Revelando, imortalizando histórias e talentos
29.10.12

 Dez anos de ensaios e nenhuma apresentação. Bom humor e ironia marcam essa banda de artistas pouco talentosos na expectativa de seu primeiro show. A Pior banda do Mundo: referências às capas de disco dos anos de 1960; espetáculo é uma adaptação de uma série de quadrinhos de mesmo nome do português José Carlos Fernandes

 

 

Maria Tuca Fanchin

 

 

"Eles são brasileiros. E não desistem nunca". Essa citação tanto pode referir-se ao grupo de pesquisa teatral paulistano Cia. dos Outros, como ao seu novo espetáculo “A Pior banda do mundo”. O grupo cênico reúne-se há oito anos e possui em seu repertório dois espetáculos e a banda representada por eles no espetáculo ensaia regularmente há 10 anos sem nunca ter se apresentado. Os “músicos” não têm talento. Possuem ocupações desprovidas de qualquer glamour: um arquivista, uma conferencista de pequenos objetos de escritório, um gerente de segurança de um supermercado, um escoteiro cansado e uma datilógrafa que fala uma língua incompreensível. Finalmente, são chamados para fazer um show.

 

 

Começa aí a trajetória de “A PIOR BANDA DO MUNDO”, um espetáculo com direção de João Otávio e atuação de Amanda Lyra, Clayton Mariano, Tomás Decina, Pedro Cameron e Carolina Bianchi, que concebeu o espetáculo e assina a dramaturgia em colaboração com o elenco. A estreia está marcada para o dia 02 de novembro, no TUSP (Rua Maria Antônia, 294 – São Paulo - SP).

 

Depois de experimentar uma encenação calcada em clichês e paródias para questionar os limites das convenções teatrais em Corra como um coelho, a Cia. dos Outros dá um passo adiante em sua pesquisa, colocando em cena o questionamento de seus artistas em relação à iminência de um fracasso, de sua eficácia e relevância na sociedade atual.

 

Contemplada pelo prêmio Funarte Myriam Muniz de Teatro, “A pior banda do mundo” é uma adaptação de uma série de quadrinhos de mesmo nome do português José Carlos Fernandes, considerada a obra máxima do artista, e constituída por um conjunto de histórias independentes, que funcionam de forma autônoma, mas que ajudam a traçar a visão de uma cidade sem nome, em que as ruas cruzam os destinos de um grupo de personagens. O cartunista, habilidoso em expor a natureza humana, usa de ironia e bom-humor para retratar seus cotidianos.

 

No espetáculo da Cia. dos Outros, os atores pincelam peculiaridades pessoais de cada personagem, utilizando elementos recorrentes em seus trabalhos anteriores, como coreografias, momentos musicais, referências a filmes, pinturas, mobília antiga e objetos kitsch no palco.

 

A encenação

 

A encenação confronta as dificuldades dos atores em lidar com complexos instrumentos musicais e histórias ficcionais e inacreditáveis de seus personagens. O texto do espetáculo baseia-se no linguajar rebuscado e específico, característico das histórias em quadrinhos de José Carlos Fernandes e também das temáticas abordadas, dando o tom para a narrativa da peça, que não se define em tempo e espaço, dia e ano. Imagens do presente se misturam a pequenas faíscas de um passado não muito distante, revelando turvas possibilidades de uma glória que se sabe que ficou para trás e afunda as personagens em um cotidiano ordinário. O público acompanha um pouco da rotina dessa banda dotada de poucos talentos, sem glamour e com suas dificuldades de lidarem com o mundo que os cerca, além, claro, da sua paixão incondicional pela música.

 

“Na encenação relacionamos essa tensão do iminente fracasso público dessa banda, formada por atores que tem de se virar para tocar instrumentos nunca antes praticados por nenhum deles, e de como isso acaba reverberando na construção do espetáculo: cenas que parecem sem continuidade, tempos esgarçados, músicas incompletas e transições distorcidas revelam a dificuldade dos atores de se resolverem musicalmente. Na junção da exposição real dos atores lidando com os instrumentos e a exposição de fragmentos da vida dessas personagens, nada populares, indica que estamos falando da gente mesmo. Das nossas ânsias e pavores”, explica Carolina Bianchi. Já o diretor João Otávio define que “‘A pior banda do mundo’ é um espetáculo em risco eminente, com um acabamento propositalmente duvidoso, que coloca em questão os desejos não realizados, as memórias de pequenas glórias, o questionamento de talentos – o que se gostaria de ser e o que se é”.

 

Personagens

 

Caracterizam-se pela estranheza no comportamento, vestidos com roupas estilo anos 1960 e 1970, um deleite para os adoradores do retrô. Canções de várias épocas misturam-se às músicas originais compostas pelo músico carioca Botika.

 

São eles:

 

Constanza Brendel: conferencista de pequenos objetos.

Salomé Rakosi: irmã de Constanza. Patinadora frustrada.

Arlindo Zatopeck: tecladista, segurança de supermercado,
veterano de guerra, conhecedor de artes e história da humanidade.

 Amílcar Vonk: tocador de gongo, inspirado por um passado de escoteiro.

Floriano Mrozeck: contrabaixista, maestro e obcecado por catalogar enfermidades.

 

A Cia. dos Outros

 

A Cia dos Outros, formada por Carolina Bianchi, Tomás Decina, Fernanda Camargo e Pedro Cameron, é um grupo de pesquisa teatral que investiga a encenação a partir do estudo de limites narrativos a partir de convenções teatrais, sempre considerando as diversas formas de linguagem artística como ferramentas da expressão. Dessa maneira o grupo faz uso da literatura, cinema, música e imagens na sua busca de conceber parâmetros da cena contemporânea. A condição autoral do trabalho se faz valer na escolha do processo colaborativo como forma de levantar o material que estrutura os espetáculos.

 

Ficha técnica - A pior banda do mundo


Concepção do espetáculo e idealização de projeto: Carolina Bianchi

Direção: João Otávio

Atores: Amanda Lyra, Carolina Bianchi, Clayton Mariano,

Tomás Decina, Pedro Cameron

Dramaturgia: Carolina Bianchi com a colaboração do grupo

Composições originais: Botika

Desenho de som: Miguel Caldas

Pesquisa de trilha sonora: Carolina Bianchi Olhar

Coreográfico: Morena Nascimento

Figurinos: David Parizotti

Iluminação: Fernanda Camargo e Pedro Cameron

Cenário: Tomás Decina

Técnico de luz e som: Luis Gustavo Viggiano

Operação de som: Joana Flor

Produção executiva: Carolina Bianchi e Fernanda Mandagará

Fotos: Maria Tuca Fanchin

Arte gráfica: Carolina Bianchi e Tomás Decina

Realização: Cia. dos Outros

 

Serviço

 

De 02 de novembro a 02 de dezembro de 2012

Temporada: sextas e sábados 21 horas, domingos 20 horas

Valor do ingresso: R$20,00 inteira e R$ 10,00 meia

 

Local: TUSP - Rua Maria Antonia – 294, Vila Buarque, São Paulo, SP

Duração: aproximadamente 120 min.

Classificação etária: 12 anos

Informações para imprensa: Canal Aberto Assessoria de Imprensa

Márcia Marques - (11) 3798 9510 / 2914 0770/ 9126 0425

 

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