Revelando, imortalizando histórias e talentos
10.12.11

Uma exposição no museu do Quai Branly, em Paris, mostra como seres humanos considerados "exóticos, selvagens ou monstros" foram exibidos durante séculos em feiras, circos e zoológicos no Ocidente.

 

 

 

 

 

 

PARIS - A exposição Exibições – A Invenção do Selvagem indica, segundo os organizadores, que esses "espetáculos" com índios, africanos e asiáticos, além de pessoas portadoras de deficiência, que tinham o objetivo de entreter os espectadores, influenciaram o desenvolvimento de ideias racistas que perduram até hoje.

 

 

 

 

 

 

 

 

"A descoberta dos zoológicos humanos me permitiu entender melhor por que certos pensamentos racistas ainda existem na nossa sociedade", diz o ex-jogador da seleção francesa de futebol Lilian Thuram, um dos curadores da mostra.

 

 

Thuram, campeão da Copa do Mundo de 1998 pela França, criou uma fundação que luta contra o racismo. Ele narra os textos ouvidos no guia de áudio da exposição. "É difícil acreditar, mas o bisavô de Christian Karembeu (também ex-jogador da seleção francesa) foi exibido em uma jaula como canibal em 1931, em Paris", diz Thuram.

 

A exposição é fruto das pesquisas realizadas para o livro Zoológicos Humanos, do historiador francês Pascal Blanchard e também curador da mostra.

 

Medição de crânios

 

A exposição reúne cerca de 600 obras, entre fotos e filmes de arquivo, além de pôsteres de "espetáculos" e objetos usados por cientistas no século 19, como instrumentos para medir os crânios.

 

Nesse período, se desenvolveram noções sobre a raça e o conceito de hierarquia racial, com teses de que os africanos seriam o elo que faltava entre o macaco e os homens brancos ocidentais, ou o "homem normal", como consideravam os cientistas.

 

A exposição começa com as primeiras chegadas de povos "exóticos" à Europa, trazidos pelos exploradores, como os índios tupinambá, do Brasil, que desfilaram, em 1550, para o rei Henrique 2º em Rouen, na França.

 

Pessoas com deformações físicas e mentais também serviam de atração para as cortes europeias na época. No início do século 19, a exibição de "selvagens" deixou de ser reservada às elites, com o surgimento de "shows étnicos", que ganharam força com o desenvolvimento da antropologia e a conquista colonial. Londres, que apresentou uma exposição de índios brasileiros Botocudos em 1817, tornou-se a "capital dos espetáculos étnicos", seguida pela França, Alemanha e Estados Unidos.

 

A exibição em Londres, em 1810, e em Paris, em 1815, da sul-africana Saartje Baartman, conhecida como "Vênus Hotentote" (nome pelo qual sua tribo era conhecida à época), que tinha nádegas proeminentes, marcou uma reviravolta nesse tipo de apresentação. Indústria de espetáculos. Esses "shows" se profissionalizaram com interesse cada vez maior do público, tornando-se uma indústria de espetáculos de massa, com turnês internacionais.

 

 

 

Em Paris, um "vilarejo" africano foi montado próximo à Torre Eiffel em 1895, com apresentações sensacionalistas de mulheres quase nuas e homens tidos como canibais.

 

O apogeu dessas exibições ocorreu entre 1890 e os anos 1930.

 

Depois disso, os "shows étnicos" deixaram de existir por razões diversas: falta de interesse do público, surgimento do cinema e desejo das potências de excluir o "selvagem" da propaganda de colonização.

A última apresentação desse tipo foi realizada em Bruxelas, em 1958. O "vilarejo congolês" teve de ser fechado devido às críticas na época. Segundo os organizadores da mostra, mais de 1 bilhão de pessoas assistiram aos espetáculos exóticos realizados entre 1800 e 1958. A exposição fica em cartaz no museu do Quai Branly até 3 de junho de 2012. (fontes: www.bbcbrasil.com.br / francisco martins ).

 

EDITORIAS:
link da notíciaBy Equipe formasemeios, às 14:12  comentar

Dezembro 2011
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2
3

4
5
6
7
8
9

14

19
21

25
28
29


SITES INDICADOS
Buscar
 
blogs SAPO
subscrever feeds