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7.1.20

Harvey Weinstein: O desmoronamento de um deus de Hollywood: BY Fram Martins via Sapo

 

Durante anos, ele foi um dos produtores independentes mais poderosos de Hollywood. A partir desta segunda-feira começa a ser julgado em casos de agressões sexuais. Se ele for considerado culpado, poderá ser condenado a prisão perpétua.

Nascido em Queens a 19 de março de 1952, filho de um lapidador de diamantes, Weinstein estudou na Universidade de Buffalo e inicialmente produziu concertos de rock com o seu irmão, Bob.

 

Podia construir ou destruir carreiras no mundo do cinema e da TV. Era venerado e temido ao ponto de Meryl Streep um chamar uma vez de "Deus". Passaram mais mais de dois anos desde que Harvey Weinstein, de 67 anos, foi denunciado por assédio, agressão sexual e violação por mais de 80 mulheres por atos que terá praticado ao longo de 40 anos.

 

A partir desta segunda-feira, o ex-produtor será julgado no tribunal estadual de Nova Iorque e, se for considerado culpado, poderá passar o resto da vida na prisão.

 

UM "MONSTRO"

 

As atrizes Ashley Judd, Gwyneth Paltrow, Kate Beckinsale, Uma Thurman e Salma Hayek acusaram-no de assédio ou agressão sexual. Asia Argento, Rose McGowan e Paz de la Huerta, de violação. Mira Sorvino e Ashley Judd garantem que ele acabou com as suas carreiras porque elas não cederam ao seu assédio.

 

Muitas contaram que o irascível e impaciente Weinstein marcava encontro consigo em quartos de hotel, onde as recebia apenas tapado por uma toalha de banho e propunha que dessem ou recebessem massagens ou que o vissem masturbar-se.

 

Mas o robusto ex-produtor, de cerca de cem quilos, será julgado criminalmente apenas por duas acusações que não prescreveram: ele foi acusado de forçar a ex-assistente de produção Mimi Haleyi a receber sexo oral contra a sua vontade em 2006 e de violar em 2013 outra mulher cuja identidade permanece em sigilo.

 

"Durante anos, ele foi o meu monstro", escreveu a atriz mexicana Salma Hayek, ao relatar o que viveu durante as filmagens de "Frida", em 2002. Diante das suas reiteradas rejeições, Weinstein reagia com "ira maquiavélica" e ameaçava matá-la.

 

A DESCIDA AOS INFERNOS

 

Uma grande investigação sobre a sua má conduta sexual, publicada no jornal The New York Times a 5 de outubro de 2017, somada a outra reportagem na revista The New Yorker, originaram um escândalo que acabou com a sua carreira, o seu casamento e a sua reputação.

 

Foi expulso da Academia de Cinema dos Estados Unidos e da sua própria empresa, a The Weinstein Company (TWC).

 

Em novembro de 2017, um mês depois de o escândalo vir à tona, internou-se num centro de reabilitação para tratar a dependência de sexo.

 

A sua segunda esposa, a designer de moda britânica Georgina Chapman, com quem teve dois dos seus cinco filhos, divorciou-se dele.

 

Weinstein está em liberdade após ter pago uma elevada finança. Usa uma pulseira eletrónica e permanece recluso numa casa alugada num subúrbio nova-iorquino, perto dos filhos mais novos.

As suas escapadas a Manhattan são perigosas: em outubro, várias mulheres atacaram-no num bar, chamando-o aos gritos de "violador" e "monstro" até serem expulsas do local.

 

No mês passado, apareceu em tribunal pálido, caminhando com um andarilho antes de ser operado às costas devido a um acidente de carro sofrido em agosto.

 

Os Oscar e fortuna 

 

Ambos cofundaram o seu primeiro estúdio de cinema, a Miramax, em 1979. Os seus sucessos incluíram "Sexo, mentiras e vídeo", de Steven Soderbergh (1989) e "A Paixão de Shakespeare" (1998), vencedor de sete estatuetas e com o qual Weinstein ganhou um Óscar de melhor filme.

A Miramax também produziu o primeiro grande sucesso de Quentin Tarantino à escala global, "Pulp Fiction" (1994) e "O paciente inglês" (1997, nove Óscares).

 

A Miramax foi vendida à Disney em 1993 e os irmãos deixaram a empresa em 2005 para fundar a The Weinstein Company.

 

Ao longo dos anos, os filmes de Weinstein receberam mais de 300 nomeações aos Óscares e arrecadaram 81 estatuetas.

 

O produtor chegou a ter uma fortuna pessoal entre 240 milhões e 300 milhões de dólares, que diminuiu rapidamente após cair em desgraça.

 

Weinstein inspira Hollywood, mas como o vilão do filme. Um longa-metragem de suspense baseada no escândalo, intitulada "The Assistant", tem estreia prevista para o fim de janeiro e está no forno outro filme com produção de Brad Pitt, que encarou Weinstein em 1995 e ameaçou matá-lo se não parasse de assediar sexualmente a sua namorada na época, Gwyneth Paltrow.

 

As acusadoras:

 

- Mimi Haleyi: É uma das duas supostas vítimas de Weinstein cujas denúncias de agressão sexual resultaram em processos criminais.

 

A ex-assistente de produção alega que o outrora homem forte de Hollywood a forçou a receber sexo oral enquanto estavam no seu apartamento em Nova Iorque em julho de 2006, apesar de ela se negar a isso reiteradamente.

 

"Foi totalmente não consentido", afirma Miriam Haleyi à MSNBC, lembrando que estava menstruada no momento do incidente. "Não há forma de eu quisesse que isso acontecesse", disse.

- Uma vítima anónima: A segunda vítima que levou Weinstein a julgamento criminal permanece anónima. Acusa o nova-iorquino de a violar em março de 2013 num quarto de hotel.

 

A defesa já enviou uma série de provas que mostrarão que esta mulher teve um relacionamento romântico sustentado com o seu suposto agressor por vários anos após os alegados eventos.

 

- Annabella Sciorra: A atriz, que apareceu na série "Os Sopranos", também afirma ter sido violada por Weinstein em 1993 em sua casa, depois de ser forçada a deixá-lo entrar.

 

Embora não tenha revelado a agressão até ao final de outubro de 2017, ela afirma que o produtor fez todos os possíveis para evitar que obtivesse papéis entre 1993 e 1995.

 

Os factos dos quais afirma ter sido vítima não são avaliados neste processo. Mas o seu testemunho é a chave para o julgamento, que espera provar que o ex-magnata do cinema é culpado de comportamento de 'predador sexual' ao agredir uma série de mulheres.

 

Se ele for considerado culpado, poderá ser condenado a prisão perpétua.

Três outras mulheres cujas identidades são desconhecidas foram autorizadas pelo juiz James Burke a testemunhar no julgamento.

 

Uma delas afirma ter sido violada por Weinstein em Beverly Hills em 2013. A natureza exata dos outros dois incidentes, que ocorreram em 2004 e 2005, é desconhecida.

 

Assim como Annabella Sciorra, Weinstein não está a ser processado pelos eventos relatados por essas três mulheres, que só estarão lá como testemunhas.Artigo completo

EDITORIAS:
link da notíciaBy Equipe formasemeios, às 15:10  comentar

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