Revelando, imortalizando histórias e talentos
28.1.10

Sua interpretação era inconfundível aos ritmos nordestinos. Seu cantar era um misto de tristeza e 'agressividade'. Enquanto viveu, travou uma árdua luta por uma música brasileira qualitativa.
 



 


Edmilson José dos Santos “Mel” para os íntimos, nasceu em Palmeiras, na Chapada Diamantina, BA, em 6 de junho de 1942. É um cantor, compositor, artesão, ator e pintor primitivista brasileiro. Como cantor, sempre surpreendeu não só aos seus familiares, mas também a todos que o ouvisse. Ele transmitia, e transmite, alegria e paixão através de seu cantar aos que apreciam uma boa música regional brasileira. Estudioso do folclore nacional, forjava seu som com coisas simples como casca de coco, cabaça, chifre de boi entre outros. No palco, era um grande cantador e contador de histórias também. Utilizava-se da sua técnica de ator e manipulador de bonecos para interpretar melhor suas canções. Sua carreira musical começou ao lado de Vanderly e juntos formaram o duo “Zé & Maria”, chegando a lançar um LP. Com o fim do duo, ele segue carreira solo gravando vários discos como "Coisa da Terra", {LP 400.052 - Brasidisc}, com composições de sua autoria por exemplo Minha Nega é a Capoeira, "Maria Filó" de Luiz Vieira e João do Valle e as outras de autoria do compositor Bisma, que encontrou em Edmilson Santos seu mais fiel intérprete. "Coisa da Terra" é um trabalho com a cara de Edmilson. Porém, destacam-se as faixas Caboclo de Paz "Sou um caboclo de paz não faço mal a ninguém...", O Sanfoneiro Vicentim, “Maria Filó” e Moça Macia. Em 1995, fundou selo próprio, “Da Terra”, e lançou um dos seus melhores trabalhos "É Festa, é Paixão" { LP DTE - 01 - A e DTE - 01 B} com dez faixas onde interpreta "O Beijo da Morena" autoria de Anastácia; Toca, Sanfoneiro {Edmilson Santos/Terena} "Xote do Acauã" { Salvandy de Freitas Lima} e Macaco Véi, {Edmilson Santos}, Carnaval do Recife, de Bimoraes e a faixa homônima autoria de Oswaldinho do Acordeon e Paulo Nascimento. É um disco bem dançante que vai do forró ao frevo - sempre com a mesma categoria -, fazendo jus a frase de sua mãe D. Dina " Eta, que voz boa tem esse menino". E ela tinha razão.


Empolgando plateias


 


Com estilo e personalidade, parecia um furacão em suas apresentações: entusiasmava plateias de gostos e classes sociais distintas. Ele mesmo se definia como um “matuto cantador”, porém, sabia cativar o público com sua cantoria autêntica. Por muitas vezes apresentou-se no antigo Mappin {de Santo André}, Praça do Doce {Praça da República - centro de São Paulo}, geralmente aos domingos subia ao palco do Centro de Tradições Nordestinas, no bairro do Limão, na capital paulista. Era festa, era paixão ver e ouvi-lo com seu tradicional trio, onde até mesmo o sanfoneiro Waldir - atualmente no grupo Falamansa -, o acompanhou em shows pela cidade. Uma prova cabal de que seu trabalho era reconhecido não somente como autêntico mas de cunho cultural, eram suas apresentações e lançamentos de seus discos, via de regra aconteciam no Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, São Paulo. Percebia-se em seu show pessoas de diversas camadas sociais, todos inebriados por sua cantoria.


“Som do Meio Dia”


Houve uma época em que os governantes e respectivos programadores culturais, especificamente no município de São Paulo, tinham algum compromisso; preocupação em levar artistas comprometidos com música de qualidade ao público. O projeto “Som do Meio Dia”, onde cantores e atores levavam seus repertórios e respectivos espetáculos às praças públicas da cidade, teve Edmilson Santos integrando o projeto por dois anos onde levava suas canções, pesquisas folclóricas e preocupações com o social aos paulistanos. Capoeira, mamulengo, teatro e muita música boa integravam suas apresentações contagiantes na região central da cidade: Avenida São João, Praça do Patriarca, Praça Antonio Prado entre outros locais.


Inezita Barroso/Glórya Ryos


O filho de 'seu' Isaac, participou em 1992 da coletânea {ATLP. 0001} da Rádio Atual, São Paulo {música: Padre Cícero Milagreiro} ao lado de Glórya Ryos, Jorge Paulo, Anastácia entre outros sob direção e produção de Maurício de Oliveira. Lançaria mais um trabalho importante não só para sua carreira mas também para cultura brasileira "Anjo Agreste", homenagem póstuma a Luiz Gonzaga o 'rei do baião'. Edmilson alcançou o auge de sua carreira por méritos próprios no final de 80 a 94, e contou com a mão amiga de sua colega cantora, radialista e apresentadora de televisão Glórya Ryos que, sempre atendia as solicitações dos ouvintes e o incluía na grade de seu programa. Outro importante nome dava respaldo ao trabalho musical de Edmilson Santos, Inezita Barroso, que o convidava sempre para participar do programa “Viola Minha Viola” na TV Cultura de São Paulo. {Mais sobre o programa em http://www.tvcultura.com.br/ }.


Ator


No cinema participou de "O Beijo da Mulher Aranha", romance do escritor argentino Manuel Puig, com direção de Hector Babenco, com os astros norte-americanos Raul Julia, William Hurt e a atriz brasileira Sônia Braga. Edmilson interpretava um agente penitenciário, e, coube a seu personagem acompanhar William Hurt {Molina} ao deixar a cela. Atuou na série da TV Cultura de São Paulo “Calunga” ao lado de Toni Ramos, além de ter feito várias peças teatrais. Em 1992, ao lado de Francisco Hernandes, Nelson Roger e Francisco Martins, participou do vídeo "Um Gênio Duca..." sátira ao Aladim, o gênio que sai da lâmpada. Edmilson, interpretava o papel principal, o gênio, um verdadeiro trapalhão. No vídeo ele se mostra muito à vontade e destila talento com seu humor espontâneo, verdadeiro. O vídeo teve locação no centro de São Paulo e término na Praia de Itararé, São Vicente, SP. O trabalho está inédito no mercado.


O Capoeirista


Capoeirista {macaco véi} sabia de cor as regras que um bom capoeirista deve seguir. Não somente uma ou duas vezes viu-se Edmilson desafiado a por em cheque sua técnica. Nesse momento, aparecia um sujeito autoconfiante e de grandeza ímpar, pois sabia de sua superioridade ao reagir insultos de um leigo à capoeira, mostrava-se um gigante; um discípulo fiel daquilo em que acreditava ser mais uma arte do que uma luta, Não seria exagero nenhum dizer de sua enorme contribuição para que a capoeira chegasse ao ponto em que chegou. Sua contribuição era dada de forma consistente e cultural: através do seu canto e de suas composições gravadas nos seus discos. Cada LP continha uma ou duas faixas ligadas ao mote. Vez ou outra ele aparecia em uma escola de capoeira para praticar e entoar canções com mestres e alunos. Aproveitava para salientar não só as vantagens, mas também como era importante dignificar a capoeira, pois só assim as autoridades culturais do País podiam voltar-se e prestar atenção. Ele não encontra-se vivo para ver seus anseios atendidos. Entretanto, deu um passo enorme para que a capoeira tornasse-se Patrimônio Imaterial da Cultura Brasileira. Esse é apenas um pouco do legado do artista Edmilson Santos, falecido em 21 de fevereiro de 1996, na capital paulista.


 


Agradecimentos de Formas&Meios
 


Ao delegado de polícia, Dr. Isadino José - irmão do cantor e compositor Edmilson Santos -, por sua gentileza, altruísmo ao ceder parte de seu acervo para ilustrar essa matéria.
 


À cantora, radialista e apresentadora de televisão, Glórya Ryos, por sua amabilidade, a todos, especialmente o respeito à memória de seu colega Edmilson Santos.
Mais sobre Glórya Ryos: http://www.gloryaryoscantora.blogspot.com/
 

EDITORIAS:
link da notíciaBy Equipe formasemeios, às 13:15  comentar

De marcelo Ribeiro a 6 de Fevereiro de 2010 às 21:23
Demorou, mas até que o melhor site brasileiro fez justiça ao perfil do Edmilson Santos, que conheci e vi seus shows. Era um lutador pela cultura brasileira. Parabéns e aguardo mais notícias dele.

De Carlos Aimar a 6 de Fevereiro de 2010 às 21:25
Parabéns formas&meios, se eu já ascessava vocês, agora virei fá de vez. Este perfil é tudo de bom, merecdor dele seu autor.

De ricardo moreira santos a 7 de Fevereiro de 2010 às 15:58
Apreciei muito este trabalho de formas&meios, ainda mais saber que o Brasil continua não dando a chance aos que de direitos a tem, que, faz cultura popular de qualidade. Vivo em Algarve, sou brasileiro de Goías. Abraços

De Cláudio Pacheco a 8 de Fevereiro de 2010 às 22:28
Sujeito de boa índole, competente. Tanto que teve a sina dos grandes nomes brasileiros, o esquecimento. Ainda bem que alguém se interessa por essa gente talentosa. SUCESSO .

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