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15.11.12

Bicicleta alterou padrões de comportamento do século 19, afirmam especialistas britânicos

 

Bicicleta alterou padrões de comportamento séc. XIX

 

Que invenção pode ter sido mais revolucionária para o sexo do que a pílula anticoncepcional, a camisinha ou o Viagra? Para um dos geneticistas mais renomados da Grã-Bretanha, a resposta é clara: a bicicleta.

 

 

Stephen Jones, professor do University College de Londres (UCL), uma das mais respeitadas instituições de ensino e pesquisa do país, destaca que a invenção da bicicleta foi o evento mais importante dos últimos 100 mil anos da história da evolução humana. Bicicletas protagonizam fotos de aventura e viagem. Para Jones, em entrevista ao programa da BBC Science Club, a bicicleta "fez com que os homens não se limitassem mais a encontrar sua companheira sexual na porta ao lado, mas, sim, transportar-se a aldeias vizinhas e manter relações sexuais com uma mulher do povoado ao lado".

 

 

Invenção é a mais importante dos últimos 100

mil anos para genética

Embora a bicicleta tenha sido inventada no início do século 19, não foi até pouco mais de um século atrás que se converteu em um fenômeno de massa. Os primeiros modelos tinham rodas pesadas e pouco confiáveis, mas dois elementos transformaram a bicicleta em um dos milagres da tecnologia moderna: a corrente e as rodas com raios. A roda com raios feitos de cabos de metal finos e esticados permitiu acelerar o funcionamento da bicicleta.

 

Invenção é a mais importante dos últimos 100 mil anos para a diversidade genética, diz cientistas.

Antes da criação da corrente dentada, as rodas eram acionadas por meio de pedais acoplados, o que obrigava contar com uma roda frontal de enorme tamanho, que acabava sendo incômoda e instável. A corrente, além das marchas, permitiu que, com apenas uma volta do pedal, a roda se movesse várias vezes e assim foi como nasceram, há um século, as bicicletas "seguras para damas".

 

Dessa forma, essa maravilha da engenharia se converteu em um sistema de transporte barato, eficiente, e acessível a homens e mulheres de todas as classes sociais. Mais 'paqueras' e menos pianoA imprensa da época na Grã-Bretanha reportou que a invenção mudou a forma de cortejo entre os jovens do final do século 19.

Bicicletas sem corrente eram mais pesadas

 

Nos jornais britânicos daqueles dias, é possível encontrar notícias de que a bicicleta reduziu a frequência do comparecimento de pessoas à igreja, criou novas tendências de cortejo entre os jovens e até mesmo provocou uma diminuição no uso do piano. Mas, além das transformações sociais, a ciência destaca que a contribuição mais importante da bicicleta se refletiu nos nossos genes.

 

Stephen Stearns, professor de ecologia e biologia evolutiva da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, defende que a bicicleta ampliou em 48 quilômetros a distância de 'paquera' dos homens ingleses no final do século 19. Ele diz que a invenção estimulou ainda a pavimentação das ruas, o que facilitou, mais tarde, a incorporação do automóvel ao mundo do transporte.

 

 

 

Bicicletas sem corrente eram mais pesadas; mecanismo facilitou a vida sobre duas rodas

 

Para os especialistas, deu-se assim o início a um processo de migração que dura até hoje. Diversidade genéticaJones, do University College de Londres, ressalta que a distância entre o lugar de nascimento dos futuros cônjuges não parou de aumentar desde então.

 

O cientista pede aos leitores que se façam uma pergunta simples: Quão distante é a origem de seu marido/mulher em comparação com a dos seus pais? "Se caminharmos por uma cidade como Londres hoje em dia, vemos uma variedade genética que não teríamos visto em outra época".

 

A bicicleta, segundo Jones, deu início assim a um caminho rumo à diversidade genética sem precedentes, algo que tem um papel primordial no desenvolvimento do nosso sistema imunológico – o que teve repercussões futuras cruciais para a humanidade. "A diversidade genética é a base da evolução, se não a tivéssemos, ainda seríamos muito parecidos com os primatas", concluiu. (FraM\ www.bbc.com ).

 

 

EDITORIAS:
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Grã-Bretanha homenageia princesa indiana assassinada por nazistas na 2ª Guerra. Noor Inayat Khan foi espiã da Grã-Bretanha na França durante a 2ª Guerra Mundial

 

 

A princesa Anne, filha da rainha Elizabeth 2ª, participou nesta quinta-feira de uma cerimônia para a inauguração de uma estátua em homenagem à princesa indiana Noor Inayat Khan, conhecida como a "Princesa Espiã". A cerimônia acontece nos Gordon Square Gardens, em Londres.

 

 

 

Sobrinha de rei saudita, ela foi educada na Grã-Bretanha e na França - e portanto bilíngue -, Khan, descendente da realeza indiana, foi recrutada em 1942 pelo serviço de operações especiais, Special Operations Executive (SOE), para trabalhar em Paris como operadora de rádio.Sua vida é relatada na biografia Spy Princess: The Life of Noor Inayat Khan, escrita por Shrabani Basu.

 

Registros históricos mostram que ela foi a primeira operadora de rádio do sexo feminino a ser enviada para a França durante a ocupação nazista. Depois de passar três meses em fuga, a espiã foi aprisionada, torturada e executada pela Gestapo, a polícia secreta da Alemanha nazista, no campo de concentração de Dachau, em 1944. Sua última palavra - dita no momento em que o esquadrão alemão erguia suas armas - foi simplesmente: "Liberté!" (liberdade, em francês).

 

Segundo a biógrafa Basu, liberdade era um conceito que a princesa - uma pacifista transformada pelas circunstâncias em heroína da guerra - valorizava muito. Por sua bravura, ela foi condecorada postumamente na Grã-Bretanha e na França. Os franceses ainda criaram dois memoriais em sua homenagem e sua morte é lembrada todos os anos no país.

 

Realeza indiana

 

Corajosa, glamorosa, sensível e, ao mesmo tempo, capaz de inspirar respeito em oponentes e naqueles à sua volta, Khan teria agido não por amor â Grã-Bretanha, mas por uma profunda aversão ao fascismo e poderes ditatoriais. Seu pai era músico e professor de Sufismo - corrente religiosa islâmica que tenta alcançar a unidade com Deus por meio de uma vida simples, orações e meditação. Khan foi criada com princípios sólidos e valores de tolerância religiosa e não violência.

 

Basu disse que a princesa "não conseguia suportar a ideia de um país ocupado", um sentimento que, aparentemente, era compartilhado por outros membros da família. O tataravô de Khan era o Sultão Tipu, o governante islâmico da região de Mysore, no sul da Índia, no éculo 18. Ele não se sujeitou ao domínio britânico e foi morto em batalha em 1799.

 

Nascida na Rússia em 1º de janeiro de 1914, de pai indiano e mãe americana, a princesa passou a infância em Londres. Mais tarde, a família se mudou para Paris. Lá, Khan estudou medicina e música. Em 1939, uma coletânea de histórias infantis indianas recontadas por ela foi publicada pelo jornal francês Le Figaro.

Quando a guerra começou, em 1939, a princesa fez um treinamento para trabalhar como enfermeira para a Cruz Vermelha. Ela fugiu da França pouco antes de o governo francês se render aos alemães, em novembro de 1940, escapando por barco para a Inglaterra acompanhada pela mãe e irmã.

 

'Tigresa'Pouco após sua chegada, Khan se alistou como operadora de rádio na Women's Auxiliary Air Force (WAAF), órgão de apoio à Força Aérea britânica integrado por mulheres. Ela chamou a atenção do SOE e, às vezes usando o nome de Nora Baker, passou a fazer parte do seu esquadrão de espiões de elite, em 1942. Curiosamente, um relatório de treinamento do SOE descreveu Khan como não muito inteligente e "não apta a trabalhar em seu campo de atividade". Apesar disso, ela foi enviada para a França logo depois.

 

Sob o codinome Madeleine, a espiã passou a integrar a rede de resistência Prosper, encarregada pelo então primeiro-ministro britânico Winston Churchill de "atear fogo à Europa". Mesmo havendo suspeitas de que a rede tinha sido infiltrada por um espião nazista, Khan se recusou a retornar à Grã-Bretanha."Ela demonstrou força interior e coragem. Imensa coragem e determinação" Shrabani Basu, autora da biografia Spy Princess: The Life of Noor Inayat Khan

 

A biógrafa Basu, que passou oito anos pesquisando a vida da espiã, disse à BBC: "Ela era uma pessoa gentil, autora de histórias infantis, uma musicista, mas se transformou. Em batalha, era uma tigresa".Com vários de seus colegas capturados pela Gestapo, Khan continuou, por tanto tempo quanto possível, a enviar mensagens de rádio interceptadas para a Inglaterra. Seus comandantes insistiam que ela retornasse, mas ela liderou sozinha uma célula espiã em Paris durante mais três meses, mudando com frequência sua aparência e identidade. Traída e capturada, foi enviada para a prisão Pforzheim na Alemanha, onde ficou presa em regime solitário e acorrentada.

 

Khan sofreu dez meses de espancamentos, tortura e falta de alimentos, mas se recusou a revelar quaisquer informações. Sua coragem - e duas tentativas de escapar - levaram os alemães a classificá-la de "altamente perigosa", apesar de sua educação pacifista. Força InteriorEm setembro de 1944, a espiã e algumas de suas colegas do SOE foram transferidas para o campo de concentração de Dachau, onde foram executadas. Para Basu, o mundo moderno pode aprender lições com a história de Noor Inayat Khan. "Ela demonstrou força interior e coragem. Imensa coragem e determinação", afirmou.

 

Para a biógrafa, essas são qualidades importantes no momento complicado que vivemos hoje. "É importante lembrarmos essas qualidades e valores". A escritora chama a atenção também para um fato que muitos no ocidente desconhecem. "Dois milhões e meio de indianos entraram na guerra como voluntários. Foi o maior exército voluntário", disse. "Noor Inayat Khan era parte disso", disse. FONTE: BBC of London

 

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