Revelando, imortalizando histórias e talentos
11.9.12

Programação especial comemora o nascimento do escritor espanhol, em 29 de setembro de 1547. 16 bibliotecas e o Bosque da Leitura do Parque do Carmo promovem atividades para homenagear Miguel de Cervantes, escritor espanhol que morreu há 396 anos.

 

 

SÃO PAULO (SP) BRASIL - Sérgio Molina, ganhador do prêmio Jabuti em 2004 por sua tradução de “Dom Quixote de La Mancha”, obra-prima do homenageado é um dos convidados do evento. Ao lado do escritor Ricardo Lísias, da doutora em literatura espanhola pela USP, Rubia Prates Goldoni, do jornalista e crítico literário Manuel da Costa Pinto e do ator e músico Carlos Careqa, Molina participa da mesa-redonda “Pontes Quixotescas”, realizada na Biblioteca Viriato Corrêa. O encontro procura debater a vida e a obra do autor.

 

“Quase todo o mundo conhece Dom Quixote, ou pelas gravuras de Picasso, ou pelas adaptações feitas para o teatro, cinema, dança, ópera e até histórias em quadrinhos”, afirma Molina. “Mas só quando se lê a obra percebe-se que, atrás da imagem do ‘cavaleiro da triste figura’, existe alguém que, assim como seu criador, é um idealista e um corajoso, disposto a lutar por um mundo melhor.”

 

Escrito na época da Inquisição, o livro, pleno de humor, ironia, paródia e sarcasmo, é um divisor de águas entre o classicismo e o romance moderno. “O texto influenciou escritores como Daniel Defoe, Walter Scott, Charles Dickens, Gustave Flaubert e até o nosso Machado de Assis. Ao término da leitura, não se pode deixar de refletir que, embora de difícil execução, ainda há valores pelos quais vale a pena lutar”, completa Molina. Além do debate que encerra, no dia 29, a programação especial, outras bibliotecas e bosques da leitura recebem, a partir do dia 2, encenações teatrais, show musical e, na Sala Luiz Sergio Person da Viriato Corrêa, é exibida uma mostra de filmes protagonizados por Dom Quixote.

 

 

Serviço:

 

BP Hans Christian Andersen. Av. Celso Garcia, 4.142, Tatuapé, Zona Leste. Tel. 2295-3447.

 

BP Álvares de Azevedo. Praça Joaquim José da Nova, s/nº, Vila Maria, Zona Norte. Tel. 2954-3118 e 2954-2813.

 

BP Viriato Corrêa. Rua Sena Madureira, 298, Vila Mariana, Zona Sul

tel. 5573-4017 e 5574-0389.

 

BP Mário Schenberg. Zona Oeste.

 

BP Cora Coralina. Rua Otelo Augusto Ribeiro, 113, Guaianases, Zona Leste. Tel. 2557-8004.

 

BP Padre José de Anchieta. Rua Antônio Maia, 651, Perus, Zona Norte. Tel. 3917-0751.

 

Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato. Rua General Jardim, 485, Vila Buarque, Centro

tel. 3256-4122.

 

BP Belmonte. Rua Paulo Eiró, 525, Santo Amaro, Zona Sul. Tel. 5687-0408 e 5691-0433.

 

BP Raul Bopp. Rua Muniz de Sousa, 1.155, Aclimação, Zona Sul. Tel. 3208-1895. Próximo do Parque da Aclimação.

 

BP Menotti Del Picchia. Rua São Romualdo, 382, Bairro do Limão, Zona Norte. Tel. 3966-4814 e 3956-5070.

 

BP Álvaro Guerra. Rua Pedroso de Moraes, 1.919, Pinheiros, Zona Oeste. Tel. 3031-7784.

 

BP Érico Veríssimo. Rua Diógenes Dourado, 101, Cohab Parada de Taipas, Zona Norte. Tel. 3972-0450.

 

BP Chácara do Castelo. Rua Brás Lourenço, 333, Jardim da Glória, Zona Sul. Tel. 5573-4929.

 

BP Camila Cerqueira César. Rua Waldemar Sanches, 41, Butantã, Zona Oeste. Tel. 3731-5210

 

Bosque da Leitura Parque do Carmo. Av. Afonso de Sampaio e Souza, 951, Itaquera, Zona Leste.

 

BP Afonso Schmidt. Av. Elísio Teixeira Leite, 1.470, Cruz das Almas, Zona Norte. Tel. 3975-2305.

 

BP Jamil Almansur Haddad. Rua Andes, 491-A, Guaianases, Zona Leste. Tel. 2557-0067.

 

BP Cassiano Ricardo. Av. Celso Garcia, 4.200, Tatuapé, Zona Leste. Tel. 2092-4570.

 

 

Teatro infantojuvenil

 

DOM QUIXOTE - O CAVALEIRO SONHADOR

 

Núcleo Trecos e Cacarecos. 45 min. +5 anos.

 

Enquanto o mundo começa a ser explorado pelas navegações, um velho fidalgo ainda sonha em ser cavaleiro. Com a velha armadura de seu bisavô, o herói Dom Quixote de La Mancha sai em busca do amor e da justiça, ao lado de seu fiel escudeiro, Sancho Pança. Nesta adaptação da obra de Cervantes, livros e brinquedos ganham vida e se transformam em personagens.

 

BP Hans Christian Andersen. Zona Leste. Dia 1º, 16h

 

BP Álvares de Azevedo. Zona Norte. Dia 2, 11h

 

BP Viriato Corrêa. Zona Sul. Dia 2, 16h

 

BP Mário Schenberg. Zona Oeste. Dia 8, 14h

 

BP Cora Coralina. Zona Leste. Dia 9, 11h

 

BP Padre José de Anchieta. Zona Norte. Dia 16, 11h

 

Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato. Centro. Dia 19, 14h30

 

BP Belmonte. Zona Sul. Dia 22, 11h

 

DOM QUIXOTE PARA CRIANÇAS

 

Núcleo Conspiração em Contos. Adaptação e dir.: Solange Dias. Com Cássio Castelan e Márcio Ribeiro. 50 min. +6 anos.

 

Lições de humildade, justiça, ingenuidade e defesa dos fracos e oprimidos são fontes de inspiração para a versão infantil deste clássico universal.

 

BP Raul Bopp. Zona Sul. Dia 9, 11h

 

BP Menotti Del Picchia. Zona Norte. Dia 13, 14h

 

BP Álvaro Guerra. Zona Oeste. Dia 15, 11h

 

Bosque da Leitura Parque Lions Clube Tucuruvi. Zona Norte. Dia 16, 14h

 

BP Érico Veríssimo. Zona Norte. Dia 18, 14h

 

BP Chácara do Castelo. Zona Sul. Dia 20, 10h

 

BP Camila Cerqueira César. Zona Oeste. Dia 22, 14h

 

Bosque da Leitura Parque do Carmo. Zona Leste. Dia 23, 14h

 

BP Afonso Schmidt. Zona Norte. Dia 25, 14h

 

BP Jamil Almansur Haddad. Zona Leste. Dia 27, 10h

 

Show

 

 

DOM QUIXOTE XOTE XOTE

 

Com Gereba Barreto (voz e violão), Bombarda (acordeão) e Cássia Maria (percussão).

 

O show é baseado no CD homônimo, no qual o cantor e compositor baiano Gereba busca aproximar o mundo poético musical nordestino ao universo mítico da obra “Dom Quixote”. No repertório, parcerias com poetas como Abel Silva, Luiz Carlos Bahia, Capinan e João Bá, que se inspiraram no livro de Cervantes para criar xotes, baiões, cocos, arrasta-pé e emboladas.

 

 

BP Cassiano Ricardo. Zona Leste. Dia 21, 18h30

 

BP Belmonte. Zona Sul. Dia 26, 19h

 

Mesa-redonda

 

 

PONTES QUIXOTESCAS

 

Com Ricardo Lísias (escritor ganhador da Copa de Literatura Brasileira 2010/2011 com “O Livro dos Mandarins”), Sérgio Molina (tradutor de “Dom Quixote”, obra premiada com o Jabuti em 2004) e Rubia Prates Goldoni (tradutora de “Cervantes”, do francês Jean Canavaggio, uma das mais respeitadas biografias do autor espanhol). Mediação: Manuel da Costa Pinto (editor dos programas de literatura Entrelinhas e Letra Livre, da TV Cultura, e da revista Cult). Participação: Carlos Careqa (músico).

 

No dia do aniversário de Cervantes, quatro apreciadores de sua literatura conversam sobre “Dom Quixote de La Mancha”. Transitando pelo jornalismo, a ficção literária, a tradução, a biografia e os estudos teóricos, os participantes explorarão as pontes que a obra estabelece com diversas artes e épocas, com a vida de seu autor e de seus leitores. O bate-papo será ilustrado com intervenções do ator e músico Carlos Careqa, que interpretará trechos da obra.

 

 

BP Viriato Corrêa. Zona Sul. Dia 29, 15h

 

 

cinema

 

O CINEMA ENCONTRA DOM QUIXOTE

 

BIBLIOTECA PÚBLICA VIRIATO CORRÊA

SALA LUIZ SERGIO PERSON

ZONA SUL

LIVRE

GRÁTIS

 

 

Todas as projeções têm suporte em DVD.

 

 

HONRA DE CAVALEIRO

 

(Honor de Cavalleria, Espanha, 2006, 103 min). Dir.: Albert Serra. Com Lluís Carbó, Lluís Serrat, Jaume Badia e outros.

 

Adaptação livre do clássico “Dom Quixote”. O personagem e Sancho Pança vagam por campos espanhóis, aparentemente sem destino, em busca de aventuras.

 

Dia 28, 16h. Dia 30, 18h

 

 

DOM QUIXOTE

 

(Don Kikhot, URSS, 1957, 111 min). Dir.: Grigori Kozintsev. Com Nikolai Cherkasov, Lyudmila Kasyanova, Serafina Birman e outros.

 

Homem lê tantos livros de cavalaria que acredita ser o cavaleiro Dom Quixote de La Mancha e sai, com sua mula, para realizar atos de valentia.

 

Dia 28, 18h. Dia 29, 16h

 

DOM QUIXOTE DE ORSON WELLES

 

(Orson Welles’s “Don Quixote”, Espanha, 1992, 116 min). Dir.: Orson Welles. Com Orson Welles, Akim Tamiroff, Francisco Reiguera e outros.

 

Quixote e Sancho viajam pela Espanha de 1960, revelando pessoas, costumes, corridas de touros e tradições culturais e religiosas.

 

Dia 29, 18h (após a sessão, ocorre palestra com Rodrigo Petrônio sobre as adaptações de “Dom Quixote” para o cinema. Petrônio é escritor e professor da Casa do Saber e da Faap

EDITORIAS:
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 Aristodemo Becherini: entre a cidade e a publicidade

Por: Henrique Siqueira

 

Nascido em 1910, Aristodemo Becherini deu continuidade ao ofício da família, iniciado por seu pai, Aurélio Becherini (1879-1939), primeiro repórter fotográfico da imprensa paulistana e autor de importante documentação da cidade executada nas primeiras duas décadas do século XX. Em parceria com o irmão Henrique, conduziu um estúdio que os posicionaram com pioneirismo na publicidade, substituindo as ilustrações por imagens fotográficas nos anúncios. Na juventude, Aristodemo foi modelo, posando para campanhas desenvolvidas pelo irmão para a agência J. W. Thompson. Também produziu imagens para a indústria petrolífera, ferroviária, rodoviária, papéis e telefonia. Em 1959, após a morte do irmão, transfere o estúdio para a Rua Xavier de Toledo e fotografa com exclusividade para a Indústria General Motors até a aposentadoria.

 

 

Entretanto, apesar do vínculo com a fotografia aplicada, Aristodemo não se afastou das relações mais imediatas da apropriação. Em seu arquivo encontram-se ensaios sobre episódios da história de São Paulo, como as manifestações comunistas; o discurso de Luis Carlos Prestes no Estádio do Pacaembu; a visita do general Eurico Gaspar Dutra; e o funeral do secretário da Segurança Pública Estadual Alfredo Issa Ássaly. O fotógrafo ainda registrou festividades do cotidiano, a exemplo do ano-novo, carnaval, saltos de paraquedismo e competições esportivas no Clube de Regatas Tietê.

 

De modo mais sistemático, é na fotografia urbana que notamos a cumplicidade do autor com a cidade. Este grupo de imagens, cuja seleção é apresentada na exposição, foi captado com regularidade desde seus 14 anos, convertendo-se na atualidade em um precioso memorial dos espaços públicos de sociabilidade, lazer, consumo, trabalho e deslocamento, observados de diversos planos, inclusive aéreos. Num claro reflexo da fotografia publicitária, utiliza-se dos recursos de enquadramento para pôr em evidência os prédios que deseja ressaltar, num esforço para extraí-los do tecido urbano, tendência também empregada para destacar os anúncios eletrônicos nas fotografias noturnas.

 

Sob o ponto de vista arquitetônico e urbanístico, e considerando a tríade construtiva da cidade defendida por Benedito Lima de Toledo, estas imagens, realizadas entre 1925-1950, retratam a fase final da segunda edificação de São Paulo, erguida a partir da afluência da riqueza do café e industrialização. O surgimento dos prédios rompe a linearidade do horizonte, impondo ao fotógrafo o distanciamento da câmera para estruturar a composição da cena. Decorre desta operação a redução da escala de seus habitantes nas imagens, levando ao quase desaparecimento de suas fisionomias. Os prédios também introduziram na paisagem da cidade os novos estilos construtivos do modernismo, acentuando o contraste com os casarões, vistos de modo especial nas fotografias da Rua São Bento, Avenida Nove de Julho e Avenida São João. Em consequência do salto populacional desse período (de 500 mil para mais de 2 milhões de habitantes), a verticalização do espaço urbano assinala o surgimento da terceira fase da capital paulista.

 

A Coleção Aristodemo Becherini foi incorporada ao Acervo Iconográfico da Prefeitura de São Paulo após a morte do fotógrafo, em 1985, doada por sua filha Araceli Becherini. Simultaneamente à exposição, o banco de dados da Casa da Imagem de São Paulo disponibiliza uma seleção de imagens do fotógrafo para pesquisa na Sala de Consulta.

 

 

Aristodemo Becherini: between publicity and the city

 

Henrique Siqueira

 

Born in 1910, Aristodemo Becherini gave continuity to the family business, which was started by his father, Aurélio Becherini (1879-1939), first photographic reporter of São Paulo’s press, and the author of an important documentation of the city in the first decades of the 20th Century. In partnership with his brother Henrique, Aristodemo run a photo studio that placed them among the country’s publicity pioneers, replacing illustrations by photographic images in ads. As a young man, Aristodemo was a model, posing for campaigns developed by his brother for the J. W. Thompson advertising agency. He has also produced images for the oil, railroad, auto, paper and telephony industries. In 1959, after the death of his brother, Aristodemo transfers the studio to Xavier de Toledo St. and photographs exclusively for the General Motors Industries until retirement.

 

Nevertheless, despite close connection to applied photography, Aristodemo didn’t distance himself from the most immediate relations of appropriation. In his archives one finds essays on episodes of São Paulo’s history, such as the communist manifestations; Luis Carlos Prestes’ speech delivery at Pacaembu Stadium; the visit of General Eurico Gaspar Dutra; and the funeral of the State Secretary of Public Security Alfredo Issa Ássaly. The photographer documented as well popular festivities, such as the New Year’s Eve, Carnival, parachuting shows and sports events at the Clube de Regatas Tietê.

 

Systematically, it’s is in urban photography that we clearer notice the author’s complicity with the city. The group of selected images shown in this exhibition was captured regularly since the author was 14 years-old, and has been converted today in a precious memorial of the social public spaces for leisure, commerce, work and transportation, observed from different angles, including aerial. In a clear influence of advertising photography, the author employs framing techniques to highlight buildings of his choice, in an effort to extract them from the urban fabric, a tendency also used to highlight electronic ads in nocturnal photographs.

 

From the architectural and urbanistic point of view, and considering the constructive triad of the city defended by Benedito Lima de Toledo, these images, taken between 1925 and 1950, portray the last phase of the second edification of São Paulo, built with the input of wealth generated by coffee and industrialization. The emergence of buildings breaks the linearity of the horizon, imposing on the photographer the resource of distancing the camera in order to structure the scene’s composition. Such operation results in a reduction of the scale of the inhabitants in the images, which in turn generates the almost disappearance of their physiognomies. The buildings also introduce in the city’s landscape the new building styles of Modernism, stressing the contrast with the mansions, specially seen in the photographs of São Bento St., Nove de Julho Ave. and São João Ave. As a consequence of the high increase of population in this period (from 500 thousand to over 2 million inhabitants), the verticalization of the urban space marks the emergence of São Paulo’s third edification period.

 

The Aristodemo Becherini collection was incorporated to the Iconographic Archives of São Paulo’s City Hall after the photographer’s death in 1985, donated by his daughter Araceli Becherini. Simultaneously to the exhibition, the database of Casa da Imagem de São Paulo will make available a selection of the photographer’s images for research at its consultation room.

 

 

Casa da Imagem de São Paulo

 

Rua Roberto Simonsen, 136-B

CEP 01017-020 - Sé – São Paulo SP

Telefone 11 3241-1081

 

Visitação de Terça a domingo, das 9h às 17h

Consulta ao acervo de terça a sexta-feira das 9h às 17h

Entrada franca

Contato.casai@prefeitura.sp.gov.br

 

EDITORIAS:
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