Revelando, imortalizando histórias e talentos
11.7.09

João Rubinato, mais conhecido por Adoniran Barbosa, adotou o pseudônimo em 1935, em homenagem aos dois amigos Adoniran Alves e Luís Barbosa. Com o sucesso de "Saudosa Maloca" ele comprou um terreno na Cidade Ademar, zona sul paulistana, e com o dinheiro de "Trem das Onze" construiu sua casa no terreno.


Nascido em Valinhos, interior do Estado de São Paulo, em 6 de agosto de 1910, o sétimo filho de um casal de imigrantes italianos, vindos de Veneza. Ainda menino, mudou-se com a família para Jundiaí, interior de São Paulo, onde estudou, um tanto quanto forçado até o terceiro ano primário. Foi no tempo de escola que ele começou a trabalhar como ajudante do pai no carregamento de vagões da Estrada de Ferro São Paulo Railway. Depois desenvolveria vários ofícios como entregador de marmitas e varredor em uma fábrica de tecidos. No anos de 1924, por causa da Revolução, sua família mudou-se para Santo André, Grande São Paulo {ABC} onde continuou como um faz-de-tudo: foi tecelão, pintor, encanador, serralheiro e garçom, na casa do então Ministro da Guerra, Pandiá Calógeras. Depois, fez o curso de metalúrgico ajustador, no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, mas não se deu bem na nova profissão: o esmerilhamento do ferro prejudicava-lhe os pulmões. Procurou outros trabalhos: mascate, vendendor meias, e em sua caminhada Adoniran Barbosa seguia cantando.

Caixa de fósforo

Sua primeira parceria foi com uma caixa de fósforos haja vista que andava sempre batucando-a. Dessa época, os sambas "Minha vida se consome", parceria com Pedrinho Romano e Viriato dos Santos, e "Socorro", outra composição com Pedrinho Romano. De emprego novo, em uma loja de ferragens, ele passava obrigatoriamente pela Rádio Cruzeiro do Sul. Ali, ficou conhecendo alguns artistas. Todo sábado Adoniran participava do programa de calouros da Rádio e, depois de muito tentar, finalmente foi aprovado no programa de Jorge Amaral, em 1933, cantando 'Filosofia', de Noel Rosa. Sua extensão vocal curta e rouca não era nada atraente na época em que se destacavam nomes como Mário Reis e Francisco Alves. Então, ele passou a cantar em um programa semanal com duração de 15 minutos, acompanhado por conjunto regional. No repertório, sambas de outros compositores mas, sendo uma espécie de 'disc jockey', sempre que possível deixava escapar um ‘sambinha’ de sua autoria. Em 1935, Adoniran ganhou o concurso carnavalesco da Prefeitura de São Paulo com a marchinha "Dona Boa", composta em parceria com Jota Aimberê. O dinheiro do prêmio, que seria para comprar um paletó, foi gasto na comemoração com os amigos. "Dona Boa" foi a primeira composição de Adoniran a ser gravada, na gravadora Columbia, por Raul Torres. Nesse ano, compôs ainda em parceria com Totó, o samba "É cedo"; com Pedrinho Romano "Teu orgulho acabou" e com J. Moura Vasconcelos a marcha "Teu sorriso".Animador de programas Adoniran passaria a trabalhar na Rádio Cruzeiro do Sul como cantor e animador de 1935 a 1940, enquanto continuava a compor, e em 1936, compôs "Agora podes chorar"; "Pra esquecer" e "Se meu balão não se queimar" com Nicolini; "Um amor que já passou", com Frazão; "Chega", parceria com José Marcílio; e "Malandro triste", com Mário Silva. Em 1937, as composições "Adeus, escola...",parceria com Ari Machado e Nilo Silva, "A Canoa Virou" e "Você é a melhor do mundo", com Raimundo Chaves, "Não me deu Satisfações" e "Você tem um jeitinho", com Nicolini. No ano de 1938, somente uma composição "Mamão", em parceria com Paulo Noronha e Raimundo Chaves.

Personagens

No ano de 1941, levado por Otávio Gabus Mendes, Adoniran Barbosa foi para a Rádio Record, lá fez radioteatro na série chamada 'Serões Domingueiros'. Em uma das apresentações conheceu Osvaldo Molles, que apresentava o programa 'Casa da Sogra'. Molles foi o inventor de alguns personagens para Adoniran que ficaram famosos na época: o malandro Zé Cunversa, o judeu de prestações Moisés Rabinovic, o galã do cinema francês Jean Rubinet - inspirado no nome de batismo de Adoniran, João Rubinato, mais o motorista italiano Perna Fina, o professor de inglês Mr. Morris, o moleque Barbosinha Mal-Educado da Silva e Charutinho, que era o mais identificado com a figura de Adoniran Barbosa. A linguagem desses personagens populares acabou influenciando as composições de Adoniran. Conheceu, então, o conjunto Demônios da Garoa e começaram a trabalhar juntos: formaram uma bandinha para animar as torcidas, nos jogos de futebol promovidos pelos artistas de rádio do interior paulista.

 


Negrito
Década de 50 e demônios


Em 1945, em parceria com Avaré a canção "Grande Bahia"; participou do filme nacional "Pif-paf", dirigido por Ademar Gonzaga. Já no ano de 1946, sob direção de Ademar Gonzaga, atuou no filme "Caídos do céu", e em 1952, participou do filme "O Cangaceiro", dirigido por Lima Barreto. Atuou também na TV: em novelas televisivas e programas humorísticos da TV Record, São Paulo, como 'Papai sabe nada' e 'Ceará contra 007'.
Sua carreira estava redimensionada, mas ele continuava as composições: compôs, com Armando Rosas, a marcha "Salve, oh! Gilda!" e com Ivo de Freitas, o cateretê "Tô com a cara torta". Ele era agora bem-sucedido na composição, e, em 1947, compôs o samba “Dor-de-cotovelo” "Asa Negra", gravado por Hélio Sindô. Em 1949, com Césio Negreiros, a "Marcha do Camelô". A partir de 1950 os Demônios da Garoa entraram na vida de Adoniran, e tornaram-se os mais constantes intérpretes de suas letras, o samba "Malvina abriu às portas da parceria. Malvina, ganhou o concurso carnavalesco de São Paulo em 1951, e ainda em 1951, Adoniran juntamente com Orlando de Barros, compuseram o samba-canção "No silêncio da noite"; com Hervê Cordovil, a marcha-rancho "Pode ir em paz"; e com Rômulo Pais e Delé, o baião "Tá moiado". Ainda em 1949, com Osvaldo França e Antonio Lopes, a marcha "Água de Pote"; com Henrique de Almeida e Rômulo Pais, a batucada "A louca chegou"; com Manezinho Araújo, o baião "Tiritica"; e com Osvaldo França, os sambas "O que foi que eu fiz?" e "Joga a chave".

Molles

O ano de 1953, foi muito produtivo para Adoniram que, em parceria com Osvaldo Molles e João B. dos Santos, fizeram o samba "Conselho de Mulher" e, com Blota Júnior, "Gol do Amor". Em 1954,"Abriu a Janela", parceria com Frederico Rossini. Em maio de 1955, os Demônios da Garoa gravaram, com grande sucesso "Saudosa Maloca, que havia sido composto em 1951 e gravado pelo próprio Adoniran, sem, no entanto, ter alcançado alguma repercussão. Ainda em 1955, Adoniran compôs "As Mariposas” e, em parceria com Rômulo Pais e Jota Sandoval, compôs "Camisolão"; com Jota Nunes e Antonio Rago, "Chorei, chorei!"; com Chuvisco e Jota Nunes, "Deixa de beber"; No mesmo ano, foi gravado, pelos Demônios da Garoa, seu samba feito em parceria com Alocin [Nicola}, em 1951, gravado pelo próprio Adoniran Barbosa, sem sucesso, e regravado há pouco tempo por Rita Lee, o famigerado "Samba do Arnesto ".

Em 1956, ele presenteou seus fãs com as composições "Apaga o Fogo Mané" e "Um samba no Bixiga". Algumas parcerias em "Arranjei outro lugá", "Por onde andará Maria?" e "Vem, morena", com Antonio Rago; "Decididamente", com Benedito Lobo e Marcolino Leite; "Garrafa cheia", com Benedito Lobo e Antonio Rago; "O legume que ele quer", com Manezinho Araujo e "Quem bate sou eu!", com Artur Bernardo. Também é de 1956 o samba "Iracema", gravado pelos Demônios da Garoa no mesmo ano, re-gravado em 1974, por Adoniran Barbosa. Em 1957, as composições "Terreque, Terreque",em parceria com Avaré e Antonio Rago, e a belíssima "Bom dia Tristeza ", uma parceria com Vinícius de Moraes - embora Adoniran e Vinícius nunca tenham se encontrado pessoalmente.


Em 1958, Adoniran compôs, em parceria com Antonio Rago e Geraldo Blota, "Dotô Vardemá"; em parceria com Osvaldo Molles, "Pafunça"; com Hilda Hilst, Adoniran compôs "Quando te achei" e com José Mendes e Arrelia, "Quero casar". "Bom-dia tristeza" foi gravada em 1957, por Aracy de Almeida, e em 1958 e 1963 por Maysa. Samba “Luz da Light” surgiu em 1964, e foi lançado pelos Demônios da Garoa, que recebeu o primeiro prêmio do Carnaval no quarto centenário da fundação do Rio de Janeiro, em 1965. Pela primeira vez um samba paulista faz sucesso pra valer no carnaval carioca "Trem das Onze. {Aliás, foi re-valorizado por Gal Costa num show ao vivo, em 1973,cuja gravação magnetiza o ouvinte, passando a ser um dos momentos mais empolgantes da MPB}.

Linguagem macarrônica


Continuando a compor em uma linguagem muito própria, que reconstituía à mistura de diferentes sotaques dos migrantes de São Paulo, Adoniran compôs, em 1965: "Eu vou pro samba", "Tocar na Banda" e "Samba Italiano, este último uma sátira aos oriundi. São também de 1965 "Ai, Guiomar", parceria com Osvaldo Molles; "Já tenho a Solução", com Clóvis de Lima; "Jabá Sintético", com Marcos César; "Minha Roseira", com Dedé; e "Agüenta a mão, João", com Hervê Cordovil, {regravada pelo Grupo Fundo de Quintal, em 1990}. Em 1966, compôs "Nunca mais faço Carnaval" e com Marcos César "Já Fui uma Brasa". De 1967 são os sambas "O casamento do Moacir", com Osvaldo Molles; "Chá de Cadeira", parceria com Jucata; e "Quem é Vivo Sempre Aparece", parceria nova com Corvino. O ano de 1968 ele traz as composições " Mulher, Patrão e Cachaça", mais parcerias com Osvaldo Molles e "Vila Esperança, com Marcos César. O falecimento de Osvaldo Molles acabou provocando um vácuo na carreira humorística de Adoniran, e parece não ter mais recuperado sua fórmula de compor.

Última década

Em 1969, surgiram as composições "Despejo na Favela " e "Não quero entrar" e, ainda, "Comê e Coçá, é só Começá", parceria com Geraldo Blota; e "Não Precisa Muita Coisa", composição Benito Di Paula em1970, "Bem eu Quisera" e com Hervê Cordovil " Olhando pra Lua". Em 1971, também com Hervê Cordovil, "É fogo", em 1972, com Rolando Boldrin "Eu Quero ver Quem Pode Mais". Sozinho compôs as marchas "Como vai, Dr. Perú?", "Nóis Viemos aqui pra Quê?", "Senta, Senta" e o samba "Acende o Candieiro" {, regravado por Marlene em 1990}. Em 1973, finalmente, Adoniran entra em estúdio para gravar o seu primeiro LP. Também em 1973, compoe "O caminhão do Simão" e em parceria com Rolando Boldrin "Três Heróis". 1974, "Véspera de Natal" e, em parceria com René Luiz, "Velho Rancho". O ano de 1975, Adoniran grava seu segundo LP e compôs "Vide verso meu Endereço", sem repercussão. Ano de 1979, juntou-se a Carlinhos Vergueiro e fizeram "Torresmo à Milanesa”, este o único samba expressivo da última fase de Adoniran. Entra em estúdio em 1980 e gravou o terceiro e último LP. O cantor era casado com Matilde {1942, não deixou, e filhos} faleceu em 23 de novembro de 1982, por insuficiência cardíaca, agravada por enfisema pulmonar.

 

 

 

 

 

Mestre Vitalino: 100 anos

 

 

Sua obra ingênua, no massapé pernambucano, tornou-se uma significativa mensagem de brasilidade.
 

 

Vitalino Pereira dos Santos, mais conhecido por Mestre Vitalino, nasceu em Ribeira dos Campos, Pernambuco, aos 10 de julho de 1909. Foi artesão, ceramista com seus bonecos retratou como poucos o folclore e a cultura do povo do nordeste brasileiro. Tal perfeição de seus bonecos em barro, ficariam conhecidos como arte figurativa.Tem obras espalhadas pelo mundo, mas a maioria se encontra no Museu do Louvre, Paris, França. Já no Brasil, acredita-se que existam menos de 600 peças do artistas. Sua dedicação ao ofício foi um divisor de águas ao artesanato brasileiro. Mestre Vitalino jamais deixou de ensinar sua arte aos que lhe procurava encatado por seus bonecos. Era um artesanato de traços simples, que exercia uma força muito grande não somente sobre os moradores da região, mas sobre os turistas também.
 
Aprendeu com a mãe

Filho de um lavrador, Mestre Vitalino tomou gosto pelo artesanato ao ajudar sua mãe a queimar as peças em cerâmica com barro colhido às margens do rio Ipojuca, assim ajudaria no orçamento doméstico. Enquanto sua mãe preparava as peças para vender nas feiras pernambucanas, ele modelava boizinhos, jugues e pratinhos. Ao lado das peças principais, sua mãe arranjava um espaço para colocar as miniaturas, uma espécie de ‘reinação’ de Vitalino.
 
Grupos humanos

Por volta de seus 20 anos, em 1930, Mestre Vitalino trabalhou os primeiros grupos humanos com cangaceiros e soldados. O ambiente em que vivia como casa da farinha, terno de zabumba, batizado, casamento, vaquejada, pastoril, padre, Lampião, Maria Bonita, representando seu povo, o seu trabalho, as suas tristezas, as suas alegrias. Essa foi sua melhor fase, pois a partir de 1950, passou a fazer obras sob encomenda; dentistas, médicos operando. Passou também a pintar as figuras para agradar aos compradores, da cidade. Analfabeto, foi nessa data que aprendeu a carimbar as suas peças e mais tarde assinaria com o seu nome. Na casa onde morava, atualmente funciona um museu.
 
Fazendo parte das homenagens de seu centenário Mestre Vitalino, que já foi tema de enredo da Império da Tijuca, Rio de Janeiro, 1977, voltará em 2009 a ser tema da mesma escola de samba. Mestre Vitalino Pereira dos Santos faleceu em 20 de janeiro de 1963, de varíola e deixou dois filhos, Severino e Amaro, seus seguidores.
EDITORIAS:
link da notíciaBy Equipe formasemeios, às 01:39 

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