O músico foi um dos criadores do gênero sambalanço, mais conhecido por samba-rock. Ed Lincoln fez parceria com Wilson das Neves Orlandivo.
Arranjador e compositor morreu às 17h40 desta segunda-feira, 16, aos 80 anos no Rio de Janeiro onde morava. Ele sofria há anos de limitação de movimentos por causa de um acidente. O quadro de saúde se agravou recentemente quando contraiu infecção urinária. O compositor estava internado havia dez dias. O enterro será nesta terça, ao meio-dia, no Cemitério São João Batista.
Cearense nascido na capital do Estado, Fortaleza, em dia 31 de maio de 1932, mudou-se aos 19 anos para o Rio de Janeiro, onde sua música se tornaria conhecida. O artista marcou gerações seja em discos, tocando órgão em bailes.
Começou sua carreira como contrabaixista no LP "Uma noite no Plaza", em um trio com Luiz Eça (piano) e Paulo Ney (guitarra). Mudou de instrumento, passou ao piano e depois ao órgão. Foi no piano que estabeleceu a partir dos anos 60 sua sonoridade característica, um samba suingado, sob medida para os salões de bailes. Gravou muitos discos "Ao teu ouvido" e "Ed Lincoln boate", marcando seu nome ou o de conjuntos fictícios como The Lovers e 4 Cadillacs.
Tanto em disco quanto nos bailes, Ed Lincoln teve a seu lado grandes instrumentistas exemplo Bebeto, Durval Ferreira, Alex Malheiros, Márcio Montarroyos, Luiz Alves e Wilson das Neves. O conjunto de Lincoln também incluía cantores como Orlandivo, Silvio Cesar e Emílio Santiago.
Em 1963 - mesmo ano em que havia lançado o histórico disco "Seu piano e seu órgão espetacular", com releturas de músicas como "Só danço samba" e "Influência do jazz" Ed sofreu um grave acidente de carro que o deixou parado por sete meses. Com este hiato acabou com o lançamento do disco "A volta", em 1964.
Em 2000, mesma época em que a obra de Lincoln começava a chamar a atenção de DJs britânicos, Ed Motta convidou-o para tocar órgão na música "Conversa mole". Em 2003 na série de shows "Saudade fez um samba" no Centro Cultural Banco do Brasil, RJ.
Em 2011, a gravadora Discobertas lançou a caixa "O rei dos bailes", com seis discos que Lincoln gravou na década de 1960.