que ela morreu representando um papel masculino, um dos vagabundos de Esperando Godot, de Samuel Beckett. Algumas peças de Shakespeare o travesti é obrigatório como ‘Noite de Reis’, onde Viola se apresenta no primeiro ato. Mais recentemente, o caricaturista Coppi, em versão livre sobre Evita Péron, o papel da heroína argentina foi interpretado por um especialista em travestis, e a peça viajou de Buenos Aires aos palcos de Paris, França.

Mulheres no teatro, Europa

No final da Renascença foi quando as mulheres começaram a surgir para o teatro profissional. A Itália seria precursora. A primeira italiana a alcançar fama no palco de um teatro foi Isabella Andreini, de 1562 a 1604, morreu jovem, aos 42 anos. Porém, até o final do século XVIII, na Itália ainda existiam homens especialistas em papéis femininos. Quase na mesma época, surgiria a francesa Marie Vênier, que atuou no teatro entre 1590 e 1619, primeiro na Feira de Saint German, em seguida, no Hotel d' Argent e finalmente na companhia do Hotel de Bourgogne. Enquanto isso, o palco inglês continuava fechado ás mulheres. Somente na metade do século dezessete, logo após a restauração da monarquia seguida da revolução de Oliver Cromwell, seria possível a primeira mulher subir ao palco no papel de Desdêmona, em 8 de dezembro de 1660. Porem, a pioneira inglesa preferiu se manter anônima. Mas ela abriu caminho para atrizes Inglesas. Contando com a simpatia do Rei Charles II, um certo dia agoniado pelo atraso de uma peça pediu que seu imediato descobrisse tal atraso. " Majestade, o diretor da peça pede desculpas, mas a rainha da tragédia ainda não acabou de fazer a barba". Assim, ainda em seu reinado seria iniciado a queda do preconceito contra as mulheres no palco.

A maior colaboradora foi Eleonor Gwynn que ficou famosa no teatro inglês por Nell Gwynn ou Swett Nell {a doce Nell}. Nell era da plebe rude, e desde cedo começou a trabalhar como vendedora de frutas à porta do Teatro Drury Lane. Com ajuda de um diretor de cena, Charles Heart, ela estreou aos 15 anos em um dos papéis de The Indian Emperor, 1665. Tinha a comédia na veia, e seu melhor papel foi Florimel, em The Secret Love, de John Dryden, em 1669. Quando o Rei Charles II a viu recitar a peça Tyrannic Love, ficou apaixonado, e logo ela se tornou amante do rei. No mesmo ano, após aparecer como Almahide, amada de Almanzon, e a Conquista de Granada, abandonou de uma vez por toda o teatro pois os ciúmes do soberano não mais lhe permitia receber homenagens de outros homens.

Depois de Nell Gwynn, outras grandes atrizes surgiram na Inglaterra como Elizabeth Berry, a primeira a interpretar as comédias de Congreve e de Ottway. Berry nasceu em 1658, e faleceu em 1713. Outra grande dos palcos foi Anne Bracegirdle, ficou conhecida por sua interpretação em Escola de Escândalo. Nascida em 1663 e desaparecida em 1748. Anne Oldfiled ou Nance Oldfield, nasceu em 1683 e desapareceu em 1730. Assim, consolida-se a presença de mulheres nos palcos ingleses. Na Alemanha, seguindo a tendência européia, no mesmo século surgia a primeira atriz, Caroline Neuber. Matéria publicada em www.boston.com , versão impressa de domingo 16/08 2009  {Francisco Martins}

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Neandertais conviveram com humanos modernos

 

Humanos modernos podem ter assassinado Neandertal há mais de 50 mil anos

Uma pesquisa da Universidade de Duke, da cidade de Durham, no Estado americano da Carolina do Norte, indica que um homem de Neandertal pode ter sido morto por humanos modernos em um confronto ocorrido há mais de 50 mil anos.O estudo poderia indicar que os humanos modernos podem ter colaborado para provocar o desaparecimento dos neandertais. Os pesquisadores analisaram o esqueleto de um neandertal chamado pelos cientistas de Shanidar 3 - um dos nove neandertais descobertos entre 1953 e 1960 em uma caverna no nordeste do Iraque. Ele foi morto há entre 50 mil e 75 mil anos quando tinha entre 40 e 50 anos de idade. Neste esqueleto foi identificado um ferimento profundo que atingiu uma das costelas no lado esquerdo. Segundo os pesquisadores, este ferimento poderia ter sido causado por uma lança de um tipo usado pelos humanos modernos, mas não por homens de Neandertal. "O que temos é um ferimento na costela com uma série de possíveis explicações", afirmou Steven Churchill, professor associado de antropologia evolucionária na Universidade de Duke. "Não estamos sugerindo que ocorreu um ataque relâmpago, com humanos modernos marchando pela terra e executando homens de Neandertal", acrescentou. "Acreditamos que a melhor explicação para este ferimento é uma arma que pode ser lançada e, levando em conta os que tinham esta arma e os que não tinham, isto implica em pelo menos em um ato de agressão entre as espécies."Na pesquisa, Churchill e seus colegas usaram um arco e flecha especialmente calibrados, cópias de antigas pontas de lança feitas de pedra e várias carcaças de animais para chegar a esta conclusão. O estudo foi divulgado pela publicação científica Journal of Human Evolution.

Sem conclusões

O estudo não conclui de forma definitiva quem foi o responsável pela morte de Shanidar 3 ou qual foi a razão. Aparentemente o ferimento na costela do Neandertal pode ter começado a cicatrizar antes de sua morte. Uma comparação da ferida com registros médicos da época da Guerra Civil Americana, no século 19 - antes da criação dos antibióticos -, sugeriu que ele morreu semanas depois de ser ferido, talvez devido a danos no pulmão associados ao ferimento. De acordo com Steven Churchill, vestígios arqueológicos sugerem que há 50 mil anos os humanos modernos e não seus primos, os homens de Neandertal, tinham desenvolvido armas de caça que podiam ser lançadas. Os humanos daquela época usavam atiradores de lanças, punhos de armas que podiam ser trocados e que se conectavam com dardos e lanças, para, de forma efetiva, aumentar o comprimento do braço que quem os atirava e aumentar a força dos projéteis. Humanos e homens de Neandertal usavam facas feitas de pedra e desenvolveram técnicas para fabricar pontas de flechas e lanças afiadas a partir de pedras. Enquanto a tecnologia da fabricação de armas avançava entre humanos, os homens de Neandertal continuavam usando lanças longas, queeles preferiam manter em suas mãos em vez de lançarem, de acordo com Churchill.

Porcos

Ao analisar o ferimento na costela de Shanidar 3, os estudiosos chegaram à conclusão de que ele não poderia ter sido feito com uma faca pré-histórica, pois tinha sinais de que a lança teria atingido a costela com pouca energia cinética. Os pesquisadores dispararam projéteis, cópias de pontas de lança pré-histórica, contra carcaças de porcos usadas para substituir o que seria o corpo do homem de Neandertal. Ao fazer uma comparação com outros estudos, os pesquisadores chegaram à conclusão de que uma lança do tipo usado pelos homens de Neandertal, teria causado um ferimento maior. E o ângulo da ferida apresentada por Shanidar 3, 45 graus para baixo, também coincide com a trajetória de uma arma que foi atirada, supondo que Shanidar 3, que tinha cerca de 1,6 m, estivesse em pé no momento em que foi ferido.

 
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Osvaldo de Almeida Gogliano, compositor, regente e instrumentista, nasceu em São Paulo / SP, em 24 de junho de 1910, teve Noel Rosa e Marino Pinto como principais parceiros. Na foto com Tom Jobim
 

 


Filho de imigrantes italianos do bairro do Brás, todos os seus irmãos eram músicos: Carlos tocava flauta e sax, Rute formou-se em piano e harmonia e Dirceu fez o Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Vadico começou a interessar-se por música aos 16 anos e aos 18 deixou a profissão de datilógrafo para tocar piano em público pela primeira vez, apresentando-se em um hotel em Poços de Caldas, MG. No mesmo ano venceu concurso de música popular recebendo medalha de ouro com sua primeira composição, uma marcha ‘Isso Mesmo é que eu Quero’. Em 1929, o samba ‘Deixei de ser Otário’ foi incluído no filme Acabaram-se os Otários, com direção de Luís de Barros; essa foi sua primeira composição gravada, na Odeon, por Genésio Arruda. Nessa época, já fazia trabalhos de orquestração e enviou um samba para o Rio de Janeiro “Arranjei Outra” parceria com Dan Mallio Carneiro, e gravado por Francisco Alves em 1930. Isso o encorajou a dedicar-se somente à música aperfeiçoando seus estudos de piano.
No ano de 1931, foi para o Rio de Janeiro onde por intermédio de Eduardo Souto, teve seu samba ‘Silêncio’ gravado por Luís Barbosa e Vitório Lattari. Dois anos depois, o mesmo Eduardo Souto o apresentou a Noel Rosa no estúdio Odeon. Ouvindo uma de suas composições, Noel aceitou a sugestão de Souto para fazer a letra, e dois dias mais tarde estava pronto o ‘Feitio de Oração’, o primeiro dos seus sambas que teve Noel como letrista e que foi gravado em 1933, na Odeon, por Francisco Alves e Castro Barbosa.Seguiram-no ‘Provei, ‘Quantos Beijos ‘e “Só Pode ser Você”. Musicou depois os versos de Noel Rosa: ‘Conversa de Botequim’, ‘Cem Mil-réis’, ‘Tarzã, o Filho do Alfaiate’, Pra que Mentir’ e a Marcha do Dragão’ (publicitária). Por essa época, também atuou como pianista em diversas escolas de dança, e em 1934, foi contratado por Luís Americano para tocar na boate Lido. Quatro anos depois tocou durante alguns meses no Cassino Tênis Clube de Petrópolis RJ.

Vadico e o cinema


Em 1939 ele foi com a Orquestra Romeu Silva para os E.U.A., para atuar no pavilhão brasileiro da Feira Mundial de Nova Iorque. Permaneceu naquele país até novembro, tendo gravado transmissões para o Brasil na National Broadcasting Corporation. Retornou ao Brasil com Romeu Silva, passando a se apresentar com a orquestra deste na Feira de Amostras do Rio de Janeiro. Voltou para Nova Iorque em abril de 1940, na reabertura da Feira Mundial. Com o encerramento da mostra em outubro de 1940, mudou-se para Hollywood, lá se encontrou com Zé Carioca e passou a trabalhar na gravação das músicas do filme ‘Uma Noite no Rio’ (That Nightin Rio, de Irving Cummings), com Carmen Miranda. No ano seguinte, a pedido da Universal Pictures, compôs para o filme “O Samba loiô, com letra de Nestor Amaral. Continuou como pianista de Carmen Miranda e do Bando da Lua, paralelamente fazia também orquestrações para filmes em que estes atuavam, como Weekend in Havana - Aconteceu em Havana, com direção de Walter Lang, 1941-, e Springtime in the Rockie - Minha Secretária Brasileira, dirigido por Irving Cummings, [1942) entre outros. No ano de 1943, realizou shows em teatros e night clubs, sendo convidado no mesmo ano por Walt Disney - que o pediu emprestado à Twentieth Century Fox por cinco dias -, para musicar o desenho de longa metragem Saludos, Amigos, em que o personagem Zé Carioca aparece como símbolo do Brasil.

Exterior: trabalho e estudos



 


Em 1944, fez shows com Carmen Miranda e o Bando da Lua, nas bases da Marinha, em San Francisco, E.U.A. E no ano seguinte atuou no restaurante Latin Quarter. Nesse mesmo ano de 1945, deixou de se apresentar com Carmen Miranda e o Bando da Lua, passando a integrar orquestras norte-americanas. Estudou harmonia, contraponto, composição musical, orquestração e regência, com Mario Castelnuovo-Tedesco ( 1895 - 1968 ). Já em 1948 acompanhou Carmen Miranda em sua temporada em Londres. Em 1949 entrou para a companhia da bailarina Katherine Dunham, como regente de orquestra, excursionando pelos E.U.A., Europa e América do Sul. Em gosto de 1951, deixou a companhia em Kingston, Jamaica, e foi para Nova Iorque trabalhar com uma orquestra cubana. Três anos depois, retornou ao Brasil definitivamente, atuando com Os Copacabana, na boate Casablanca, em 1956, passando depois a tocar piano somente em gravações e a fazer orquestrações para a Continental e a Rádio Mayrink Veiga. No inicio de 1957 ingressou como diretor musical na TV-Rio, em substituição a Osvaldo Borba. No ano seguinte voltou a trabalhar com Os Copacabana, no Dancing Brasil e depois no Avenida. Já em 1959, deixou os Copacabana e foi para o Fred's, onde ficou até janeiro de 1960, sendo contratado pelo Sacha's. Gravou em 1962 na gravadora Festa o LP ‘Festa Dentro da Noite’. Vadico teve como principais parceiros Noel Rosa e Marino Pinto, este último letrista de ‘Prece’, que considerava sua obra-prima. O músico faleceu no Rio de Janeiro / RJ, em 11 junho de 1962.


Obras

 

Cem mil-réis (c/Noel Rosa), samba, 1936; Conversa de botequim (c/Noel Rosa), samba, 1935; Feitiço da Vila (c/Noel Rosa), samba, 1934; Feitio de oração (c/Noel Rosa), samba-canção, 1933; Mais um samba popular (c/Noel Rosa), samba, 1934; Pra que mentir (c/Noel Rosa), samba, 1934; Prece (c/Marino Pinto), samba-prelúdio, 1958; Provei (c/Noel Rosa), samba, 1936; Quantos beijos (c/Noel Rosa), samba, 1936; Só pode ser você (c/Noel Rosa), samba, 1936; Súplica (c/Marino Pinto), samba-canção, 1956; Tarzã, o filho do alfaiate (c/Noel Rosa), samba, 1936. [Fausto Visconde / Francisco Martins]

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