Neste texto biofráfico de Fausto Visconde serão relatados um pouco de sua vida como colecionador e prospectador cultural. Nada fácil em um país da ignorância chamado Brasil.
A vida de colecionador só é fácil para aqueles que colecionam relógios marcas, carros como Maseratti ou Ferrari. No caso de Fausto visconde que primava pela coleção de cultura popular, passou por poucas e boas. O colecionismo de selos, fotografias, cartão postal, retratos de artistas e recortes de jornais e de revistas, foi a especialiodade de Visconde. Nem mesmo tendo fotografado Ava Gardner, Kathryn Graysson e Howard keel aliviou sua barra.
Picado pela mosca do colecionismo em 1934, aos 12 anos, ele carregou sua saga até os 88, levando consigo além túmulo. Não foi fácil, era incompreendido até mesmo no seio de sua familia, muitas vezes foi chamado de lixeiro por vizinhos. "Um lixeiro com cultura de Rei", afirma-se. Começou a trabalhar cedo para poder bancar seus gastos com pesquisas de alguns materias para sua coleção por exemplo documentos onde o governo italiano convocava os que moravam no Brasil a votarem; cartas da família Civita, papés de duplicatas etc... discos de música popular e óperas entre outros.
Muitos jornais
Pilhas e pilhas de jornais e revistas acumulavam-se em sua sala, e eram deposi recortados para formar álbuns. O restante ele chamava um reciclador e dava-os. Isso fazia dele a bola da vez dos xingamentos. Trabalhador, mantinha sua mãe e uma irmã solteirona. Conseguiu dois imóveis na Móoca, na rua Tobias Barreto. Com a morte delas, ele com seus 78 anos recebeu uma proposta de algumas sobrinha para vender os apartamentos e morar com a cunhada e filhas na Vila Prudente. Fausto caiu na esparrela.
Vida diferente
Seu estilo de vida era diferente de muitos. Ia regularmente ao teatro, ópera, cinema e balé além de saraus literários. Crente de que estava bem com os parentes, certa noite ao chegar foi surpreendido pelo porteiro que lhe entregou algumas roupas e um bilhete para que procurasse outro lugar para morar pois lá não seria mais possível. Acatou, mas sabia que tinha caido em um golpe. Pegou suas roupas e começou uma pregrinação por São Mateus, São Miguel, Itaquera... Cangaíba. Até que conheceu uma evangélica de nome Neide Cataldo, proprietária de um casario na Penha. Fausto cumpriu as exigências de locação e passou a morar na rua Rodovalho Júnior, 667, casa 2, onde morou por dez anos. Pensou ele, agora estou tranquilo. Ledo engano. Entretanto, não tinha mais ânimo para mudar.
Penha, destino final
A coisa pioraria. O primeiro ano até que foi legal tinha um vizinho de nome Roldão, e se entendiam muito bem. Com o falecimento dele, a sua cunahdo entrou ainda com o defunto quente na casa. Arlete Mendes Ferreria, eta "Mulher feita no Diabo" (filme com Marlene Dietrich). Tudo na vila partia dela o que fazia duvidar se o Diabo a queria mesmo. Ela foi a culpada por encrencas criadas no casario envolvendo Visconde como lixeiro pelo seu ato de comprar, ganhar jornais e revistas. Logo, Sônia Droppa, cunhada de Arlene entraria no 'samba' para tentar avacalhar com a moral de Visconde, que foi perseguido impiedosamente, mesmo quando não mais respondia por seus atos pois encontrava-se confuso com o princípio de Alzheimer.
Não demorou para ela trazer para a casa número 1, a sogra de sua filha, Arlene, uma sujeita petulante que usa copos de massa de tomate e pensa usar porcelana da dinastia Ming. A vida segue até que a perseguição passa ser feita pela vila toda, tudo porque Fausto tinha cultura e conehcimento, algo irrelevante e desnecessário para eles.
Foram muitas as agressões verbais, morais assim como foram várias providências tomadas, mas por falhas das autoridades constitutidas tudo passou em brancas núvens. Uma advogada que mora do frente ao portão principal do casario ficou sabendo que Visconde além de professor era colecionador, tinha uma das maiores hemeroteca do país, passou a doar revistas e jornais para ele. Ela colocava o material no protão, e ele, com um sorriso ia pegá-los, digo, quando os moradores não pegavam primeiro e atiravam ao lixo. Vida de cão, não?
Este material será tema de livro "Comércio e Propaganda" |
Testemunhei grandes desavenças e intermediei outras. Certa vez estava eu, Francisco Martins, na sala da casa de Fausto Visconde quando a Dra. colocou alguns jornais no portão. Me ofereci para pegar mas ele queria tocá-los primeiro pois valorizava tudo que lhe davam. Até mesmo um prato de comida estragado que davam (sem ele precisar) recebia e depois jogava fora mas jamais melindrava as pessoas. Voltemos ao portão, ele foi buscar os jornais, quando pôs as mãos neles, a tal de Arlene Droppa, empurou propositadamente o portão jogando os jornais longe e quase levando um senhor de 88 anos ao chão.
Entrei na hsitória e falei algumas verdades sobre ela e outras sobre o Visconde. Coloquei-na em seu devido lugar. daquele dia em diante jamais falou com Fausto Visconde. Não mais se ouvia chamá-lo de lixeiro, mendigo. O que eles faziam questão de não ver era a bondade dele, o conteúdo haja visto que nos anos 80 doou 3 mil exemplares de seu acervo pra inaugurar uma biblioteca na zona norte de São paulo.
Em 6 de março de 2010, Fausto morreu, e deixou um legado cultural, até certo ponto invejável. Morreu em paz, tranquilo sem berros ou caretas, ao contrário de sua algoz, Arlete Mendes Ferreira que teve uma morte conturbada, gemendo, urrando. Que descancem em paz.
O próximo assunto vai falar sobre um certo alemão que estava na sua cola!