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19.8.12

Senador Cristovam Buarque fala sobre as cinco cores da economia sustentável> amarela, azul etc.

 

 

"A evolução do progresso”  tema da palestra apresentada pelo senador Cristovam Buarque no encontro “O Poder Judiciário e o Meio Ambiente”, que acontece no Superior Tribunal de Justiça (STJ). “Fico feliz de ver que uma casa da Justiça se envolve e promove um evento para debatermos o problema da insustentabilidade de um modelo socioeconômico da civilização industrial inteira”, disse o senador a uma plateia formada majoritariamente por operadores do direito.

 

 

 Segundo Cristovam Buarque, a partir da revolução industrial, o progresso passou a ser entendido como o aumento do produto. O índice de progresso era o mesmo índice de crescimento da produção. Na época, eram quatro os objetivos da civilização: democracia política, bem-estar social, progresso científico e desenvolvimento econômico – vetores que interagiam entre si.

 

 

Para o senador, esse modelo funcionou muito bem durante dois séculos, com uma civilização baseada nesses quatro vetores. Porém, o sistema entrou em colapso com a aparição de outros três fatores: a descoberta da necessidade de equilíbrio ecológico; a superconcentração de renda e a independência do sistema financeiro, que passou a gerar renda por si próprio.

 

 

“Isso tornou o atual modelo insustentável. Nós não temos condições de continuar com esses sete vetores casados sinergicamente. Vamos ter que fazer opções”, avaliou o senador. Não há interesse em sacrificar a democracia, tampouco o bem-estar e o progresso científico e tecnológico. Sobrou para o crescimento econômico, que pode ser manejado com base na teoria das cinco cores da economia sustentável, apresentada pelo senador.

 

 

Economia verde

 

 

Está relacionada com a racionalização do sistema produtivo com base na ética e não na lógica pura. É preciso mudar os insumos utilizados, optar por energias renováveis, ter em mente que o mundo é um condomínio onde ações individuais repercutem coletivamente.  “O PIB não considera perdas de florestas, mas apenas o aumento da produção de soja. Uma árvore em pé só tem valor para a economia se for fruteira”, afirmou. O senador defende que o conceito de crescimento econômico precisa levar em consideração externalidades, como destruição de florestas e outras perdas geradas que provocam danos ambientais com o esgotamento de recursos e aquecimento global.

 

 

Economia vermelha

 

 

Envolve o aspecto social do desenvolvimento econômico, que deve incluir os pobres na economia verde para que ela sirva a todos. É preciso mais emprego, mais distribuição de renda, mais justiça, mais educação. A economia deve ser verde no uso dos recursos, e vermelha na destinação dos produtos.

 

 

Economia branca

 

 

Tem como foco a combinação da geração de riqueza com a necessidade de paz. “É uma estupidez pensar que a fabricação de um tanque de guerra aumenta o PIB”, afirmou o senador. Ele explicou que, por esse raciocínio, quando um assaltante dispara uma arma, ele está contribuindo para o aumento do PIB por causa do consumo da pólvora. “E se acertar o coração e matar aumenta a renda per capta”, provocou. Para o senador, a economia branca não pode considerar gastos com segurança como riqueza.

 

 

Economia amarela

 

 

Traz a ideia de que a economia precisa assegurar que os produtos da ciência e tecnologia tragam benefícios para todos. A substituição de trabalhadores por máquinas, por exemplo, não se enquadra nesse conceito. O avanço das tecnologias deve ter como foco o coletivo, ou seja, combinar a economia amarela com a vermelha.

 

 

Economia azul

 

 

Está ligada ao bem-estar das pessoas, que deve ser mais importante do que a produção. É a economia que remove os obstáculos na busca individual da felicidade. “O governo pode facilitar isso fazendo estradas, favorecendo a geração de empregos, não fazendo guerras”, entende Cristovam Buarque. Também é economia azul proporcionar mais tempo livre aos trabalhadores que, por sua vez, devem reduzir o consumo ponderando se realmente necessitam do que estão demandando.

 

 

Debate com magistrados

 

 

A mesa de debate sobre o tema apresentado pelo senador Cristovam Buarque era composta por magistrados: o desembargador do Rio Grande do Sul Cândido Alfredo Silva Leal, o desembargador do Rio de Janeiro Elton Martinez Carvalho Leme e o juiz auxiliar da vice-presidência do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul Paulo Afonso de Oliveira.  Questionado sobre a conscientização dos magistrados sobre a importância da sustentabilidade, o senador afirmou que a educação é feita com as crianças. “Estamos educando o juiz de 2050 para que ele seja um cidadão com nova mentalidade”, disse. “Os atuais magistrados é problema nosso, dos parlamentares, que fazemos as leis para que os senhores interpretem e julguem. E nós estamos sendo muito incompetentes”, completou.

 

 

O senador criticou o próprio poder do qual faz parte citando, por exemplo, que o Código Florestal até hoje não foi aprovado. Também apontou a deficiência na elaboração de leis claras e eficazes. Cristovam Buarque criticou ainda a recente aprovação da redução de IPI para carros novos, proposta pelo governo. Para ele, essa iniciativa é equivocada do ponto de vista da economia sustentável, pois estimula o transporte individual em vez do coletivo. “Os R$ 20 bilhões de isenção tributária poderiam ser usados na aquisição de ônibus escolares e ambulâncias. As empresas continuariam trabalhando e gerando emprego, e os carros continuariam com preços mais elevados. Ou seja, nós não estamos fazendo o nosso dever de casa direito”, reconheceu.

EDITORIAS:
link da notíciaBy Equipe formasemeios, às 02:37  comentar

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