Revelando, imortalizando histórias e talentos
26.12.08

 

 

Fernando Lemos: atraido pelo surrealismo

Português morando no bairro do Butantã, São Paulo, tem em 2009 e início de 2010 cheios de compromissos nacionais e internacionais. Será revisitado por inteiro até a editora Giroflé. Lemos pretende lançar "Percurso", uma obra gigante que compila sua trajetória de designer, fotógrafo e artista plástico.

 
Conceituado artista plástico e fotógrafo Fernando lemos, 82, nasceu em 3 de maio de 1926, em Campo Ourique, bairro de Lisboa, Portugal, período em que o movimento salazarista ganhava força no País. Em1953, fugindo do regime salazarista, faz sua primeira viagem ao Brasil e fixou residência por apenas um ano no Rio de Janeiro. Lá, ele se integrou à personalidades como Rubem Braga e Vinícius de Moraes. Em 1954 mudou-se para São Paulo, e colaborou nos preparativos do Quartocentenário da cidade. Nessa época travou contato com Wllys de Castro, Geraldo de Barros e German Lorca e o fotógrafo Thomaz Farkas. Lemos tem uma identidade profissional muito forte e única, faz fotografia como se as pintassem e pinta como se fizesse desenho. Usa toda a liberdade do surrealismo ao extremo. O contato com fotógrafos como Thomaz Farkas [leia ex-fotoptica] e Geraldo de Barros aparentemente deu mais asas à cabeça libertária de Lemos. Isso cria sempre um dilema na hora de classificá-lo, é difícil achar um lugar para excaixá-lo. Provavelmente, o mais normal para classificar seu trabalho seria ao que hoje se chama de 'multimídia'. De seu ateliê no Bairro do Butantã, a seu modo simplório, Lemos vai obtendo o merecido reconhecimento do seu trabalho como forma de recompensar tantos sacrifícios.

Polêmica /agenda 2009/2001

Em 1952 fez uma polêmica mostra na Casa Jalco, uma loja de móveis em Lisboa com suas experiências em fotografias iniciadas em 1949. Além de Lemos, Marcelino Vespeira e Fernando Azevedo participaram da mostra. Eram fotos com poses nada convencionais além de sobreposições de imagens de amigos como dos escritores Sophia de Mello Breyner e Jorge de Sena e da pintora Maria Helena Vieira da Silva. Gerou um certo mal estar, principalmente para o dono da loja. Seu marco no modernismo da fotografia lusitana seria reconhecido mais tarde logo após a Revolução dos Cravos.
No ano de 1957, ganhou seu primeiro premio no Brasil, Melhor Desenhista Nacional da 4* Bienal de São Paulo. Em 1963 fundou a editora infantil Giroflé, com grande reconhecimento editorial no País. 1965, ele ganha uma sala especial para a 8* Bienal de São Paulo.
Em outubro de 1968, a "Batalha da Maria Antonia", foi acusado de participar de grupos esquerdistas brasileiros, então, perde seu emprego na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - da Faculdade de São Paulo.
Já no ano de 1974 ele retorna à Lisboa, e com a vitória da Revolução dos Cravos, que deu fim ao regime de Salazar, tem seu trabalho revisto em Portugal. Fotos de sua produção surrealista receberam exposição no Centro Cultural Português, da Fundação Gulbekian. Com a descoberta de sua arte pelos portugueses, uma grande retrospectiva foi montada na Calouste Gulbekian, também em Lisboa.
No ano de 2004 a Pinacoteca do Estado de São Paulo realizou a mostra " À Sombra da Luz - À Luz da Sombra".
Em 2008 participa da Photobiennale de Moscou, onde apresentou sua produção dos anos 1940 e 1950; e recebe também o Premio Bannif, Lisboa.
Uma vasta programação sobre seu trabalho está prevista para o final deste ano e início de 2010, em Portugal, Espanha e no Brasil. No final desse ano de 2009 ao início de 2010, uma mostra e inauguração de um museu dedicado a fotografia em Tennerife, Ilhas Canárias;
Outra exposições, No final de 2009, no Museu da Eletricidade em Lisboa, consta na agenda do artista, e será com suas fotos surrealistas. A mesma mostra poderá ser montada na Pinacoteca de São Paulo.

Também está na agenda de 2009 o lançamento de uma compilação em edição bilingue [Português/ Inglês] com as obras de Fernando Lemos. As primeiras edições de sua editora Giroflé, fundada em 1963, com os patrícios portugueses Sidónio Muralha e Fernando Correia da Silva, serão relançados por outra editora. O livro de maior tiragem da Giroflé foi " A Televisão da Bicharada". [Fotos: fernandolemos.org/php]
 
 
 
KBOCO - dos muros à elite da arte
 
Sem dúvida o talentoso precisa de um punhado de sorte também. Não só a perseverança e técnica no trabalho o faz ser reconhecido. Além de amizades importantes, é preciso encontrar um diretor que goste de paçoca, como Emanuel Araújo, diretor do Museu Afro-Brasil.


Kboco é um artista que conta com os ingredientes necessários, talento, sorte e perseverança. Depois de grafitar muros em Goiânia e Olinda, PE, entra para o roll das galerias chiques de São Paulo. Márcio Mendanha de Queiroz, o popular Kboco, nasceu em Goiânia em 6 de novembro de 1978, e a três anos mudou-se para São Paulo, especificamente para Vila Sônia, zona oeste. Seu trabalho aliado a perseverança cativaram curadores e alguns desafetos da street art [arte de rua]. Ao expor na Bienal de Valência, Espanha, ele deixou a Galeria Choque Cultural, especializada em mostras de grafites, e foi parar nas galerias dos jardins ao lado de ilustres figuras das artes plásticas. Segundo Kboco ele agora está no ambiente que buscava. " O pessoal da Choque Cultural era todo tatuado e ouvia o mesmo som que eu, mas depois eu vi que aquela cena era roubada" declarou Kboco à Folha de São Paulo.
Desde os 13 anos que ele faz grafite, mas seu primeiro contato deu-se ao acompanhar sua mãe para comprar telas na feira hippie. Estudou pintura, e passou a pintar com influências geométricas. Mas, dentro de seu apertado ateliê, livros, embalagens de papéis de balas japonesas [presenteadas por Emanuel Araújo] e diários visuais de arte de rua ao redor do mundo ajudam a compor suas telas. O artista utiliza em seus desenhos formas arabescas, geométricas e, principalmente, as cores variantes entre o sertão goiano e o africano. O tom colorido de sua arte chamou atenção tanto das rodinhas do submundo quanto as regadas a champanhe, atual metiê. Ele fugiu do blockbuster de arte de rua, e agora integra os 'bagulhos', mostras na gíria de artista de rua.
Sortudo
Além de boa técnica, Kboco contou também com a sorte grande por duas vezes. Primeiro porque o renomado artista plástico Emanuel Araújo, ex-diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo e atualmente diretor do Museu Afro-Brasil, adora as paçocas feitas pela mãe do artista, que o presenteia. A segunda participação da sorte em sua vida foi a feliz coincidência de um vizinho de Emanuel Araújo, o curador do MAM [Museu de Arte Moderna] Felipe Chaimovich ao ver um mural do artista em Goiânia fez o convite para que ele reproduzisse a obra nas paredes do MAM, no Parque do Ibirapuera, São Paulo. Ou seja, Kboco veio para São Paulo respaldado de boas amizades. Cheio de moral. Ele está contente com a nova vida de artista dos jardins, e manda um recado aos brothers [irmãos] de ruas "Eles pensam que estou passando fome só porque sai da cena, não estou não. Estou mais underground que antes",afirma Kboco. Apesar de não passar necessidades, e freqüentar o bairro nobre com IPTU mais caro do município, ele ainda luta com as goteiras e a queda dos azulejos provenientes de infiltrações na cozinha de sua casa.

Agenda garantida
Para junho de 2009 ele já garantiu uma exposição individual na maior feira de arte do mundo, a Art Basel, na Suíça. Essa é a entrada poderosa para qualquer artista se fixar no mercado mundial. Caso contrário tornar-se a mero artista de suvenir de rua.

Principais mostras
Panorama das Artes - MAM /SP 2005
Território Ocupado - Museu Afro-Brasileiro - 2007
Bienal de Valência - Espanha - 2007
"I Legítimo" Paço das Artes - São Paulo - 2008
Brighton - Inglaterra - 2006
 
EDITORIAS:
link da notíciaBy Equipe formasemeios, às 14:12  comentar

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