Revelando, imortalizando histórias e talentos
10.1.09
 
 
O Repórter Esso, na voz de Heron Domingues, da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, foi o primeiro a noticiar a morte da Pequena Notável. Carmen nunca mais voltaria à terra natal, o que não impediu que a câmara municipal do Marco de Canaveses desse seu nome ao museu municipal. As comemorações de seu centenário inicia-se em 9 /02/2009.

Nascida na freguesia de Várzea da Ovelha e Aliviada, conselho de Marco de Canaveses, em Portugal, Maria do Carmo Miranda da Cunha ou simplesmente Carmen Miranda, apelido que ganhou no Brasil, graças ao gosto que seu pai tinha por óperas. Ela era a segunda filha de José Maria Pinto Cunha, barbeiro, {1887 – 1938} e de Maria Emília Miranda {1886 – 1971}. Seu pai imigrou primeiro para o Brasil e instalou-se no Rio de Janeiro. Em 1910, sua mãe, Maria Emília, acompanhada da filha mais velha, Olinda e de Carmen, que tinha um ano de idade, e viriam se juntar a José Maria esposo e pai respectivamente. José Maria abriu um salão de barbeiro na rua da Misericórdia, 70, em sociedade com um conterrâneo, e a família passou a morar no sobrado acima do salão. E mais tarde mudariam-se para a rua Joaquim Silva, 53, na Lapa. No Brasil nasceram os outros filhos do casal: Amaro - 1911, Cecília -1913-, Aurora -1915 – 2005 e Oscar -1916.
Carmen Miranda fez seus estudos na escola Santa Teresa, na rua da Lapa, 24. Quando tinha 14 anos arranjou seu primeiro emprego, em uma loja especializada em gravatas, e depois em uma chapelaria ganhando 40.000 réis por dia. Cometam que foi demitida por passar a maior parte do tempo cantando. Nesse período, a família Miranda da Cunha sairia da Lapa e iriam residir em um sobrado na Travessa do Comércio, 13. No ano de 1926, Carmen já tentava a carreira de artista, e apareceu em uma fotografia na seção de cinema do jornalista Pedro Lima, da revista Selecta. Então em 1929, foi apresentada ao compositor Josué de Barros que se encantou com seu talento e passou a promovê-la em gravadoras, teatros. Naquele mesmo ano gravaria pela gravadora alemã Brunswick os primeiros discos com ‘Não Vá Sim'bora’, um samba, e o choro ‘Se O Samba é Moda’. Já pela gravadora Victor, gravou ‘Triste Jandaia’ e ‘Dona Balbina’.

O começo da carreira artística

O primeiro sucesso de Carmen Miranda viria em 1930, com a marcha "Pra Você Gostar de Mim" {"Taí"}, de Joubert de Carvalho. Porém, antes do fim do ano, já era apontada pelo jornal O País como a maior cantora brasileira. Em 1933 impulsiona a carreira artística de sua irmã Aurora. No mesmo ano, Carmen assina um contrato de dois anos com a rádio Mayrink Veiga, e ganharia dois contos de réis ao mês. Foi a primeira cantora de rádio a merecer contrato, quando o habitual era o cachê por participação. Em 30 de outubro do de 1930, realiza sua primeira turnê internacional, apresentando-se em Buenos Aires. Ela voltaria à Argentina no ano seguinte, para uma temporada de um mês na Rádio Belgrano.

Carreira cinematográfica no Brasil

Em 20 de janeiro de 1936 estreou no cinema com ‘Alô, Alô Carnaval’, ao lado de sua irmão Aurora, em que aparecem na famosa seqüência em que cantam "Cantoras do Rádio". No mesmo ano, as irmãs passam a integrar o elenco do Cassino da Urca, propriedade de Joaquim Rolla. A partir daí se dividem entre o palco do cassino e excursões freqüentes aos diversos estados brasileiros e à Argentina. Quando de uma apresentação para o astro Tyrone Power, teve a chance de uma carreira nos Estados Unidos. Em pleno ano de 1938, Carmen recebia um salário de 30 contos de réis mensais no Cassino da Urca, logo não sentiu-se atraída pelos EUA. No ano seguinte Shubert aporta no Rio de Janeiro juntamente com a atriz Sonja Henie e assinam contrato com o cassino da Urca, mas ele estava interessado em Carmen, que então assina contrato para atuar nos EUA, mas a cantora fez questão de levar o Bando da Lua para a acompanha-la.

O começo da consagração

 

 


Sua consagração começaria em 29 de maio de 1939, quando filmou ‘The Gang's All Here’ e também estrearia na revista "Streets of Paris", em Boston. O êxito de sua estréia fez a imprensa norte-americana se render à sensualidade e ao talento da cantora luso-brasileira. Ao desembarcar em Nova Iorque declarou: "Vocês verão principalmente que sou cantora e tenho ritmo". As participações teatrais de Carmen aumentam a medida em que cresce o seu reconhecimento. Em 5 de março de 1940 se apresenta durante um banquete oferecido ao presidente Franklin Delano Roosevelt, na Casa Branca - Washington. Em 10 de julho retorna ao Brasil, onde é recebida com enorme ovação pela população carioca. Entretanto, na sua apresentação para a cúpula do Estado Novo no Cassino da Urca, ela é apupada pelo grupo germanista do governo, que via em Carmen Miranda uma influência muito "americanizada". Isso lhe magoaria. No mesmo mês gravou seus últimos discos no Brasil, e respondeu com bom humor às acusações de ter esquecido o País. Em 3 de outubro, ela volta aos Estados Unidos da América, e imprime a marca de seus sapatos e mãos na Calçada da Fama do Chinese Theatre, de Los Angeles. Entre os anos de 1942 e 1953 Carmen Miranda atuou em 13 filmes em Hollywood e participou dos mais importantes programas de rádio, televisão, cassinos e casas noturnas e teatros norte-americanos.

Vida amorosa mal sucedida

Ela manteve romances com vários astros de Hollywood como por exemplo os atores John Wayne e Dana Andrews. No fim da Segunda Guerra Mundial, 1946, Carmen é a artista mais bem paga de Hollywood e por conseqüência a mulher que mais paga imposto de renda nos EUA. Em 17 de março de 1947 casou-se com David Sebastian, norte-americano nascido em Detroit a 23 de novembro de 1908, um fracassado funcionário de uma produtora de cinema, e começaria ali a decadência física da notável, inclusive ao álcool, do qual ela também logo se tornaria dependente. O casamento dava sinal de crise logo nos primeiros meses, mas muito católica que era, não aceitava o divórcio. Em 1948 engravida de David, e sofre um aborto espontâneo depois de uma apresentação. Seu vício não pararia somente no álcool, tornaria totalmente dependente de barbitúricos – isso vinha desde o início de sua carreira nos EUA. Carmen Miranda adquiria as drogas com receitas obtidas legalmente e não percebia os seus efeitos, e usava em quantidades cada vez maiores. O passo seguinte seria potencializar-se como usuária de tabaco e álcool e das drogas.

A morte nos EUA

Em 3 de dezembro de 1954, após uma ausência de 14 anos ela retorna ao Brasil, e está sofrendo os efeitos da dependência química. É internada em uma suíte do Copacabana Palace Hotel, onde fica quatro meses. O seu médico brasileiro constata a dependência química e tenta desintoxicá-la. Ela melhora, porém não abandonou completamente os remédios, o álcool e o cigarro. Ligeiramente recuperada, Carmen retorna para os EUA em 4 de abril de 1955. Imediatamente volta às apresentações. Faz uma turnê por Las Vegas e Cuba entre nos meses de maio e agosto, e volta a fazer uso dos barbitúrico. No início de agosto, ao gravar uma participação especial no programa televisivo do comediante Jimmy Durante, um número de dança sofre um ligeiro desmaio e desequilibra-se e cai, amparada por Durante. Recupera-se e termina o número. Na mesma noite, recebe amigos em sua residência em Beverly Hills, à Bedford Drive, 616. Por volta das duas da manhã, após beber e cantar algumas canções para os amigos presentes, ela sobe para seu quarto, acende um cigarro e começa a se preparar para dormir. Retira a maquiagem, veste um robe e caminha rumo à cama com um pequeno espelho à mão. Um colapso cardíaco fulminante derrubou Carmen Miranda, que caiu morta sobre o chão. Seu corpo foi encontrado pela empregada na mesma noite do dia 5 de agosto de 1955. Tinha 46 anos.

Em 12 de agosto de 1955 seu corpo embalsamado desembarcou de um avião no Rio de Janeiro, e 60 mil pessoas compareceram ao seu velório, realizado no saguão da Câmara Municipal, e dali o cortejo seguiria para o Cemitério São João Batista, e acompanhado por cerca de meio milhão de pessoas que cantavam esporadicamente sua canção 'Taí". No ano seguinte, o prefeito do Rio de Janeiro - capital do Brasil na época -, Francisco Negrão de Lima assinou decreto que criava o Museu Carmen Miranda, inaugurado em 1976 no Aterro do Flamengo. Em 9 de fevereiro de 2009 comemoram-se os 100 anos de seu nascimento. [Fausto Visconde / Francisco Martins –
agenciafm@gmail.com
 
 
{Arte do artista plástico e compositor Edson Fernandez: edsonshow@ig.com.br }
 

 
MUSEU
 
Rua Rui Barbosa, alt, 560
[21] 2299-5586 -
Pq do Flamengo -
 
 

Edgar Allan Poe: 200 anos

 
Escritor de "O Corvo" e " O Coração Denunciador" faz 200 anos de seu nascimento e ainda mantém grande influência na literatura atual. Foi um personagem entregue às manias, vícios etc. Até Machado de Assis bebeu na fonte de Poe.
 

Dia 19 de janeiro de 2009 serão comemorados os 200 anos de nascimento do escritor Edgar Allan Poe. Ele deixou um grande legado à literatura sendo seus rastros identificados no trabalho de diversos escritores. Obras de grandes autores que o sucederam como Kafka, Henry James, Rimbaud, Baudelaire, Thomas Mann, Machado de Assis [ Os Bruxos de Cosme Velho - quase uma tradução de O Corvo ], Fernando Pessoa, Nabokov entre outros beberam na fonte não só da literatura fantástica de Poe, sem o qual a literatura seria quase inconcebível. Poe escreveu os primeiros exemplos de narrativa cientifica e também moderna poesia, o romance policial pedagógico, como o romance 'Os Assassinatos da Rua Morgan', cujo principal personagem é o investigador Auguste Dupin. Teve Como maior interprete Bela Lugosi.
Edgar Allan Poe nasceu no de uma família escocesa-irlandesa, era filho do ator David Poe Jr., que abandonou a família em 1810, e da actriz Elizabeth Arnold Hopkins Poe, que morreu de tuberculose em 1811, ele ficou órfão muito cedo. Conheceu a pobreza e passou levar uma vida muito atribulada sem vínculos familiares ou amizades. Morreu aos 40 anos e os motivos sinalizam para misturas de drogas e álcool. Ele foi como um personagem construído para se abandonar às manias, neuroses e vícios. Era como se a verdade gerasse tormentos para ele. Após ser acatado pelo empresário de sobrenome Allan, ele foi estudar na Universidade de Virgínia, EUA. Lá, iniciou uma vida de bebedeira e jogatina e dívidas. O álcool marcaria toda sua carreira: constantes trocas de moradias e empregos em jornais e projetos que não saiam do papel, onde colocava o que gostaria que pensassem sobre ele: uma pessoa bem nascida e educada no exterior que teria levado uma vida fantástica tanto quanto de Arthur Gordon Pym, de 1.838.
Poe, autor de contos como "A Queda da Casa de Usher" colecionou desafetos e infortúnios. Depois de um dia tumultuado fora levado para um hospital, no dia 7 de outubro de 1849, onde teria balbuciado " Senhor ajudai minha pobre alma". A verdadeira causa de sua morte nunca foi definitiva. São várias as hipóteses: sífilis, diabetes, doenças cerebrais ou raiva. O motivo mais provável é que sua morte foi causada pela bebida. Edgar Allan Poe nasceu em Boston, 19 de janeiro de 1809 e faleceu em Baltimore, 7 de Outubro de 1849.

Poe nas artes

Sua primeira obra foi adaptada para o cinema exatamente há cem anos, "O Poço e o Pêndulo" 1909, por Henri Desfontaines. De lá para cá alguns honraram e outros maltrataram as obras de Edgar Allan Poe. Bunuel assinou o roteiro de "A Queda da Casa de Usher", 1928, dirigido por Jean Epstein, e Fellini, dirigiu Toby Dammit, 1960. Roger Corman, nos mesmos anos 60, adaptou várias obras de Poe entre eles > " A Máscara da Morte Rubra"e o "Corvo" seu texto mais adaptado para o cinema. Um pouco mais recente, Roger Vadim dirigiu "Histórias Extraordinárias".
Em 1920, uma peça inacabada de Debussy baseada na obra literária de Allan Poe " A Queda da Casa de Usher", foi fonte de inspiração para o músico minimalista Philip Glass que fez uma versão cuja première fora feita no Brasil, em 1980. Uma versão de 2006, feita pela inglesa Phyllida Lloyd, utilizada recentemente na trilha do filme Mamma Mia ! sobre a vida do grupo sueco Abba, é mais recomendável do que a de Glass.
Para 2009 Sylvester ‘rambo’ Stallone promete uma cinebiografia de Poe para o cinema, com roteiro do próprio Stallone. O ator convidou Stanley Kubrick , Roman Polanski para dirigir a película, mas nenhum se agradaram do leram. Sobrou todas as funções para ele mesmo.

No Brasil
O grupo teatral Cia. o Grito [Roberto Moretho, Alessandro Hernandez e Lela Rapozo], estão preparando uma montagem: Poe, Edgar, com estreia prevista para maio, em São Paulo. O ponto inicial da peça são os trabalhos " O Corvo", "Os Assassinos da Rua Morgan e " O Gato Preto". Durante a encenação o grupo planeja projetar imagens dos longas.
 

 

100 anos de Patativa do Assaré

 
Patativa do Assaré é uma das principais figuras mais representativas da música do Nordeste do País do século XX, um sujeito regional e universal ao mesmo tempo.

Antonio Gonçalves da Silva, nasceu em Assaré, Caerá, em 5 de março de 1909. Nascido em uma família humilde que viviam da agricultura de subsistência. Logo cedo ficou cego de um olho por causa de uma doença e aos novo orfão de pai, ele passa a ajudar sua família no cultivo das terras. Quando fez 12 anos, foi pela primeira vez à escola, sendo alfabetizado por apenas alguns meses. Foi a partir dessa época que se interessou pelo repente, passando a se apresentar em festas.
O pseudônimo Patativa, surgiu quando tinha 20 anos, por ser sua poesia comparável à beleza do canto da ave. Foi no Crato, sul do Estado do Ceará, onde participava do programa da rádio Araripe, declamando seus poemas. Em uma de suas apresentações é ouvido por José Arraes de Alencar que, convencido de seu potencial, passa a lhe dar o apoio e o incentivo para a sua primeira publicação Inspiração Nordestina, 1.956, com reedição em 1967 dessa vez com título de Cantos do Patativa. Lança em 1970 a coletânea de poemas, Patativa do Assaré: novos poemas comentados, e em 1978, Cante lá que eu canto cá. Entre os anos de 1988 a 1994 foram lançados os seguintes livros: Ispinho e Fulô e Aqui tem coisa. Foi casado com Belinha, com quem teve nove filhos. Faleceu na mesma cidade onde nasceu. O poeta obteve popularidade nacional, e é detentor de diversas premiações, títulos e homenagens como Doutor Honoris Causa, pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, SBPC, em Fortaleza,1977 e Prêmio do Ministério da Cultura na categoria Cultura Popular entregue pelo então Presidente da República Fernando Henrique Cardoso e em Assaré, Ceará foi inaugurado o Memorial Patativa do Assaré, 1999.

Estilo

Seu trabalho se distingue pela marcante característica da oralidade. São poemas feitos e guardados na memória, para depois serem recitados. Vem daí o impressionante poder de memória de Patativa, capaz de recitar qualquer um de seus poemas, mesmo após os noventa anos de idade. Sua entonação, voz, ritmo, pausas e o pigarro além da linguagem corporal através de expressões faciais, perdem quando transcritas para parte gráfica. Patativa transitava entre todos os campos com facilidade camaleônica e capacidade.
Sua criação intelectual ainda está por ser totalmente compreendidas pelos acadêmico. É uma obra dimensionada tanto na estética quanto política. Aborda diferentes temas e outras vertentes, sempre com temática de um social-militante. Ele evoca a telúrica, filosofia, religiosa, o lirismo e um humor ácido. Tentar categorizar a obra de Patativa do Assaré não é missão fácil, pois muitas vezes são subjetivas e sem base teórica. Estes, em grande parte, baseados preconceitos e em pressuposições que direcionam a dois extremos; a idealizada do mito e a exclusão pela classe social, escolaridade entre outras. Vários eventos em comemoração aos 100 anos, entre eles um documentário “Ave Poesia” de Rosemberg Cariry. O poeta era casado com Belarmina Cidrão {Belinha} com que teve 9 filhos, faleceu em 8 de julho de 2002 em sua terra natal. {No alto, Patativa, Belinha e Rosemberg Cariry}.
 
EDITORIAS:
link da notíciaBy Equipe formasemeios, às 21:12  comentar

De Fernando Antônio de Oliveira a 29 de Janeiro de 2009 às 21:00
É muito bom mostrar para as novas gerações, em um país sem memória como o nosso, quem foi a “grande” “Pequena Notável”.
Ano passado editei uma revista sobre a vida e a obra do grande compositor Alcyr Pires Vermelho, autor de várias canções interpretadas por Carmem (Paris, Vingança, A Vizinha das Vantagens, E a festa Maria? - http://br.geocities.com/bommotivobar/GravacoesRaras/GravacoesCarmenMiranda.htm),
inclusive um de seus maiores sucessos... “Tic Tac do meu Coração”.
Durante as pesquisas para a revista, tive o privilégio de conhecer o universo musical desta grande brasileira.
Parabéns pelo belo post!
Fernandão
http://alcyrvermelho.blogspot.com/
http://bloguetando.blogspot.com/

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