Revelando, imortalizando histórias e talentos
27.4.07

Obras de arte nas necrópoles

Uma pesquisa realizada pelo historiador Délio Freire dos Santos [morto em 2002] revela o interesse pelas visitas aos cemitérios, algo comum na Europa.

O Projeto Arte Tumular - da prefeitura de São Paulo, foi idealizado para apresentar aos paulistanos os cemitérios antigos de São Paulo, aqueles que ainda conservam acervos artísticos e históricos provenientes de épocas em que ainda era uma cidade muito diferente da São Paulo que se conhece hoje. Assim como os casarões, os cemitérios,, teatros, linhas férreas e monumentos construídos em meados do século XIX e início do XX , são testemunhas da história social da Paulicéia de antanho. Naquela época, a cultura do ouro verde, como era chamado o café, proporcionava vida opulenta a famílias que aqui se instalavam, vindas do interior do Estado e também de outros países em busca de novas possibilidades de trabalho ou para ampliação dos negócios e de suas fortunas, que traduzia o ideal de vida da elite paulistana, influenciada pela Bella Époque, hábitos parisienses, de forma que o afrancesamento e a europeização da arquitetura, festas, moda e convenções e também dos sepultamentos e ornamento dos túmulos conferiam à sociedade paulistana o ar cosmopolita, moderno e intelectual tão almejado. Os "campos Santos", como eram chamados os cemitérios, em meados do século XIX já substituíam as igrejas na prática de sepultamentos.

Não aos sepultamentos nas igrejas

A prática de sepultamentos em igrejas sempre foi muito contestada por médicos e sanitaristas na secunda década de 20. Influenciados pelas idéias positivistas e pelo iluminismo, estes, denominados de homens de letras entre os quais Líbero Badaró foram importantes colaboradores no debate acalorado em São Paulo, neste período, defendendo o fim dos sepultamentos nas igrejas por considerarem esta pratica nociva à saúde pública. Por este motivo, no ano de 1856 a Assembléia Legislativa Providencial de São Paulo aprovou o Primeiro Regulamento para os cemitérios da cidade de São Paulo. Cuja medida provocou vários protestos entre os praticantes do cristianismo que já tinham incorporado a tradição do sepultamento nas igrejas. Não adiantaram de nada os protestos, o regulamento passou a ser seguido. Em agosto de 1858, surgiu o Cemitério Municipal, que logo passaria ser chamado de Cemitério da Consolação. Localizado nos arrabaldes da cidade era condição ideal e dava garantia de salubridade na área urbana, na época, restrita á região que atualmente corresponde ao centro velho - ruas Direita, Quinze de Novembro e São Bento.

Perfil dos sepultados

No cemitério da Consolação, logo nos seus primeiros anos, eram sepultadas pessoas de todas as classes sociais: desde escravos e seus senhores, agregados, homens abastados e pobres e estrangeiros. Com a virada do século, o perfil dos sepultados passou a mudar, juntamente com os hábitos da população, que já se modificara, principalmente da elite afortunada. A tese era de que aquele que realizou em vida atividades de relevância para a sociedade, que contribuiu para à cidade, deveria ter uma morada à altura de sua importância social. Por este motivo as famílias e os amigos, a partir da primeira década do século XX, recorriam aos serviços de construtores e escultores de renome, sendo em sua maioria de origem italiana ou com formação na Europa, como Victor Brecheret, Luigi Brizzolara, Galileo Emendabili, entre outros, para construírem e ornamentarem os túmulos das ilustres personalidades. Esses jazigos [túmulos] ricamente ornamentados ou mesmo aqueles despojados testemunham fatos de real importância da história social de São Paulo e do Brasil. Revelam para conheciemnto os representantes da vida política e cultural, seus feitos e a repercussão na cidade.

Museu ao ar livre

O cemitério da Consolação pode-se dizer que é um museu a céu aberto.Túmulos de personalidades como Monteiro Lobato, Ramos de Azevedo, Tarsila do Amaral, José Bonifácio de Andrada e Silva {o Patriarca da Independência}, Antoninho da Rocha Marmo, Mário e Oswald de Andrade, e mais dezenas de obras de arte de escultores do século passado como Victor Brecheret, entre outros.
Ou seja, os amantes das artes plásticas, da história, da política, da música, das artes cênicas, da literatura e do turismo encontrarão nas necrópoles antigas surpresas e muitos motivos para deleite, assim como ocorre em grande cidades do mundo. O Serviço Funerário instituiu a visita monitorada aos túmulos de personalidades ilustres e às obras de arte tumular do cemitério da Consolação. O público alvo são estudantes, professores, pesquisadores, turistas, entre outros. É disponibilizado um monitor para dar informações sobre as obras de arte e a história de cada uma das personalidades sepultadas.


Visitas monitoradas
(11) 3247-7058 (Assessoria de Imprensa).

Arcângelo Ianelli

Desde cedo iniciou-se no desenho para, mais adiante, em 1940, dedicar-se a estudos de pintura, mural e afresco. Entre

1940 e 1960, desenvolveu uma pintura figurativa. Passou por lenta evolução e por diferentes fases, iniciando a abstração a partir de 1961.

Durante os anos de 1966 e 1967 vai para Europa em razão do Prêmio de Viagem ao Exterior. Participou ativamente do movimento artístico brasileiro como expositor, membro de júri, de comissões organizadoras de certames artísticos. A partir de 1974, quando realizou em São Paulo um mural em concreto de 20 metros de extensão, começou a trabalhar em maquetes para esculturas em mármore e madeira, tendo realizado, inúmeras além de vários painéis e murais. Recebeu nestes 60 anos de carreira artística diversos prêmios, entre eles, o Grande Prêmio da Bienal Latino-Americana do México, pelo qual concorriam 32 países. Conquistou em seguida o Grande Prêmio Internacional da Bienal de Cuenca, disputando com artistas de 38 países, obteve um dos dez maiores prêmios na Mostra Rio-Eco de 92, quando participaram concorrentes de toda a América Latina. Foi agraciado em 1964 com o Prêmio de Viagem ao Exterior do Salão Nacional de Arte Moderna, recebeu o Primeiro Prêmio de Pintura na II Bienal Nacional da Bahia; Prêmio Museu de Arte Moderna de São Paulo no Panorama da Arte Brasileira em 1973; o Prêmio Pesquisa do Ano e Prêmio Gonzaga Duque da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Paulista de Críticos de Arte, pela mostra retrospectiva no Rio de Janeiro e em São Paulo; e um outro concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte, pelo mural de concreto e relevo realizado na avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo.


Obras no acervo dos Museus de Kioto e Osaka no Japão

Sào váriod os museus que exibem obras de Ianelli como o Museus de Arte Moderna do México e de Roma; Museu Rufino Tamayo e Instituto Cultural Domecq, México; Museu de Arte Moderna La Tertúlia, em Cali, Colômbia; Museu de Belas Artes de Caracas, Venezuela; Museu de Arte de Toronto, Canadá; Museu de Skopje, antiga Iugoslávia; Museu de Arte da Universidade de Austin, Texas - Estados Unidos, Museu de Arte Moderna de Quito, Equador; da Bienal Internacional de Cuenca, Equador; Instituto de Arte Contemporânea e Centro de Estudos Brasileiros de Lima, Peru; Museu de Arte Americana de Maldonado, Uruguai; Art Gallery of Brazilian American Cultural Institute, Washington, bem como no acervo das embaixadas em Roma, México e Munique.

Acervos no Brasil:

Estes museus abrigam obras do artistas da rara belaza do artista: Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), Museu de Arte de São Paulo (MASP), Museu de Arte Contemporânea de São Paulo (MAC-USP), Museu de Arte Brasileira da Faculdade Armando Álvares Penteado (FAAP), Museu de Arte Contemporânea de Americana e Pinacoteca do Estado, São Paulo. Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ), Museu Nacional de Belas Artes, Museu Antônio Parreiras - Niterói (RJ), Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), Museu de Arte Moderna Aluísio Magalhães - Recife, Museu de Arte Contemporânea de Olinda, Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Museu de Arte do Rio Grande do Sul - Porto Alegre (MARGS) e o Museu do Artista Brasileiro em Brasília.

Exposições no Brasil e no Exterior

No exterior, realizou exposições na cidade do México, em Lima, Bogotá, El Salvador, Colômbia, Quito, Salerno, Bonn, Milão, Roma, Paris, Madri, Barranquilha, Cali, Munique, Baden-Baden, Washington, Nova York. Retrospectivas em Berlim na Staatliche Kunsthalle. No Brasil, apresentou retrospectivas no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) e Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ), Pinacoteca do Estado de São Paulo e de Santos, Museu de Arte Contemporânea do Paraná e na Casa Andrade Muricy, Curitiba. Participou de várias coletivas no exterior : Santiago, Caracas, Madri, Paris, Roma, Barcelona, Bogotá, Bonn, Baden-Baden, Hamburgo, Berlim, Viena, Londres, Bruxelas, Salzburg, Tel Aviv, Nurembergue, Lisboa, Porto, Washington, Nova York, Ontário, Cagnes-Sur-Mer, Buenos Aires, Tóquio, Kioto, Osaka, Liverkusen, Frankfurt, Haia, Montevidéu, Milão, São José da Costa Rica, Salerno e Quito. Bienais de São Paulo : VI, VII, VIII, IX, XII (Sala Especial), XIII (Sala Brasília) e XIX (Sala Especial) e XX; II Bienal Nacional da Bahia, II Bienal de Arte de Coltejer, Medelín, Colômbia (convidado), I Bienal Ibero-Americana, México, I Bienal Latino-Americana, Caracas, II Bienal Internacional de Pintura, Cuenca, Equador. [Francisco Martins]

Breve história da pintura


" A arte é o espírito que reflete a sociedade e sua época atual. Portanto, se os artistas não se manifestam o mundo entra em uma especie de letargia"

A Pintura faz companhia ao ser humano por toda a sua história. Mesmo que durante o período grego- clássico não tenha se desenvolvido tanto quanto outras artes, a escultura por exemplo.Também foi uma das principais formas de representação utilizada pelos povos medievais e do Renascimento, isso até meados do século XX. Porém, no inicío do século XIX com o crescimento da técnica de reprodução de imagens, graças à Revolução Industrial, a pintura de cavalete perde o espaço que tinha no mercado. Até então a gravura era única forma de reprodução de imagens, trabalho muitas vezes realizado pelos própios pintores. Com o advento da fotografia, a pintura de representação de imagens enfrenta uma competição difícil. Pois no século XX a pintura de cavalete se mantém através da difusão de galerias de arter. Mas a técnica da pintura continuou a ser valorizada por vários tipos de designers, ilustradores, estilistas e outros, especialmente na publicidade. Foi nessa época que várias formas de reprodução técnica surgem como o vídeo e diversos avanços na produção gráfica. Ao longo do século XX vários artistas fizeram experimentos com a pintura e a fotografia, criando colagens e gravuras, exemplo concreto os dadaístas e os fundadores do pop art, só para citarmos alguns. Mas é com a computação gráfica que a técnica da pintura se une completamente à fotografia. A imagem digital por ser composta por pixeis, é um suporte em que se pode misturar as técnicas de pintura, desenho, escultura (3d) e fotografia. A partir da revolução da arte moderna e das novas tecnologias, os pintores adaptaram técnicas tradicionais ou abandonaram elas, criando novas formas de representação e expressão visual.

Pintura figurativa e abstrata

Kandinsk, em sua obra Composition VI,1913, colocou em prática a verdadeira Abstração: Quando o artista pretende reproduzir em seu quadro uma realidade que lhe é familiar, como sua realidade natural e sensível ou sua realidade interna. O tema pode ser uma paisagem { natural ou imaginada} , uma natureza morta, uma cena mitológica ou cotidiana, mas independente disto a pintura manifestar-se-á como um conjunto de cores e luz. Esta foi praticamente a única abordagem dada ao problema em toda a arte ocidental até o início do século XX. A partir das pesquisas de Paul Cézanne os artistas perceberam que era possível lidar com realidades que não necessariamente as externas, ou seja, um dialogo com características dos elementos que são próprios da pintura, como a cor, a luz e o desenho. Com o aprofundamento destas pesquisas, mais uma vez cita-se Wassily Kandinsky que ousou e chegou à abstração total em 1917. A pintura abstrata não procura retratar objetos ou paisagens, pois está inserida em uma realidade própria. Entretanto, esta abstração pode ser construída, manifestando-se em uma realidade concreta porém artificial. Esta foi a abordagem dos construtivistas e de movimentos similares. Já os expressionistas abstratos como Jackson Pollock, [acima] não construíam a realidade mas encontravam-na ao acaso. Este tipo de pintura abstrata resulta diametralmente oposta à primeira: enquanto aquela buscava uma certa racionalidade e expressa apenas as relações estéticas do quadro, esta é normalmente caótica e expressa o instinto e sensações do artista quando no momento da pintura da obra.

Algumas técnicas
Enquanto técnica, a Pintura envolve um determinado meio de manifestação, a superfície onde ela será produzida -, e um material para lidar com os pigmentos e os vários tipos de pincéis e tintas. A escolha dos materiais e técnica adequadas está mais diretamente ligada ao resultado final desejado para o trabalho como se pretende que ele seja entendido. Desta forma, a análise de qualquer obra artística passa pela identificação do suporte e da técnica utilizadas. O suporte mais comum é a tela, normalmente, uma superfície de madeira coberta por algum tipo de tecido. O papel, embora seja muito pouco adequado à maior parte das tintas, é mais utilizado para aquarela e o guache, e eventualmente para a tinta acrílica. A aquarela por exemplo, apareceu no ocidente através das obras dos inglêses Thomas Girtin e Joseph Turner, no século XVIII. Uma espécie de tinta aguada, cujos pigmentos são misturados, geralmente à goma arábica, solúveis em água, caracteriza-se pela impressão de transparencia e suavidade da figura ou motivo. A luminosidade da aquarela é obtida através da cor do suporte, o papel. Exatamente ao contrário da pintura a óleo, em que a luz é obtida pela aplicação de cores claras, enquanto na aquarela o tom escuro é obtido por meio de veladuras ou por camadas superpostas. Técnicas como Água-Forte foi utilizada por vários pintores famosos como Goya, Portinari entre outros. A técinica consiste em gravura a traço ou entalhamento que empregam-se a cera e o ácido nítrico para fixação de desenho sobre metal [usualmente cobre]. O desenho é realizado com ponta metálica, recobrindo-se antes a placa com um verniz protetor. Já Água-Tinta, é uma decomposição dada ao processo ou técnica de gravuras em metal [calcografia], cujo desenho pode ser feito com busil ou ponta-secas, destinado-se à obtensão de efeitos de tonalidades. Após o desenho, a chapa-matriz é recoberta com uma canmada de resina em pó, e aquecida a fim de que a resina constitua uma superfície resistente. Depois submete-se a placa à ação de ácido que corrói somente as partes não resinadas. [Francisco Martins]
EDITORIAS:
link da notíciaBy Equipe formasemeios, às 23:35  comentar

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