Revelando, imortalizando histórias e talentos
27.1.07

Vila Maria Zélia - dos operários

 

Criadas aos moldes de vilas inglesas, hoje, entre recordações, ruinas, falta de vontade dos governos fazem de um marco da história, a vila operária Maria Zélia, um amontoado de casas velhas, e não de patrimônio histórico que completa 90 anos.

A Vila operária Maria Zélia, como o nome diz, para abrigá-los por motivo da expansão territorial de São Paulo, no início do século XX, que englobava os seguintes bairros: São Bento, Freguesia Eclesiástica [Sé], Anhangabaú e República, todos na região central. O crescimento econômico para zona leste, teve seu princípio com os bairros do Brás, Belém e Mooca, e com as indústrias vieram também os operários. A idéia dos empresários em criar a vila era para baratear os custos, sendo os obrigados a morarem próximos às fábricas. Porém, a cidade ainda não tinha estrutura suficiente nesses bairros, os empresários construíam residências para os funcionários de suas empresas ao lado das fábricas. Foi a partir dessa necessidade que apareceram as denominadas “vilas operárias”, em diversas regiões de São Paulo. Mas poucas dessas vilas ainda redem histórias, é o caso da Maria Zélia, localizada no bairro do Belenzinho, que foi construída entre os anos 1911 e 1916, cuja inauguração se deu em 1917, para abrigar mais de dois mil funcionários da Companhia Nacional de Tecidos de Juta, de propriedade de Jorge Street.


Maria Zélia era o nome de uma das filhas do empresário que morreu quando ainda era adolescente, no ano da inauguração da vila. As 198 casas foi um projeto do arquiteto francês Pedarrieux, e tinha de um a três quartos, seu tamanho media entre 75 e 110 metros quadrados. Era avanácdo para os padrões da época pois havia água encanada, luz elétrica e até calçamentos. Os assoalhos era de madeira nobre, pinho-de-riga e suas portas eram em madeira maciça. Todos os encargos eram descontados na folha de pagamento, exceto energia elétrica, paga pelo morador. diretamente à concessionária. Tinha toda uma infra-estrutura na vila: Uma igreja também fora construída na vila, creche, campo de futebol, salão de beleza e farmácia, sapataria e duas escolas, sendo uma para meninos e outra para as meninas. Após passar por dificuldades financeiras, o proprietário da vila deixou à direção da empresa, em 1923, passando para família Scarpa, que sem nenhum apego ou amor por esta cidade que lhes deu guarida mudou o nome do local para Vila Scarpa, mostrando sua arrogância. Graças ao grupo Guinle, que adqüiriu a vila no ano de 1929, e devolveu o nome original ao lugar.

O começo do fim


O local passou a ser administrado pelo Iapa, [Instituto de Aposentadoria de Pensão dos Industriários], sendo que nos anos 1936 e 1937 também serviu como presídio político, o Estado Novo, inventado por Getúlio Vargas. Já em 1939, a empresa de pneumáticos Goodyear comprou a parte do terreno que incluía a antiga fábrica de tecidos, o jardim de infância e mais umas 18 casas. Esta empresa foi ainda mais cruel para a vila Maria Zélia, demoliu todos os imóveis compardos para construir sua fábrica, que encontra-se no local até hoje, 2007. Porém, o pior ainda estaria por vir. O descaso com a história deixaria a vila em frangalhos. Falta de conservação geral, pois a vila operária Maria Zélia foi tombada em 1992 pelo Condephaat [Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo]. Grande parte de suas residências originais foram destruídas, foram descaracterizadas com construção de sobrados e, existem apenas algumas ruínas como as escolas, sapataria e o armazém. O movimento local se mobiliza para que aconteça um restauro na vila, para isso fundaram a Sociedade de Amigos da Vila Maria Zélia, em 1981, cujo intuito é de buscar recursos para o restauro dos casarões. Transformar as ruinas em oficinas e mostras culturais fazem parte da proposta da associação.

A vila pertence ao Plano Diretor Regional da Subprefeitura da Mooca - zona leste - e consta como Zona de Proteção Cultural. É muito difícil uma restauração do local, pois boa parte dos prédios são de propriedades do INSS - Instituto Nacional do Seguro Social -, e o instituto não aprova nenhum tipo de melhoria. Porém eis que uma luz surge no fim do túnel, o INSS concordou que uma análise técnica seja realizada para verificar as condições da estrutura, a partir daí saber se compensa o tão almejado restauro da histórica vila paulistana. Prefeitura já propôs o arrendamento junto ao órgão federal, através de STDS [Secretaria do Trabalho, Desenvolvimento e Solidariedade]. Mas, a burrocracia impera quando o assunto é cultura ou melhoria, pois como pertence a um órgão federal, é necessário firmar um acordo, assinado com uma carta de intenções entre os dois governos, só assim o terreno pode ser liberado. Enquanto isso, o contribuinte paga o salário dos advogados da união e da prefeitura, cujo interesse é ad-eternum para a pendenga. Ainda restaram 175 "casas", e cerca de 600 pessoas residem lá.

Quem conhceu a vila nos áureos tempos deve retornar e vêr em que foi transformada. Para quem não conheceu mas gosta dessa cidade e de sua história, visite-a no bairro do Belenzinho, na confluência das ruas, Cachoeira e rua dos Prazeres.

Conselheiro Crispiniano

Ele foi presidente de Minas Gerais, Rio de Janeiro e de São Paulo. Mas ficou
conhecido como conselheiro por ter sido sua última condição ocupada em 1871.

Essa rua, antes de chamar-se Conselheiro Crispiniano era mais uma daquelas vielas que surgiram no Morro do Chá, esse mesmo morro que iria dar origem ao atual Viaduto do Chá, em 1865. Sabe o que é que recorda o ano de 1865? A Guerra do Paraguai. Mas o que é que tem a Guerra do Paraguai com a nossa rua? Tem muita. Era presidente da província de São Paulo, nessa época, o Conselheiro Crispiniano Soares, um homem modesto que havia sido anos antes o porteiro do Conselho Geral da Província. De degrau em degrau esse notável lidador, que apesar de filho natural foi considerado um dos grandes do tempo, foi aluno da nossa Academia de Direito, em brilhante curso. Foi depois Juiz Municipal, fiel de Tesoureiro da Fazenda e Procurador Fiscal do Tesouro. Entrando na Política, o antigo porteiro foi eleito deputado provincial, juiz de paz depois, e ainda presidente da Câmara e, por incrível que pareça presidente da Província do Mato Grosso.

Mas não parou aí a vida política do Conselheiro Crispiniano: foi presidente de Minas Gerai, em 1863; do Rio, em 1864 e de São Paulo, em 1865. Mas ficou conhecido apenas como Conselheiro porque essa foi a sua última condição quando em 1871 novamente a ocupou. Mas o período mais aceso da vida do Conselheiro foi, como íamos dizendo, em 1865, pois foi nessa ocasião que ele organizou o primeiro batalhão de voluntários paulistas, tomando parte ativa nos combates de então. A rua que estamos tratando agora, recebeu o seu nome como homenagem muito justa. E lá está a placa que lhe recorda a vida. Uma rua curta, um antigo retalho no começo do vale do Anhangabaú, ao tempo que se cogitava lidar por um viaduto a rua Líbro Badaró com a Barão de Itapetininga sobre o abismo das duas ladeiras. Conselheiro Crispiniano faleceu em 1876, já era então um velho de barba rala, olhos papuços, enérgicos ainda, assemelhando-se pela cor da pele, ao pai Tomaz, da cabana, mas um Pai Tomaz ilustre, cheio de auréolas de luz na inteligência e na força de vontade. Acima, a Rua que leva seu nome, bem no coração de São Paulo, onde encontra-se material fotográficos.

 

Parque Shanghai: Cidade das diversões

 

Existia um tempo em que os paulistanos se divertiam sem medo. E foi no Parque Shanghai onde os privilegiados curtiram seus melhores dias. O povão, ficava praticamente na parte de fora, observavam através das grades

Começo dos anos 50 ao final de 1960, ainda fazia muito frio e a garôa caia sem parar na cidade de São Paulo. O Parque de Diversões Shanghai foi testemunha da elegância e romantismo daquela época. Era tradição: todo parque de diversões e circo da época tinham “a hora do rádio”. E foi exatamente neste ponto que o Shanghai conquistou os paulistanos. Um circo gigante com muitas atrações - inclusive internacionais-, e convidados famosos do porte de Orlando Dias, por quem as mocinhas deixavam cair lágrimas, abandonavam um pouco os bons modos e sussurravam baixinho despertando ciúmes em seus parceiros. O parque apresentava comediantes como Venâncio e Corumba, Piracy, cinema e restaurantes entre outros. Mas, a paquera talvez tenha sido o ponto mais forte do parque. A maçã do "amor " quando enviada para uma senhorita significava intensão de enamorá-la. O curioso era que a maçã deveria ser entregue primeiramente ao pai da moça e, somente depois, à destinatária. O rádio estava em pleno desenvolvimento. A Rádio Piratininga, São Paulo tinham interatividade com o parque: todas as atrações que por lá se apresentavam também iam parar no Parque Shanghai. Na chamada “hora do rádio", Músicas eram oferecidas para uma amiga ou esposo. Ninguém era afoito o suficiente para identificar de uma vêz sua pretendente. Sempre se usava um subterfúgio que vinha através da voz grave do locutor:: "José dedica essa canção com muito amor e carinho para senhorita de vestido vermelho e de laço branco no cabelo", informava.

A FAMA DO PARQUE

A elegância européia, específicamente, parisiense estavam presente nas "capas", sobretudo. A estrela da música espanhola., Sarita Montiel , de passagem para uma Avant-premier de seu filme - La Violetera, no cine Itapura, sentiu-se seduzida a conhecer o parque, denominado de "cidade das diversões. Para as crianças cavalinhos, palhaços-fofoletes, marionetes deixavam-nas de boca abertas. Auto "Robot" e carroussel. Os animais eram utilizados apenas para serem fotografados junto às crianças. Localizado na Várzea do Carmo - nas confluências das Av Passos e Avenida do Estado, o Parque Shanghai funcionou até meados dos anos 60, desapareceu não deixou vestígio. O circo que fora instalado às pressas - da noite para o dia -, não se sabe o nome de seu verdadeiro proprietário. Diziam chamar-se Walter. Segundo um morador das imediações, Rubens Francini, afirmou que tudo que ficou do Parque Xanghai quando de seu "sumiço" foi a enorme roda gigante de Viena. Ainda segundo Rubens, a roda teria sido construída em 1817, em Viena - Áustria e media 64 metros de altura, a estrutura de ferro pesava 430 toneladas, 61 metros de diâmetro e velocidade: 2,7 quilômetros por hora e pesava 245 toneladas. No aniversário de 4º centenário da cidade de São Paulo, em 1954, aquele que seria um dos grandes nomes do acordeon paulistano, Mário Zan, apresentou-se juntamente com "sua bandinha", apresentado por Ivo de Freitas. [Francisco Martins]
[Jornal A GAZETA - 1954]
EDITORIAS:
link da notíciaBy Equipe formasemeios, às 18:36  comentar

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